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01066000001 - Environment Commoditeis - Biodiversidade - Revista Isto É - 10.Abril/2000 - Perigo real e imediato - Cientistas definem as 25 áreas que devem ser preservadas por reunir a maior diversidade de fauna e flora do mundo - Por Darlene Menconi

Environment Commoditeis - Biodiversidade
Revista Isto É - 10.Abril/2000

Perigo real e imediato - Cientistas definem as 25 áreas que devem ser preservadas por reunir a maior diversidade de fauna e flora do mundo

Por Darlene Menconi

Enfim uma boa notícia sobre Meio Ambiente. Bastaria preservar 1,4% da superfície do planeta para garantir a sobrevivência das mais ricas reservas de plantas e animais ameaçados de extinção. Nesse naco de terra espalhado pelos cinco continentes mora um de cada três animais vertebrados existentes no mundo, excluídos os peixes e os insetos. Quase metade (44%) das plantas e flores conhecidas também nasce e floresce nessas matas. São paraísos ecológicos que concentram as chamadas espécies endêmicas, que só existem ali e em mais nenhum outro lugar do mundo. Significa que a extinção de um animal ou planta típica da região não tem volta. E foi por isso que os ambientalistas resolveram estabelecer prioridades. Depois de três anos de pesquisas, 100 cientistas definiram os 25 pontos considerados críticos para a ecologia. Os hot spots, pontos quentes em inglês, demandam soluções urgentes para preservar o pouco que restou do verde.

São lugares onde o desmatamento eliminou mais de 70% das florestas. E é só por isso que o Brasil tem apenas dois pontos críticos: a Mata Atlântica, da qual restam 7,5%, e o Cerrado, com 20% de vegetação nativa. A Amazônia não entrou na lista por questão matemática. "O desmatamento não dizimou totalmente a mata, mas a Amazônia, a Bacia do Congo e a Ilha de Nova Guiné são as grandes áreas naturais da Terra e nossa próxima prioridade", explica Russell Mittermeier, presidente da Conservation International, patrocinadora do estudo. Biólogo naturalizado brasileiro, ele é um dos autores de Hot spots – As ecorregiões biologicamente mais ricas e mais ameaçadas da Terra, livro que mapeou os 25 pontos críticos de biodiversidade, um calhamaço de 430 páginas recheado de fotos belíssimas que custa R$ 80.

"A seleção levou em conta o endemismo, que é a existência de espécies exclusivas de cada região, o grau de devastação e de ameaça às espécies", resume Mittermeier. Representa uma área de 2,1 milhões de quilômetros quadrados, o tamanho da Arábia Saudita. É pouco se comparado com o que existia antes. As florestas tingiam de verde 17,4 milhões de quilômetros quadrados, ou 11,8% da superfície terrestre. "Impossível reverter a destruição, mas com US$ 500 milhões ao ano é possível ajudar a proteger os hot spots da biodiversidade", calcula Mittermeier.

Dentre os 25 pontos críticos, cinco regiões precisam de ação real e imediata: Madagáscar, com 9,9% de mata; Filipinas, onde restam 3%; Indonésia e ilhas vizinhas de Sumatra e Bornéu, com 7,8% de floresta; Mata Atlântica, com 7,5% da flora original; e Caribe, onde há 11,3% da vegetação natural. A Mata Atlântica, que margeia todo o litoral brasileiro, contém 20 mil plantas, sendo oito mil exclusivas da região. A floresta abriga 261 mamíferos, 620 aves, 200 répteis e 280 anfíbios. Seu morador mais ilustre é o mico-leão-dourado, que, aliás, continua ameaçado de extinção. "A reprodução em cativeiro foi bem-sucedida no Rio, mas não há evidência de que a população na natureza tenha aumentado", revela o biólogo Roberto Cavalcanti, diretor da Conservation International no Brasil. O sucessor do mico na campanha de preservação é o macaco-muriqui, maior primata depois do homem no continente americano. Existem apenas 1.158 bichos de cara preta, braços longos, que chegam a pesar 15 quilos e vivem isolados em 19 ilhas de florestas cercadas de asfalto ou fazendas agropecuárias.

Uma das surpresas do estudo, que mereceu a capa da revista científica Nature, foi a inclusão do Cerrado brasileiro entre as prioridades de conservação. Ali estão dez mil espécies de plantas, 4.400 delas não brotam em nenhum outro lugar do mundo. A espécie-símbolo é o buriti, ou Mauritia vinifera, que cresce nas margens umedecidas dos rios, nas veredas, trilhas poeirentas e áridas do sertão brasileiro descritas por João Guimarães Rosa em Grande sertão: veredas. Além de metade das plantas do Brasil, o Cerrado abriga animais únicos como o lobo-guará e o tamanduá-gigante. Na savana que cobre o coração do Brasil vivem 837 espécies de pássaros, 161 mamíferos, 120 répteis e 150 anfíbios, verdadeiro berço natural de vidas.

As regiões mais ameaçadas do planeta

REGIÕES

O que restou da mata original (km2)

Espécies de plantas

Diversidade de animais
Província Florística da Califórnia

80.000 (24,7%)

4.426

584
Caribe

29.840 (11,3%)

12.000

1.518
Mesoamérica

231.000 (20%)

24.000

2.859
Ilhas da Polinésia e Micronésia

10.024 (21,8%)

6.557

342
Chocó-Darién/Equador Ocidental

63.000 (24,2%)

9.000

1.625
Andes tropicais

314.500 (25%)

45.000

3.389
Chile Central

90.000 (30%)

3.429

335
Mata Atlântica

91.930 (7,5%)

20.000

1.361
Cerrado brasileiro

356.630 (20%)

10.000

1.268
Bacia do Mediterrâneo

110.000 (4,7%)

25.000

770
Florestas da Guiné/África Ocidental

26.500 (10%)

9.000

1.320
Região do Karoo das Plantas Suculentas

30.000 (26,8%)

4.849

472
Província Florística do Cabo

18.000 (24,3%)

8.200

562
Madagáscar e ilhas do Índico

59.038 (9,9%)

12.000

987
Montanhas do Arco Oriental, florestas da Tanzânia e Quênia

2.000 (6,7%)

4.000

1.019
Ghats Ocidentais (Índia) e Sri Lanka

12.450 (6,8%)

4.780

1.073
Cáucaso

50.000 (10%)

6.300

632
Região da Indo-Birmânia

100.000 (4,9%)

13.500

2.185
Montanhas do centro-sul da China

64.000 (8%)

12.000

1.141
Filipinas

9.023 (3%)

7.620

1.093
Indonésia

125.000 (7,8%)

25.000

1.800
Wallacea (Indonésia)

52.020 (15%)

10.000

1.142
Sudoeste da Austrália

33.336 (10,8%)

5.469

456
Nova Caledônia

5.200 (28%)

3.332

190
Nova Zelândia

59.400 (22%)

2.300

217

Total

2.122.891

287.762

28.340

Divulgado por :

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