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02000000002 - Space Commodities  - Gazeta Mercantil - Espírito Santo - Internet, Cidadania e Política - Por Fernando Antonio Dal Piero 10/08/00

Space Commodities 

Gazeta Mercantil - Espírito Santo

Internet, Cidadania e Política

Por Fernando Antonio Dal Piero*

Nos tempos de hoje é fato que podemos decidir fechar os olhos, tapar os ouvidos ou ainda passar semanas fechados em casa que não conseguiremos deixar de ouvir falar da Internet. Ou de alguma coisa que tenha a ver com a Internet. Através dos instrumentos possíveis, constantemente inventados, de um "populismo informático" a toda prova (como diz o designer argentino Tomás Maldonado) oferecem-nos produtos e vantagens, serviços e facilidades, coisas que parecem de ficção científica, mas que existem de fato, e outras, ainda mais estranhas, que estão programadas já para o "dia seguinte". E assim, pela verdade atual ou futura, inevitavelmente somos pegos pela onda "internáutica".

Mas essa "pujança" acaba moldando nas pessoas duas faces. Uma é a daquelas pessoas que aderem imediatamente aos novos processos e que, por vezes, deles se tornam dependentes. São indivíduos – homens mulheres ou crianças – para quem a evolução tecnológica se torna uma obsessão e vale por si mesma. Acreditam que a telemática resolverá as dificuldades advindas da "insociabilização" humana presente e até mesmo as suas questões pessoais. Talvez por isso a grande parte dos "navegadores" brasileiros seja de pessoas entre 17 e 26 anos, estando a grande maioria fora do mercado formal de trabalho.

O outro extremismo é protagonizado pelas pessoas a quem convencionamos chamar de "inforcéticos", que olham as novas máquinas e meios de comunicação com desconfiança, por vezes com ódio, precisamente porque elas perturbam o equilíbrio de um mundo que lhes custa ver mudar e, pior do que isso, porque se sentem afastados dessa mudança.

Penso que as duas atitudes encontram-se, fora de sintonia com o tempo. Para chegar a esta conclusão basta refletirmos um pouco sobre o possível papel da revolução informática frente as suas enormes possibilidades. Gastaríamos centenas de páginas de caprichada redação para apontar apenas algumas dessas variáveis. Neste artigo trataremos da possibilidade de uso da Internet no aperfeiçoamento da democracia e da cidadania. Para facilitar faremos apenas um resgate histórico da relação entre comunicação e atitudes políticas.

Analisando o comportamento dos fundamentalistas islâmicos, da Argélia ao Afeganistão, vimos que há muito eles elegeram as antenas parabólicas como alvos estratégicos para serem "desabilitados". Também constatamos que na China, o recente lançamento da Internet foi precedido da criação de uma instituição policial para a controlar metódicamente. Em Cuba, ainda a questão de poucos dias, um jornalista da revista Wired visitou um serviço público de informática, em Havana, no qual o único computador com acesso à rede se encontrava fechado a sete chaves e apenas podia ser usado na presença de um funcionário. Até mesmo nos Estados Unidos os setores mais conservadores tentam impor também fortes medidas restritivas ao uso desta tecnologia e é para controlar alguns dos seus conteúdos que o FBI tem milhares de agentes ligados em rede. Por tudo isso se conclui que os regimes – de qualquer inclinação – ainda hoje receiam uma comunicação que possa ficar ao dispor da livre escolha do cidadão. Aliás, sempre foi assim e não seria agora que as coisas poderiam ser de outra maneira. No caso da Internet têm sido até algo curioso verificar como muitas organizações, especialmente os partidos políticos, têm menosprezado as vastas possibilidades de debate, de crítica e aperfeiçoamento social que se pode alcançar com o uso da comunicação via Internet. No Brasil, chega-me a história de que algumas pessoas, "em nome da liberdade", pedem que outros mantenham o computador desligado o máximo de tempo imaginável. Mas, é chegado o momento de revermos os nossos comportamentos. Qualquer que seja o país que se esteja as pessoas estão no momento da escolha. A hora da verdade. Podemos agora navegar por mares ainda desconhecidos com todos os seus riscos e "descobrimentos" ou aceitarmos passivos a derrota antecipada imposta pelos setores que desconfiam do debate livre e da liberdade.

Evidente que a dependência dos indivíduos em relação às tecnologias – e em particular a esta, cada vez mais barata e de fácil acesso – carrega consigo grandes perigos. No caso da política partidária, aquela que algumas pessoas fazem visando elegerem-se a cargos públicos, a possibilidade da ocorrência de debates, em tempo real e sem limites de "tom", pode de fato fazer com que a personalidade individual passe despercebida no imenso mar dos "dados". Também é fato que qualquer um pode se dirigir a outros, protestar contra tudo e todos, lançar abaixo-assinados, contar anedotas de gregos ou troianos e até produzir um jornal eletrônico. Com certeza essa overdose de comunicação pode deixar o indivíduo confuso ou transformar em trivial aquilo que de fato é importante. Pior, pode até conduzi-lo, como reação a esta torrente, ao tédio e ao isolamento. No limite, pode mesmo levá-lo ao desinteresse pela atividade cívica que reconhecidamente se processa no ciberespaço e, depois, até mesmo por outras que são vividas no "mundo real".

Também é verdade que a desigualdade de condições pode existir: é mais fácil acessar a Internet á partir de uma capital brasileira do que das pequenas cidades interioranas. Essas são assimetrias que precisam ser corrigidas. Existe, porém uma dimensão de espaço democrático na rede que temos todas as vantagens em explorar. Por exemplo, a Internet é, por definição, um espaço de comunicação livre e relativamente barato, onde é possível uma expressão alternativa de opinião que completa ou vigia as formas habituais, mais institucionais ou fechadas ao debate efetivamente aberto. Utilizando a Internet, o cidadão pode em determinadas condições, afirmar uma opinião ou um protesto de uma forma bem mais eficaz, e até fundamentada, do que "correndo atrás" dos deputados nas galerias das Assembléias Legislativas ou do gerente do banco da esquina.

Entretanto, se para os adeptos da utilização da Internet estas possibilidades de comunicação são, sempre boas, os inforcéticos – especialmente se investidos em mandato político, criticam-nas sem contemplações. Estejam à direita ou à esquerda. Se à direita, esta se horroriza com este mundo em mudança, com o espectro, que lhe é insuportável, de se dar voz e de se espalhar saber sem controle, por toda a gente e em todas de partes. Por outro lado a esquerda horripila-se com as teias de uma globalização informática que estes processos determinam e que, "inevitavelmente", empurraria os povos e os cidadãos para os tentáculos de um capitalismo cada vez mais sem rosto.

Na verdade, esquecem ambos os "segmentos atores" que, na prática da cidadania exercida por via telemática, aquilo que as pessoas precisam assumir como atitude por meio da iniciativa própria e permanentemente reinventada é acabar com a desconfiança que deixa o terreno livre aos tais utilizadores frenéticos e aos seus céticos inimigos. É aprender, praticando, a separar o bom do mau, a usar permanentemente a crítica e a movimentar-se de acordo com objetivos e necessidades. É experimentando a possibilidade de uma globalização das causas e das demandas mais urgentes e importantes, que antes era praticamente impossível e encontrar uma solução comum. E será equilibrando toda essa prática que se levará até a sociedade a consciência do que máquina alguma pode imitar e que é, indiscutivelmente, o mais importante: o sempre indispensável contacto humano. Penso que assim, a Internet funcionará como instrumento, apenas mais um, embora simples e poderoso, de conhecimento e de liberdade. Quem sabe até possamos eleger os nossos candidatos trocando a incômoda fila nas urnas e o assédio de militantes pelo voto "internáutico" exercido sem esforço e de pijama.

Fernando Antonio Dal Piero* é professor no depto de Administração do Centro Superior de Vila Velha, ES -com diversos artigos e colunas publicadas nos jornais O Globo,Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Gazeta- ES, IOB, entre outros. email: email: fpiero@zaz.com.br fone 021 27 327 1518


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