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01027095001 - Environment Commodities x Finance - Documento BECE - Universidade Sebrae de Negócios - Rio Grande do Sul - ALGUMAS PROPOSTAS DE MARKETING E OPERAÇÕES PARA SUBSDIAR AS DISCUSSÕES DE CRIAÇÃO DA BECE - Brazilian Environment Commodities Exchange - Por Percy Soares Neto 07/08/00 09:26:14

Environment Commodities x Finance - Documento BECE

Universidade Sebrae de Negócios - Rio Grande do Sul

ALGUMAS PROPOSTAS DE MARKETING E OPERAÇÕES PARA SUBSDIAR AS DISCUSSÕES DE CRIAÇÃO DA BECE - Brazilian Environment Commodities Exchange

Por Percy Soares Neto*

A Universidade SEBRAE de Negócios,  com o apoio do SENAR e da FARSUL, está desenvolvendo em Porto Alegre o "Programa Formação de Empreendedores em Agronegócios". A primeira turma contou com 40 pessoas com diferentes formações, na sua maioria alunos com atividade profissional vinculada diretamente a produção agropecuária. A multidisciplinariedade do grupo possibilitou um amplo debate a partir dos diferentes aspectos vinculados a cadeia do agronegócio.

No módulo "Novos Instrumentos de Financiamento" ministrado pela Economista Amyra El Khalili, discutiu-se o Projeto Consultant, Trader and Adviser - CTA, Geradores de Negócios nos Mercados Futuros e de Capitais e criação da BECE - Brazilian Environment Commodities Exchange, do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, juntamente com 300 especialistas de diversas áreas da atividade econômica.

A proposta que objetiva criar uma alternativa de financiamento para projetos e produtos que tenham agregação valor e foquem o retorno aos investidores em práticas que respeitem as limitações do ambiente e gerem externalidades positivas quanto aos aspectos sócio-ambientais. Estando implícito no desenvolvimento destas propostas a conceituação e difusão da importância de aprofundar o conceito de "commodities ambientais".

No módulo ministrado pela Professora Amyra El Khalili o grupo foi provocado a simular a operação e uma estratégia de marketing para a BECE. Subsidiados pela proposta inicial apresentada pela professora e com liberdade de criar e propor alterações de enfoque e estratégia, a turma dividiu-se em 04 grupos de trabalho para debater o assunto. Os resultados das discussões são apresentados abaixo.

Grupo I - PENSANDO UMA ESTRATÉGIA PARA SUBSIDIAR O PLANEJAMENTO DE MARKETING DA BECE

A proposta de trabalho deste grupo centrou-se, em um primeiro momento, em acordar conceitualmente que se entenderia como commodities ambientais e por BECE - Brazilian Environment Commodities Exchange. Posteriormente discutiram-se os argumentos para fomentar a criação BECE, definindo-se, na visão do grupo, qual objetivo deveria ser buscado e quem seriam os players. Apresenta-se posteriormente um uma frase de chamada para a divulgação da BECE.

As commodities ambientais diferenciam-se das demais por serem produzidas ou extraídas de forma sustentável, em processos que não gerem externalidades negativas e nem comprometam o potencial de recuperação do ambiente, respeitando o equilíbrio dos ecossistemas em que estão inseridas. Serão importante as informações quanto as benefícios gerados pelos processos de extração produção destas commodities, nos aspectos sociais principalmente focando em questões de emprego, renda e qualidade de vida dos trabalhadores e comunidades envolvidas. O respeito as culturas de cada lugar também deve ser considerado como um fator importante para que sejam classificadas.

Portanto entende-se que o foco do diferencial das commodities ambientais está na forma de produção e extração.

A BECE seria um espaço para a comercialização de produtos originados dos recursos naturais, certificados e com métodos de produção/extração sustentável, proporcionando a ligação de projetos e produtores geradores de externalidades positivas ao ambiente com investidores que buscam um retorno baseado em premissas éticas. A criação desta alternativa de financiamento estaria focada em uma rede que garantisse confiabilidade e segurança para o investidor, sendo a certificação o principal instrumento para esta etapa.

Os principais argumentos para investidores seriam a produção/extração sustentável, a participação e retorno às comunidades locais em projetos ou comercialização de produtos certificados. Entende-se que para tanto os objetivos a serem alcançados seriam as melhorias da qualidade de vida das comunidades locais através do incremento do emprego e renda, o estimulo do exercício da cidadania.

Os players da BECE seriam no mercado interno através de produtores, instituições proponentes de projetos, investidores e consumidores. No mercado externo seriam, investidores e consumidores.

 

CONCIÊNCIA PARA UMA EXPLORAÇÃO AGOECOLÓGICA = SAÚDE PARA O PLANETA E PARA A HUMANIDADE

 

Grupo II – PROJETO ERVA MATE E PLANTAS MEDICINAIS NO INTERIOR DA MATA ATLÂNTICA

O foco do projeto está em promover a produção de erva mate e plantas medicinais de forma sustentável, no interior da Mata Atlântica brasileira, captando recursos de eco-investidores nacionais e internacionais.

O sombreamento necessário ao desenvolvimento da erva mate, promovida pela cobertura vegetal da Mata Atlântica permite a obtenção de um produto de alta qualidade ao consumo, preservando da mesma forma toda a fauna e flora presente nesse ecossistema. A não aplicação de agrotóxicos, premissa fundamental desse projeto, gera um produto comercial que atende os anseios de uma clientela que busca produtos orgânicos, os quais estão dispostos a remunerar esse produto diferenciado.

A estratégia para o desenvolvimento do projeto contempla argumentos de convencimento aos investidores, tais como, a importância da preservação da Mata Atlântica, por fatores sociais e culturais, relativos a biodiversidade ( fauna e flora ) e a manutenção e aproveitamento sustentável das matrizes ambientais presentes nesse ecossistema. Outro argumento importante é o apelo emocional focando a integração homem – natureza, as relações afetivas associadas ao hábito de consumo e confraternização promovidos pelo do chimarrão e demais chás naturais, proporcionando às empresas o nome associado à preservação do ambiente.

Também são fatores relevantes na estratégia o uso de recurso naturais para manutenção da saúde e tratamento de enfermidades da população (medicina popular, pesquisas na área de fitoterapia..), a redução dos custos com gastos em saúde pública pelos órgãos governamentais, a possibilidade de geração de produtos comerciais ( bebida energética natural, sorvetes e refrigerantes à base de erva mate, etc...) e principalmente a associação de sua empresa a projetos que buscam a qualidade de vida no planeta.

Os argumentos de convencimento aos produtores estariam baseados no investimento de capital externo nos sistemas de produção, na preservação dos recursos naturais e maior qualidade de vida às populações, redução no êxodo rural, maior empregabilidade no campo e diversificação das fontes renda.

Os benefícios indiretos auferidos seriam a educação ambiental integrada, a produção coletiva, a melhora da saúde da população pela aporte de medicamentos com menor custo e a menor dependência da indústria farmacêutica baseada nos princípios da alopatia.

As lacunas a serem cobertas seriam o desenvolvimento de tecnologias de produção que maximizem a produtividade sem causar impactos na sustentabilidade dos sistemas e a geração de sistemas de certificação que avaliem e atestem a real condição de produção proposta pelo projeto inicial.

Os possíveis investidores identificados são Banco Mundial (BIRD), Worl Wildlife Foundation - WWF e demais entidades que tenham como princípio o investimento de capital em projeto que visem produção sustentável, gerando renda com o mínimo de impacto ambiental.

Ao investir em um sistema de produção sustentável com esse mantém-se a renda dos produtores rurais de áreas de desmatamento potencial, preservando diretamente a Mata Atlântica e sua biodiversidade.

Grupo III - CONSIDERAÇÕES RELATIVAS A CRIAÇÃO DA BECE – Brazilian Environment Commodities Exchange

O grupo entende que a proposta apresentada visa organizar um mercado de commodities ambientais, algo inédito, objetivando agrupar ações específicas e dispersas já existentes em algumas commodities. Tendo também o objetivo da criação de alternativas para as já conhecidas commodities agrícolas, direcionando-as para as commodities ambientais. Com isso ter-se-ia uma via alternativa e com agregação de valor para as commodities agrícolas.

Entende-se ser necessário, primeiramente, estabelecer conceitualmente a ação e o propósito da BECE, de maneira que as ações realizadas não sejam inócuas ou desviadas de seu real objetivo. Também nos parece importante a elaboração de algum Certificado que possa avalizar os trabalhos desenvolvidos pela BECE.

O trabalho de Marketing da BECE deverá buscar os sonhos do financiador estrangeiro. Resgatando atitudes que não foram efetivadas, como por exemplo, políticas de preservação ambiental dos ecossistemas, produção harmônica e auto-sustentável dos recursos naturais. Com isso esses financiadores e suas empresas ou instituições teriam reconhecimento e aumento da credibilidade de suas imagens.

Igualmente importante, deve-se trabalhar na imagem do produtor, como relevante agente na preservação do Ambiente, garantindo a continuação e desenvolvimento das sociedades urbanas. Importante também procurar a valorização do produto brasileiro, demonstrando o potencial do país para o abastecimento de importante fatia da população do globo terrestre.

Considerar o bem-estar social, no que diz respeito a preservação de populações rurais no seu habitat, a relação homem/natureza, a criação de fonte alternativa de renda, também contribuem como forte argumento de marketing a ser utilizado.

O grupo sentiu que as informações ainda são escassas, tendo em vista as mais diversas variáveis envolvidas neste processo. Acreditamos que o projeto estará bem encaminhado na medida que o Marketing desenvolvido levar em consideração as proposições aqui apresentadas.

Cremos que a busca de maior qualidade de vida passa fundamentalmente por conscientização e tomada de atitudes como essas. Em que ações visam uma maior interação de todos agentes da sociedade, sejam financeiros ou não, no desenvolvimento da nova "Sociedade-ambiental-sustentável".

Grupo IV

O grupo se preocupou, em primeiro lugar, com a credibilidade necessária para que o projeto tenha reconhecimento internacional. Para tanto, sugerimos uma parceria com alguma Organização Não Governamental, como WWF ou outra, buscando credibilidade, comprovando o não uso de defensivos agrícolas, mão de obra infantil, que o processo de produção é auto sustentável e não agride o meio ambiente.

Seriam necessárias normas de certificação, para comprovar a afirmação do parágrafo anterior, e, para tanto, seria necessário a formação de um conselho para criar tais normas, tendo representantes das classes envolvidas, como: CREA, CRMV, FARSUL, CRB, SINDECON, BECE, EMBRAPA, CNPq, representantes de grupos ambientalistas e outras entidades afins.

Inicialmente poderíamos deslanchar uma ação de marketing, através de Campanha de Valorização do Produtor Rural, perante toda a sociedade, mostrando as ações positivas que já existem dentro da cadeia do agribusiness, tendo a preservação ambiental entrelaçada com a produção de alimentos.

O convencimento da população se daria através da criação de um selo que garantiria a certificação dos processos. Como sugestão, poderíamos usar o termo "Amigo da Mata" ou, a nível internacional, "Rain Forest Friendly". Tal selo seria a garantia de que os produtos estariam gerando inúmeros benefícios para a comunidade, como geração de empregos, relação de equilíbrio com fauna e flora, combatendo o êxodo rural, não exploração do trabalho infantil, manutenção das matrizes ambientais, produtos mais saudáveis e conseqüentemente mundo mais saudável pela não agressão a natureza.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os trabalhos foram apresentados ao grande grupo e debatidos. Como pode-se observar existem focos diferentes nas apresentações, três grupos enfocam a estruturação da própria BECE, e outro foca diretamente uma operação, definindo produto e possíveis investidores. Todos os trabalhos convergem em alguns fatores intimamente relacionados, a confiabilidade das regras estabelecidas para os negócios e a necessidade de certificação dos produtos e projetos.

Importante também destacar que este debate coloca a questão do ambiente integrada com a discussão da qualidade de vida das pessoas envolvidas e também com externalidades que causam ações com este perfil, como por exemplo a redução do êxodo rural provocando a diminuição da pressão de ocupação nos espaços urbanos. Este diferencial, somando-se as questões de sustentabilidade dos ecossistemas naturais, poderia ser explorado mercadológicamente nas estratégias adotadas pela BECE.

Foram também levantadas questões relativas a opções de operação a ser desenvolvidas na BECE, com a integração de financiamento de projetos e posterior comercialização dos produtos oriundos destes em dois modelos de contratos. Os tópicos relativos a operações da BECE deverão ser mais desenvolvidos posteriormente face suas particularidades.

O que pode-se constatar é a necessidade de aprofundar o debate deste espaço de comercialização que possibilita a criação de sistemas com capacidade identificar e traduzir ao mercado valores de até então difícil mensuração monetária. Entendeu-se que a viabilidade da BECE estaria na habilidade de convergir os interesses de investidores e produtores em seu espaço de negócio.

Portanto a estruturação e efetivação da BECE deveria criar opções para investidores com interesse em questões de sustentabilidade ambiental, nas quais entende-se como inclusas questões sociais e propiciar aos produtores alternativas de financiamento de projetos e produtos que não comprometam os recursos naturais de seu entorno, melhorando a remuneração de seus negócios e da mão de obra empregada.

Percy Soares é coordenador da Proposta BECE- Brazilian Environment Commodities Exchange para o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica no Rio  Grande do Sul

Participaram deste brilhante trabalho!

AIRTON FRANÇA LANGE, ALEXANDRE PRATES MACHADO , DANIEL FAGUNDES SPERB, DARCY MACIEL COSTA, EDSON ROBERTO NETO ORTIZ- EDUARDO GIORGIS DE GODOY DIAS, EURICO FARIA DORNELES, FERNANDA MEURER BRUM, FERNANDO VISINTAINER CARVALHO, GEDEÃO AVANCINI PEREIRA,GELSO DAL"BELLO, HOMERO DE BONI JÚNIOR, JACQUES BRASIL DE SOUZA, JOÃO VICENTE GOMES JUSTO,JOSÉ EUCLIDES VIEIRA SEVERO,JOSÉ PERÓ JOB, KAREN FOSTER,LINO IVÂNIO HAMANN, LUCIANO ADALBERTO HENKES, MARCELO SANCHOTENE VAUCHER, MARCO AURÉLIO CHAGAS RUSCHEL, MARÚCIA APARECIDA DA CUNHA ORTIZ, MAURICIO CARDOSO BARCELLOS,  MIGUEL ANGELO MACHADO RIBEIRO, OCTAVIANO ALVES PEREIRA NETO, PAULO ROSSANO DUTRA DOS SANTOS, PERCY BAPTISTA SOARES NETO, RODRIGO TERRA VASQUES, STELLA ANGELA MARCHEZAN POZZOBON, UMBERTO CARLOS PIZZOLOTTO DE MORAES, VALTER RÜCKER, YARA BENTO PEREIRA SUÑE.

A professora/aluna Amyra está orgulhosa com o resultado dos trabalhos.

Parabéns a tod@s pelo excelente trabalho de equipe elaborado com percepção, com a compreensão do verdadeiro siginficado do conceito "Commodities Ambientais" na essência, e também pela valorosa contribuição, até por que  Ninguém faz nada sózinho!

Amyra El Khalili


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