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01019034001 - Environment Commodities - Forest Valuation - Floresta & Desenvolvimento - Sebastião Kengen

Environment Commodities - Forest Valuation

Artigo Inédito

Floresta & Desenvolvimento

Por Sebastião Kengen*

O desenvolvimento econômico que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial contribuiu para o surgimento de um grande interesse sobre o assunto. Assim sendo, diversas teorias foram desenvolvidas sobre este tema. Essas teorias iam da direita para a esquerda cobrindo todo o espectro ideológico. Os ciclos florestais, também, foram contagiados por este interesse e a questão a ser respondida era a de como o setor florestal poderia contribuir para o processo de desenvolvimento econômico. Desta forma, o assunto passou a merecer a atenção dos Congressos Florestais Mundiais, bem como de outros eventos. Este trabalho apresenta de forma reduzida os dois principais enfoques quanto ao papel do setor florestal e sua contribuição ao desenvolvimento que prevaleceram nas décadas de 60, 70 e parte dos anos 80. Isto não significa que tenham desaparecido, mas como tudo na vida é dinâmico, eles continuam, porém com nova roupagem e com a inclusão de novos parâmetros, mas isto será objeto de outro artigo.

 

A industrialização do setor florestal foi a resposta à questão de como o setor florestal poderia contribuir para o desenvolvimento econômico. Neste sentido, dever-se-ia estimular a implantação de indústrias florestais uma vez que a floresta supre matérias-primas para um amplo espectro de produtos. Segundo projeções haveria uma escassez futura de madeira enquanto a demanda por produtos florestais aumentaria. Associado a isto, assumia-se que as regiões produtoras tradicionais provavelmente não teriam como atender a esta nova demanda e isto abria mercados para novos produtores, particularmente a América Latina. Este cenário reforçava a tese da industrialização do setor florestal. Esse processo, por seu turno, teria um grande potencial para contribuir para promover o desenvolvimento econômico dos países em desenvolvimento.

 

Neste contexto, a industrialização foi estimulada e projetos foram implantados, particularmente por organismos internacionais, tais como a FAO e o Banco Mundial. Em 1960, durante o 5º Congresso Florestal Mundial, já fazia referência de que o avanço na produção madeireira continua ocorrendo nos países desenvolvidos e de que a produção nos subdesenvolvidos não havia aumentado como o previsto o que põe em cheque toda a previsão mencionada acima quanto ao papel dos países subdesenvolvidos. Em meados da década de 70, este enfoque passou a ser questionado uma vez mais já que os resultados não foram os esperados, principalmente no que tange as questões sociais.. Na verdade as evidências sugerem que a própria ênfase no desenvolvimento econômico como um fim em si próprio começou a ser questionado.

A partir de então, as questões sociais passaram a ter um peso bem maior e o significado de desenvolvimento passou a ter uma conotação bem mais ampla e ir além da questão econômica. Slogans como "atender as necessidades humanas básicas", "desenvolvimento rural enfatizando o combate à pobreza", "crescimento com redistribuição" dentre outros passaram a predominar as discussões sobre desenvolvimento.

 

Esta nova tendência foi incorporada pelos ciclos florestais. A melhor evidência disto foi a mudança que se verificou nos organismos internacionais, tais como a FAO e o Banco Mundial que redirecionaram as suas respectivas linhas de ação passando a enfocar projetos de desenvolvimento florestal no sentido de promover o desenvolvimento rural. A FAO lançou o conceito de "Setor Florestal para o Desenvolvimento da Comunidade Local" (Forestry for Local Community Development), também passou a ser comum ser usado o termo "Floresta Social" (Social Forestry). Por exemplo, em 1978, o Banco Mundial descreveu essa nova ênfase como uma mudança de projetos orientados para a industrialização (Industry-oriented) para aqueles orientados às pessoas (People-oriented). Em 1978, durante o Congresso Florestal Mundial, Westoby que tão brilhantemente tinha defendido a industrialização, fez uma mea culpa e propôs que "o papel do setor florestal no desenvolvimento deve ser o de fortalecer o setor tradicional e, desta forma, deve ser realizado pela população rural". Dentro desta perspectiva mais social, Westoby, também, lembra ao engenheiro florestal quanto a necessidade de entender que a sua profissão é para servir as pessoas e não as árvores.

 

Quanto ao Brasil que possui a maior floresta tropical do mundo, a sua adesão foi quase que inteiramente à industrialização do setor florestal e praticamente nenhuma ao enfoque floresta social. Pode-se inferir que o modelo de desenvolvimento que historicamente vem sendo adotado constituiu-se num fator fundamental a esta escolha. Não é o propósito deste trabalho discutir se isto é certo ou errado, mas a lição que se pode tirar é de que modelo de desenvolvimento florestal adotado pelo Brasil está intrinsecamente ligado ao modelo de desenvolvimento adotado, o que não podia ser diferente. Entretanto, as evidências sugerem que nem sempre isto é levado em consideração e tem-se a impressão de que se quer propor ou promover o desenvolvimento florestal como se o mesmo ocorresse num vácuo e, por isso pudesse ser tratado independentemente.

 

Finalmente, pode-se afirmar que a mudança de ênfase referida no texto acima não significa uma mera substituição de um enfoque pelo outro ou que um é melhor do que o outro. De fato, ambos continuaram a subsistir e a industrialização continuou a ter um maior apelo. Entretanto, as evidências sugerem que a fusão deles seja a solução mais apropriada, pois, na verdade não existe uma única resposta para problemas tão complexos. Isto deve se dar de acordo com diretrizes e um planejamento definidos por uma política bem definida. Esta política deve ser realística, i.e. deve se basear nos recursos que o governo dispõe e não deve pressupor reorientações institucional e/ou social abrupta. Se estes preceitos não forem levados em consideração essa política tem grande chance de ser fadada ao insucesso.

 

Sebastião Kengen é Engenheiro Florestal, M.Sc. e Ph.D, Consultor do Ibama. E-mail: skengen@sede.ibama.go.br

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