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01000000001- Environment Commodities - O Futuro do nosso Planeta - Por Maria do Carmo Zinato

Environment Commodities

O Futuro do nosso Planeta

Por Maria do Carmo Zinato*

Dentre as diversas agências de pesquisa dos EUA, a U.S. Geological Survey (USGS) destaca-se para os profissionais das águas, primeiro pelas seriedade dos temas que estuda, segundo por divulgar as informações que coleta ou produz. Num mundo onde se discute a acessibilidade e a confiabilidade da informação, dados como os apresentados pela USGS vêm se tornando cada vez mais úteis, tanto para formadores de opinião quanto para os que ocupam cargos de decisão.

No artigo "O futuro do Planeta Terra" veiculado em português pelo informativo Fonte d’Água (fontedagua@ces.fau.edu) do Florida Center for Environmental Studies, em fevereiro último, a USGS sintetiza os assuntos mais relevantes do século entrante, com relação ao ambiente onde vivemos.

1. As fontes de água doce (áreas de nascentes, poços de água subterrânea e/ou tomadas de água superficiais) são uma parte do sistema de abastecimento de água potável que ainda inclui as estações de tratamento e o sistema de distribuição. Sua necessária preservação pode acontecer através de estudos, desenho de modelos computadorizados e outras ferramentas que ajudem as comunidades a identificar, administrar e proteger suas áreas de nascentes de água.

2. O crescimento urbano provoca mudanças no uso da terra, especialmente nas metrópoles. O uso da terra impactua o ecossistema e os recursos naturais ali existentes. A mudança da paisagem deve ser monitorada, analisando e prevendo os efeitos sobre as fontes de água, sobre a drenagem em momentos de chuva e outros aspectos. Os políticos e administradores das cidades precisam contar com dados precisos para uma melhor compreensão de como as cidades impactuam os elementos naturais para que suas decisões sejam mais acertadas.

3. À medida em que a população cresce, próxima ou adjacente à zona costeira, aumenta a demanda por qualidade de água, os ecossistemas são impactados e as vulneráveis linhas costeiras são erodidas. Mesmo depois da limpeza das águas, sedimentos contaminados previamente depositados no fundo do mar podem ser "agitados" por tempestades e continuar a impactar negativamente os ecossistemas. Os oceanos não podem fornecer ilimitada pesca para alimentar as populações em crescimento, nem podem absorver ilimitado lixo das atividades humanas.

4. Recentemente, foram identificados alguns contaminantes de água, em ecossistemas naturais. Desconhece-se os impactos desses produtos químicos na vida humana ou desses ecossistemas, nas proporções ainda baixas em que se encontram. Entretanto, monitoração constante se faz necessária para observar possível aumento dos índices da poluição e o comportamento dos elementos detectados, tais como "acetaminophen, caffeine, codeine, Cotinine (um nicotine metabolite), 17b-estradiol (um hormônio), e sulfamethoxazole (um antibiótico)."

5. A eutrofização de alguns corpos d’água começa a preocupar os cientistas. A eutrofização acontece quando da presença de quantidades excessivas dos nutrientes Nitrogênio e Fósforo que causam o aumento crescente de plantas aquáticas, que consomem o Oxigênio na água necessário para outras vidas aquáticas. Nuvens de algas, zonas deficientes em Oxigênio e "Pfiesteria" são alguns dos impactos negativos resultantes do excesso de nutrientes que acabam nas águas costeiras. Se a população mundial cresce, aumenta a demanda por alimento e, consequentemente, haverá mais uso dos fertilizantes que contêm esses elementos nas lavouras.

6. Em muitos países, o ano de 1999 trouxe deslisamentos de terra, terremotos, inundações, erosões violentas por tempestades costeiras... O custo dos desastres naturais, tanto humano quanto financeiros, cresceu muito e não pretende parar neste ano. Pessoas morando em áreas vulneráveis são a principal causa. Se por um lado é preciso entender melhor como ocorrem esses eventos, por outro lado, as informações obtidas devem levar as pessoas a construir e viver seguramente no planeta. Informação em tempo real, sistemas de alerta e outras ferramentas permitidas hoje pela tecnologia de telecomunicação ajudam a salvar vidas. São importantes também para que se tomem decisões mais acertadas no planejamento e na elaboração de novas políticas.

7. Os invasores biológicos são espécies introduzidas nos habitats onde não são nativas e que, por sua rápida proliferação ou pela ameaça que apresentam para espécies nativas, causam perdas econômicas e biológicas em todo o mundo. Controle de pragas, identificação das espécies invasoras e desenvolvimento de estratégias para o reestabelecimento e proteção das comunidades nativas são práticas que precisam ser desenvolvidas.

8. O planeta está mudando. O nível do mar aumenta em proporções significativas, níveis de dióxido de Carbono sobem ameaçando a capota polar, rotas de aves migratórias e paradas de tartarugas migratórias têm sido alterados. Os ecossistemas que mais rapidamente indicam essas mudanças são as comunidades dos recife de corais, pântanos e manguezais. Estes ecossistemas, considerados os mais complexos da Terra, biologicamente falando, são sinalizadores das mudanças globais e precisam ser monitorados, assim como as geleiras e os vulcões.

9. O fluxo de matéria é uma abordagem sistêmica, usada para entender o que acontece ao material que usamos – da formação geológica, extração, uso e reuso, até sua disposição final - e esse conhecimento pode ajudar as pessoas a melhor manejar o uso dos recursos naturais e proteger o meio ambiente. As demandas de energia do futuro, suprimentos para construção e o potencial para poluição e perdas são questões que requerem estudos científicos.

10. A infra-estrutura de água em cada país obedece normas estabelecidas para favorecer a atividades tais como agricultura, energia elétrica, navegação, prevenção de inundações, água para cidades e indústrias, e diluição das perdas. Esses objetivos ainda são válidos, mas os valores e leis, sobre as quais esses sistemas operam hoje, podem ter sofrido ou devem sofrer alguns ajustes para também considar: a melhoria dos habitats aquáticos e marginais a corpos d’água, e das nascentes, oportunidades recreacionais e um desejo geral pela preservação dos ambientes naturais para as futuras gerações. Esses desafios requererão que os cientistas trabalhem em colaboração com administradores das águas para predizer como mudanças no manejo de nossa infra-estrutura de água afetará suas metas tradicionais e atenderá às novas metas ambientais.

No caso de países como o Brasil, ainda podemos acrescentar a esta lista de desafios o tratamento dos resíduos líquidos, ou seja, as diversas maneiras de tratamento de esgoto que precisam sair dos compêndios universitários e virar obras que façam com que os corpos d’água voltem a ter vida, deixem de ter mau cheiro e reincorporem-se de novo ao tecido urbano e à vida humana de maneira geral. As poluições industriais e agrícolas estão sendo levadas a se controlarem, seja por medidas punitivas seja pela busca de uma ISO 14000 por exemplo. Entretanto, as cidades continuam a despejar um volume enorme de esgotos em seus corpos d’água sem se importar com o vizinho rio abaixo ou com a agricultura que usa aquela mesma água para irrigação do alimentos consumidos por suas populações.

A Visão Mundial das Águas para 2025 foi apresentada na Holanda em março passado e um Modelo para Ação está sendo divulgado em breve, em todas as línguas, em todos os países. Quais serão os desafios a vencer? Como a informação, as obras de engenharia, as campanhas educativas, os laboratórios e universidades, enfim, todo o conhecimento que a humanidade detém hoje poderá resolver as questões mais básicas e as mais urgentes de nosso século? Principalmente, como distribuir melhor a riqueza em nosso país para eliminar a pobreza pela metade até o ano 2015? Comecemos a pensar e estimulemos nossos filhos a continuar pensando... pois há muito que fazer.

Maria do Carmo Zinato é Arquiteta  pela Universidade Federal de Minas Gerais, Mestre em planejamento urbano e rural pela Technical University of Nova Scotia (Canadá). Assessora de Planejamento Municipal de Ponte Nova, Professora da Universidade Federal de Viçosa, coordenadora do projeto nacional Adote uma Bacia junto à SRH/MMARHAL, pesquisadora visitante do Florida Center for Environmental Studies email: mariacz@ces.fau.edu.

REDE INTERAMERICANA DE RECURSOS HÍDRICOS -  www.iwrn.net  e www.waterweb.org

"Fonte d'água" é o Serviço de Informações sobre ÁGUA em português do FLORIDA CENTER FOR ENVIRONMENTAL STUDIES - www.ces.fau.edu


"A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo"     Peter Drucker

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