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07000000001 - Marketing & Ecobusiness - Agência o Estado e Revista Ligação - Abril/99 - O ecoturismo como ferramenta de desenvolvimento sustentável - Por João Meirelles Filho

Marketing & Ecobusiness
Agência o Estado e Revista Ligação - Abril/99

O ecoturismo como ferramenta de desenvolvimento sustentável

Por João Meirelles Filho*

O ecoturismo apresenta-se como um conjunto de iniciativas aceitáveis que buscam aliar conservação da natureza, valorização da cultura local e promoção de desenvolvimento econômico. Este torna-se, cada vez mais, um dos mais versáteis mecanismos de promoção do desenvolvimento sustentável.

Se observarmos a tarefa, por exemplo, dos proprietários rurais em conservar os seus 20%, 50% ou 80%, qual seja este o número correto, de suas áreas, verificaremos que se estes compreenderem a importância econômica da conservação avançaríamos a passos mais largos.

Aqueles proprietários rurais que se aperceberam que aquela matinha, brejo, morro alto; aquele arroz de carreteiro tão bom, ou a moda de viola do fim da tarde, a paradinha pro tereré em baixo de uma sombra no meio de uma rotina de gado; tudo que a memória deixou lá pro fundão da fazenda, se for bem re-interpretado e apresentado como produto para o lazer e turismo, pode receber uma destinação bastante nobre e gerar renda.

Não se quer aqui propalar que cada reserva obrigatória deva ser destinada ao lazer ou turismo, e sim despertar para o seu potencial, demonstrar ao proprietário que vale a pena "guardar" aquela área para uso das futuras gerações. Deve-se, inclusive explicar que a própria atividade de pesca e caça largamente exercidas, apesar das leis vigentes, sobrevive graças a estas reservas naturais do fundo das propriedades.

O ecoturismo utiliza binóculos que enxergam riquezas onde nada havia de útil para a pecuária ou à agricultura – cachoeiras, paisagens, grutas, observação de fauna e flora, escaladas em morros, tradições da cultura local, etc. E isto porque nos metropolizamos, ficamos seres urbanos em excesso, e damos valor a qualquer capãozinho de mato ou queda d’água que vemos pela frente.

Vejam o exemplo de um dos dez principais destinos ecoturísticos do Brasil – Bonito. O ecoturismo em Bonito já criou mais de 2.000 empregos, muito mais que a pecuária com todos os seus avanços logrou alcançar nos últimos 20 anos e promete pelo menos três vezes mais empregos locais para a próxima década. E mais – um boi deixa no Brasil Central seus R $ 2,00 a R $ 4,00 de renda mensal ao proprietário rural. Um turista deixa este mesmo tanto num par de horas.

Ninguém está falando em tirar o boi e colocar turistas, pelo contrário, o bucolismo da pecuária apascenta os olhos afanadores dos turistas, o que se quer é mostrar que tudo que é mato agora já tem o seu valor e deve ser observado com mais cuidado.

E o IEB - Instituto de Ecoturismo do Brasil, em recente parceria com a Embratur, fruto de dois anos de trabalho, realizou o primeiro levantamento, ainda bem preliminar, de 88 pólos de ecoturismo no território nacional. É uma agenda de trabalho para os próximos dez anos. É um norte para dezenas de milhares de proprietários rurais e daqueles que querem viver de outras atividades rurais além de plantar e colher e correr atrás de novilho com berne.

Como mais de 80% do território nacional está em mãos de proprietários privados, o ecoturismo levanta novas questões, onde encontrar formas de incentivo à conservação e valorização das reservas obrigatórias com vistas a seu potencial econômico futuro seja para o lazer, o turismo, a biotecnologia ou a simples proteção de mananciais passa a Ter sentido.

É aí que entram os técnicos em ecoturismo, capazes de apresentar este novo mercado, que já movimenta meio bilhão de reais no Brasil, atrai mais de 500 mil turistas, a grande parte de turismo interno, gera mais de 30 mil empregos e é fundamentalmente dominado pela micro e pequena empresa. É o emprego mais barato de gerar neste Brasil de desempregados urbanos. É um investimento com alta taxa de retorno sobre o capital!

Quem investir um pouquinho neste planejamento, pesquisando a demanda, o que a propriedade pode oferecer, a quem, como e com que parcerias, terá a grata surpresa de verificar que o ecoturismo, receba o nome que desejarem - turismo rural, turismo de aventura, esportes de natureza, lazer no campo - é mais rentável que a maior parte das atividades tradicionais do campo brasileiro.

O ecoturismo é a transformação do campo de produtor primário em economia de serviços – hospedagem, alimentação, lazer, educação, cultura e serviços correlatos. No Estado de São Paulo o turismo e o lazer no meio rural empregam mais gente do que a cana-de-açúcar.

O Instituto Peabiru de Ecoturismo e Esportes de Natureza, por exemplo, é fruto desta nova realidade. É uma organização fruto desta nova realidade, e entre suas tarefas está a de implementar parques ecoturísticos. Dois estão já abertos, o Parque Ecoturístico da Bodoquena, em Bonito, MS, e o Parque Ecoturístico do Baú, em São Bento do Sapucaí, região de Campos do Jordão, SP. São iniciativas que pretendem testar modelos de parceria entre proprietários rurais, organizações dedicadas à conservação do meio ambiente, educação ambiental e turismo, e agências e operadores de ecoturismo. Além disto, participam empresas como o Fundo Síntese de Investimentos, Lexmark, Timberland, Liotécnica e Motorola como parceiras e incentivadoras.

Este é o admirável mundo novo que está sendo lapidado no sertão do Brasil, para substituir as atrocidades ambientais causadas pela falta de opções econômicas que empurrou tanta gente para as fronteiras pioneiras, ironicamente aquelas que hoje apresentam os grandes potenciais para o turismo. Aliás, o que diferencia o Brasil do resto do mundo não é o preço mais barato de nossas autopeças, e sim, do coquetel turístico baseado em cultura autêntica – ambiente natural (great wilderness) – possibilidade de se distanciar da mesmice das metrópoles. É este o ouro do Brasil!

João Meirelles Filho, administrador de empresas, presidente do Instituto Peabiru de Ecoturismo e Esportes de Natureza e do IEB – Instituto de Ecoturismo do Brasil – Mestre do Projeto CTA e Genoma da Escola Superior de Propaganda e Marketing - email: jmeirelles@peabiru.org.br  Peabiru: www.peabiru.org.br e IEB: www.ecoturismo.org.br


"A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo"     Peter Drucker

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