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02000000005 - Space Commodities - Formando administradores na Sociedade do Conhecimento - Por Fernando A. Dal Piero 31/08/00

Space Commodities

Formando administradores na Sociedade do Conhecimento

Por Fernando A. Dal Piero*

A participação como ator importante no cenário internacional não ocorre simplesmente pela adoção do modelo econômico da moda e nem mesmo com a marcha de um projeto grandioso. Envolve toda uma transformação na maneira de prever os fatos econômicos, culturais, políticos, sociais e educativos e sobre eles agir de maneira que os acontecimentos venham ao encontro dos propósitos colimados. Exige pessoas qualificadas especialmente como administradoras, que tenham vivido em um ambiente educacional multidisciplinar que privilegie todas as questões importantes para "fazer a diferença".

Para atender a essas premissas, a maioria das sociedades incentiva os centros educacionais a proceder a uma revisão na problemática dos valores da educação, especialmente a educação que está configurada para formar administradores. Até porque, o campo de trabalho dos administradores se caracteriza por ser altamente competitivo, pois eles enfrentam uma situação em que competem tanto com os seus pares acadêmicos quanto com outros profissionais das demais áreas do conhecimento. Se um administrador não pode substituir um advogado ou engenheiro, estes podem fazê-lo, apenas para citar um exemplo.

Portanto, a decisão de revisar as práticas e métodos é a mais relevante decisão acadêmica dos tempos modernos. Depois que consideramos que a única via para que um indivíduo venha a aprender é a escola e que, para alcançar o reconhecimento formal de seus conhecimentos e habilidades, ele precisa cumprir determinados níveis ou ciclos de formação escolar – que implicam observar pré-requisitos, como idade, cursos e condição de ingresso, agora, pela primeira vez, começa-se a reconhecer e valorizar o fato de que as pessoas apreendem de diferentes modalidades, tempos e formas. Entretanto, ainda é freqüente ver que a docência que se pratica na educação superior – em qualquer país – privilegia a transmissão de conhecimento e não a investigação, a análise e a síntese. Da mesma forma, observa-se o predomínio do ensinar sobre o aprender. Enquanto ensinar é uma ação em que os professores mostram algo e, portanto, é ele o protagonista; apreender é a ação do estudante. Assim, só quando se fala em aprendizagem reconhece-se no aluno o papel de protagonista. Só quando alterarmos essa relação, estaremos criando e indo em direção aos novos paradigmas, muitos ainda nem totalmente conhecidos. Talvez um dos grandes obstáculos seja o fato de que o estudante é um ente passivo, mas, acreditamos que a sua passividade é decorrente da ausência de mecanismos que estimulem a sua criatividade, o seu espírito crítico e o interesse pela pesquisa. E isso não é de agora.

Em alguma ocasião do passado, Bernard Shaw, prêmio Nobel de Literatura, disse: "... minha educação foi interrompida por meus anos escolares".

Por qualquer ângulo que se observe, o fato que salta à vista é a exigência de se formar administradores que respondam positivamente às novas necessidades e tendências. Isso nos coloca – professores e instituições – diante de um desafio: o de revisar o paradigma da educação que há muitos anos vem sendo seguido.

No Brasil, especialmente em Vitória, algumas instituições saíram na frente. Para reconhecer isso, basta verificar alguns procedimentos comuns a todas que desejam indicar o futuro e cumprir o papel que escolheram. Se uma instituição oferece programas para a formação de administradores públicos e privados e uma seqüência de disciplinas que atendam às diversas áreas e especialidades, como marketing, finanças e recursos humanos, entre outras, isso é um indicativo favorável. Também é fato que, se, por um lado, na sociedade do conhecimento, tudo se transforma rapidamente, da mesma maneira o desenho pedagógico do curso deve atender às exigências de curto prazo. Assim, uma instituição que está atenta ao momento e cônscia da sua responsabilidade busca conquistar a autonomia universitária.

De maneira geral, o descrito até agora constitui a imagem-objetivo do novo perfil dos administradores e da instituição que vai formá-lo. Entretanto, para que não fiquem dúvidas de que esse é o caminho, trazemos algumas recomendações formuladas pela Comissão Internacional de Educação para o Século XXI da UNESCO. Desse documento se extrai que o novo administrador deve ter fortemente inculcados seis tipos de competências conforme explicitaremos a seguir:

- competências básicas, relativas ao domínio da linguagem e ao uso da tecnologia para análise de dados relevantes e pertinentes, domínio da matemática e das relações humanas bem como conhecimento e capacidade de valorizar a heurística e a semântica – já abordadas em outro artigo disponível, mediante solicitação a fpiero@zaz.com.br

- os centros de ensino devem permitir aos alunos receberem as competências conceituais, que vão levar as pessoas ao desenvolvimento das aptidões para identificar, interpretar e avaliar conceitos que propiciam uma base sólida sobre a origem e evolução do pensamento administrativo, assim como compreender o processo de transformação organizacional;

- todos os estudantes devem ter acesso a métodos e estudos que lhes permitam desenvolver as competências metodológicas, que são aquelas que fortalecem o domínio do método científico e as diferentes metodologias para os estudos dos problemas e dificuldades sociais, econômicas e humanas e que são utilizadas nas ações de planejamento participativo, diagnóstico e desenvolvimento organizacional, assim como para a consultoria, assessoramento e aplicação de planos de melhoria contínua dos resultados organizacionais;

- também é fundamental a prática de exercício que exija competências técnicas, que proporcionem os conhecimentos e desenvolvam habilidades para a aplicação de técnicas contábeis, financeiras, mercadológicas, de recursos humanos e de produção, assim como outras técnicas para avaliação de projetos de investimentos tanto na microeconomia quanto na macroeconomia. Importante frisar a necessidade de amplos e razoáveis conhecimentos sobre direito comercial, administrativo e do trabalho. Somente com essa bagagem o administrador estará apto a estudar, analisar e propor soluções às dificuldades diárias da tomada de decisão;

- já as competências para a compreensão dos problemas sociais e relativos à convivência com outras pessoas vão levar os indivíduos a terem aumentado a sua capacidade de trabalharem em equipe;

- no mundo que está em constante movimento, torna-se essencial desenvolver a competência para a investigação e a aprendizagem continuada. Essa competência inclina os seres humanos para a ação criativa, a motivação para aceitar e implementar a "destruição criadora".

A todas essas questões ainda acrescentamos que, no caso da administração, os docentes e acadêmicos precisam desenvolver com a comunidade – estudantes e sociedade – uma epistemologia própria, que seja útil para realimentar e validar o conhecimento e não seja afetada pelas outras ciências mais maduras.

De fato, somente a partir da decisão de seguir essas orientações, as Instituições podem pensar que estão avançando na direção de formar um administrador que responda às expectativas da sociedade, da economia e das organizações. O desafio que se impõe para o século XXI será oferecer um programa de licenciatura que atenda a esses interesses. Somente vencendo esse desafio poderemos contar com administradores eficazes e eficientes atuando na sociedade do conhecimento.

Fernando Antonio Dal Piero* é professor no depto de Administração do Centro Superior de Vila Velha, ES -com diversos artigos e colunas publicadas nos jornais O Globo,Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Gazeta- ES, IOB, entre outros. email: email: fpiero@zaz.com.br fone 021 27 327 1518

Artigos são revisados pela profª. Alina da Silva Bonella  Telefone 021 27 327 1518


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