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0201000002 - Space Commodities x Environment Commodities - Até onde cai a rastreabilidade? - Por Percy Soares 27/08/00

Space Commodities x Environment Commodities

Até onde cai a rastreabilidade?

Por Percy Soares*

O aumento da velocidade dos fluxos de informação e as inovações nas ferramentas de comunicação ocasionam importantes mudanças nos comportamentos dos diversos tipos de clientes. As decisões de compra tendem a ser balizadas por fatores muito anteriores a colocação dos produtos na prateleira. A preocupação com as atitudes de quem produz, considerando toda a cadeia, é um importante fator de agregação de valor para empresas, principalmente as que atuam na cadeia de agronegócios.

Associado a esta mudança nas condições de mercado, está a preocupação da população com a degradação do ambiente, incluindo os aspectos sociais e os relativos aos recursos naturais. Relacionar ambas tendências possibilita oferecer ao consumidor a possibilidade de tornar seu ato de compra uma parte de seu exercício de cidadania.

Portanto cabe fundamentalmente aos executivos da área mercadológica perceber a transformação tanto na necessidade do cliente em exercer mais a sua cidadania, quanto dos meios que a tecnologia dispõe para que as empresas disponibilizem informações, fazendo com que seus produtos possibilitem este exercício.

A rastreabilidade torna-se um fator competitivo com crescente importância, mas a garantia destes aspectos passa pelo processo de estabelecer uma relação de confiança com o mercado. Por exemplo, como garantir no site da empresa do interior do RS a forma de produção que o consumidor de São Paulo esta buscando para fazer de seu ato de compra daquele produto um exercício de cidadania?

O boom da cidadania tem demonstrado que os consumidores querem saber mais sobre o que consomem. No Rio Grande do Sul os casos das Cooperativa Coolmeia, Cooperativa Sitio Pé na Terra, Cae-it por exemplo, tem demonstrado que o cidadão está disposto a pagar por produtos produzidos com práticas ecológicas. Como estes seguramente existem inúmeros outros exemplos no país de experiências de produtores e grupos de produtores que encontraram neste nicho uma oportunidade.

A crescente degradação ambiental faz com que a rastreabilidade dos produtos vá além dos processos produtivos da cadeia do agronegócio, pois a dinâmica do ecossistema nos ensina que os insumos do ambiente poderão carregar consigo os riscos que o consumidor quer evitar. Nesta ótica os selos de denominação de origem poderão garantir, a partir da gestão de um espaço, as condições de uma região de ofertar produtos com qualidade incluindo aspectos ambientais e inseridos neste as questões sociais.

Possibilitar que a marca de um produto esteja associada a uma região com água limpa, matas nativas conservadas, com áreas de preservação ambiental próxima, manutenção do potencial dos solos sem adição de produtos agro-químicos, contenção de pragas pelo equilíbrio biológico, condições de saúde pública, emprego e renda e a não exportação de população para aumentar os cinturões de miséria dos centros urbanos, seguramente é uma estratégia e tanto.

Cabem aqui algumas reflexões. Como fazer para que a região que produzimos tenha estas condições e como mostrar aos nossos clientes ? De onde vem os impactos que influem nos insumos, nos processos produtivos e conseqüentemente nos produtos ? Como suportar os custos de transformar uma prática tradicional, para este novo modelo ambientalmente saudável ? Quem serão nossos parceiros na construção desta situação ? Como fazer, a partir deste esforço, para maximizar o resultado de todos os negócios da região agregando valor à partir das particularidades e tradições culturais ?

Áreas que apresentem boas condições ambientais, cada vez mais escassas, são focos de oportunidades, tanto para o desenvolvimento de produtos "ecológicos", que cumprem a função de atender um mercado crescente, quanto para exploração de turismo e de atividades com externalidades positivas para as demais regiões. Estas áreas tem também potencial para contemplar aparelhos de suporte à atividades educativas e de recreação.

Este tipo de proposta deverá estar baseado no incentivo ao estabelecimento de mecanismos de negociação entre os diversos atores da região, sendo instância Governamentais, setores produtivos, sociedade civil organizada e comunidade em geral. Somente com o estabelecimento desta negociação pode-se por em prática as ações que deverão garantir qualidade ambiental dos produtos e serviços ofertados pela região.

As instituições interessadas em atuar neste campo devem e tem a responsabilidade de considerar a população local ao construir suas propostas, sempre percebendo a limitação da capacidade de suporte do meio e a infra-estrutura básica necessária. As ações propostas no sentido de "desenvolver" uma região devem compreender que a riqueza e o fator de agregação de valor em espaços não comprometidos, está na manutenção de aspectos como a qualidade da água, a beleza cênica, o bem estar da população, a manutenção de práticas culturais, existência de matas nativas entre outros.

Trabalhar uma proposta que contemple estes aspectos passa pela consolidação dos processos de negociação que garantam, que todos estejam comprometidos e direcionem suas atividades para a manutenção dos fatores que agregam valor a produção e aos serviços locais. Hoje o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba, com sede em Porto Alegre, tem uma proposta que visa uma ação com estas características para uma de suas micro-bacias.

A micro-bacia do arroio Estância está situada ao lado do Parque Estadual de Itapuã, situado no Município de Viamão, uma importante área de preservação da Região Metropolitana de Porto Alegre. A região de Itapuã compreende duas vilas e área rural, o total de habitantes é estimado pela Prefeitura em 6.000 pessoas, encontrando-se ainda atividade industrial e áreas de mineração desativadas.

Esta região apresenta um importante potencial a ser explorado, além dos aspectos relacionados ao desenvolvimento regional relacionado com a manutenção da qualidade ambiental da região, também sobre o ponto de vista metodológico. Os resultados desta experiência, sejam quais forem, poderão nos ensinar e indicar caminhos, para serem reproduzias em outros locais.

No contexto de experiências como estas, a BECE - (Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais) deverá ser o ambiente para alavancangem destas iniciativas. Compreendendo valores até então não tangíveis e criando regras para que sejam transformados em resultados econômico-financeiros, tanto para investidores quanto para produtores. O desafio esta em construir o ambiente da BECE e possibilitar que estas experiências sejam multiplicadas em função de seus próprios resultados.

Percy Soares Neto, Especialista em Economia do Meio Ambiente pela Universidade de Alcalá de Henares Espanha, membro Instituto Anthropos uma ONG voltada ao estudo das Inter-relações Homem/Ambiente/Sociedade, como Secretario Executivo do Comitê de Gerenciamento do Lago Guaíba e enquanto Consultor no Plano Diretor do Programa Pró-Guaíba e junto a PUC-RS no desenvolvimento de um modelo de cobrança pelo uso da água e coordenador da proposta BECE no Rio Grande do Sul. email: pbsn@terra.com.br


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