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01042000002 - Environment Commodities - Porto Alegre - Revista Campo Aberto, Abril/Maio - A Versatilidade da Mandioca - Por Nelson Moreira - 26/07/00 08:15:15

Environment Commodities - Porto Alegre

Revista Campo Aberto

Abril/Maio

A Versatilidade da Mandioca

Por Nelson Moreira*

Produto é utilizado tanto na alimentação como na indústria.

Consumida como alimento energético por cerca de 500 milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento, a mandioca, macaxeira ou aipim, como é conhecida, também tem comprovada sua utilização na área industrial. Sua origem é na América do Sul, sendo que atualmente é produzida em mais de 80 países. O Brasil produz, segundo o IBGE, cerca de 19.809 milhões de toneladas, o que significa 15% da produção mundial.

No país, o plantio se distribui em todos os estados. Mas o maior produtor é o Pará, com 3.611 milhões de toneladas. O Paraná é o segundo maior produtor, com 3.350 milhões, e a Bahia, o terceiro, com 2.882 milhões de toneladas. Salvo algumas exceções, a grande maioria dos estados tem uma produção em pequenas áreas, muitas vezes de subsistência. Mesmo assim, a mandioca, que ocupa cerca de 1.586 milhão de hectares, situa-se entre os nove primeiros produtos agrícolas do país, em área cultivada e o sexto em valor de produção.

A cultura da mandioca é considerada uma das mais fáceis em termos de adaptação a climas e solos. O mandiocal deve ser instalado em áreas planas ou suavemente onduladas. É totalmente desaconselhável o plantio em solos sujeitos a encharcamento, pois pode provocar podridão das raízes. Também os excessivamente argilosos, porque impedem o desenvolvimento adequado das raízes tuberosas.

Com uma época de plantio bastante variada, dependendo da região, a mandioca necessita de uma boa adubação com base no fósforo pois permite uma resposta mais acentuada em termos de produtividade. A escolha adequada de cultivares vai também proporcionar o melhor resultado. Segundo recomendações dos pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas, Bahia, é extremamente importante que não se misture cultivares em uma mesma área de plantio.

Atualmente, são poucos os recursos de mecanização que podem ser utilizados no mandiocal. O plantio ainda é feito manualmente, pois não existem plantadeiras específicas. O que mais se utiliza, no caso, são os tratores para preparar o solo. Também na época de colheita o trator é importante ferramenta para carregar a produção até os caminhões.

O cultivo da mandioca, em muitas regiões, é feito em sistema de consórcio. Produtores se associam, arrendam terra e trabalham em conjunto, a fim de obter melhor resultado na produção e no lucro. Os pequenos produtores aproveitam o espaçamento proporcionado por outras culturas, como o milho, o feijão e o amendoim, para também plantarem a mandioca.

Capital da Mandioca – Paranavaí é um município que fica no noroeste do estado do Paraná, próximo a Maringá. A cidade é considerada, hoje, uma referência nacional em relação à cultura, e chamada de Capital da Mandioca. Segundo o agrônomo da Emater/PR, Antônio de Souza, a grande região de Paranavaí, que engloba 29 municípios, ocupa cerca de 43 mil hectares com a mandioca e tem uma média de produtividade em torno de 22 toneladas/ha. A média de área por produtor é de 80 hectares.

A região era um dos pólos de plantio de café. Com a mudança desta cultura para outros estados, os produtores encontraram na mandioca uma alternativa. Por causa da expansão desta atividade, um grande número de indústrias beneficiadoras se instalou no município. São cerca de 100 produtoras de farinha, das quais 20 a 30% em funcionamento durante todo o ano, e 20 fecularias e produtoras de amido.

Ivo Pierin Júnior é produtor e dono de uma fecularia em Paranavaí. Atualmente, planta cerca de 600 hectares com toda a tecnologia necessária. Na área que é de um ciclo (colheita um ano depois do plantio) a produtividade média é de 20 toneladas/há, e a de dois ciclos (colheita em dois verões, durante fevereiro), 35 toneladas/ha.

Na sua indústria, produz fécula in natura, amido modificado e farinha. Segundo diz, o Brasil produz em torno de 350 mil toneladas de fécula e 800 mil toneladas de farinha. Todo este volume é consumido no país e ele acredita que exista mercado potencial para crescer este consumo.

O produtor José Luiz Mataruco, do mesmo município, se diz satisfeito com os preços que estão sendo pagos hoje pela tonelada da mandioca: R$ 110 a 120,00. Sua produção está em torno de 30 toneladas por hectare, que tem um custo para implantação de R$ 700,00. "Mas este ano está diferente dos outros em termos de preço, porque nos últimos três anos a média foi de R$ 70 a 80 a tonelada", afirma.

José Luiz trabalha com outros irmãos os 240 hectares que destinam para o mandiocal. O plantio, para eles, vai de maio a outubro, e a colheita dura o ano inteiro, começando oito meses depois. A família Mataruco planta desde 1980, mas somente há oito anos é que resolveu investir mais forte nesta cultura. Para aumentar os ganhos, eles construíram uma beneficiadora que produz farinha. "Este é um negócio que também está dando retorno. Cada saca de 50kg é vendida por R$ 23,00", assinala satisfeito.

Produto polivalente – A mandioca é um produto que tem potencialidade de servir a diversos mercados. A parte aérea pode ser consumida in natura sob a forma de silagem, feno ou peletizada, pura ou misturada com outros alimentos, para alimentação animal. Para consumo humano, nos tradicionais e conhecidos produtos, que são a farinha, farofa ou o aipim. Existe ainda uma alternativa que vem crescendo a medida em que pesquisas sobre a utilização do amido modificado (subproduto da mandioca) são finalizadas, que é o caso de diversos setores da indústria. Atualmente, ele já é utilizado, por exemplo, nas indústrias de alimentação como espessante de cremes, tortas, pudins etc., na metalurgia, mineração, construção, cosmética, farmacêutica, papel e papelão, têxtil (engomar os tecidos) e várias outras. Em geral, seu papel é como elemento químico formador de ligas entre uma substância e outra. O que normalmente atrai os diversos setores da indústria para a utilização do amido da mandioca é o menor preço, comparado ao amido de milho, e também a disponibilidade de oferta o ano todo, o que já não acontece com o seu concorrente.

Recentemente, uma pesquisa que está sendo finalizada no Centro de Raízes e Amidos Tropicais, Cerat, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, de Botucatu, SP, descobriu que o amido da mandioca pode substituir os pratinhos de isopor e o farelo, as caixinhas de ovos. Corantes naturais são aplicados para dar melhor aspecto ao produto, mas a pesquisa aponta que um bom mercado a ser trabalhado é o de embalagem para os alimentos orgânicos, uma vez que os dois produtos são biodegradáveis.

Nelson C. da Cunha Moreira* é Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, há 13 anos atua no setor rural. É diretor da Agropress Agência de Comunicação, editor de agronegócio da revista Rural. É consultor de conteúdo de sites - email:  nmoreira@cpovo.net


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