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02060000001 - Space Commodities - Caxambu, MG - Festival Água no Terceiro Milênio - Dança pela Água em Missão de Paz - Por Ivanir de Oliveira 09/10/00

Space Commodities - Caxambu, MG

Festival Água no Terceiro  Milênio

Dança pela Água em Missão de Paz

Por Ivanir de Oliveira*

Nessa entrevista à jornalista Ivanir de Oliveira, a economista e diretora do  grupo de dança oriental El Khalili Belly Dance, Amyra El Khalili, explica o  significado do espetáculo que apresentará no Festival Água no Terceiro   Milênio, de 23 a 26 de novembro, em Caxambu, sul de Minas Gerais. Ela também   fala sobre as muitas atividades que desenvolve, como economista, em torno da   questão da água.

Ivanir: Amyra, qual é o espetáculo que vocês vão apresentar no Festival Água  no 3º Milênio?

Amyra: é um espetáculo voltado para contar  a estória dos povos beduínos,  que saem do Oriente Médio, dão a volta ao mundo em busca da água e de   riquezas, até chegarem no Brasil.

Ivanir: Como é o espetáculo?

Amyra: a apresentação consiste em um mix de danças folclóricas tradicionais  de vários países, é uma mistura das danças ocidental e oriental. É também um  relato da história de cada canto do mundo  em que os árabes e os povos  nômades foram se estabelecendo. Nós mostramos a influência que os povos da   Índia, do deserto e do Oriente Médio exercem sobre a cultura ocidental.

Ivanir: como surgiu o grupo El Khalili Belly Dance?

Amyra: é um grupo tradicional, com 20 anos de história, que foi fundado pela minha família e está ligado à tradição da tribo beduína El Khalili, de   minha avó. É uma tribo que tem cinco mil anos de história, de registro:   começou na Arábia Saudita, depois migrou para toda Jordânia, o Oriente Médio   e finalmente se estabeleceu na região da Palestina. Como é uma região de   muitos conflitos, o grupo trabalha com o objetivo de trazer a Paz. Os   principais motivos de guerra nessas regiões são a posse da água dos rios   Nilo e Jordão e o Petróleo, atualmente a grande fonte mundial de energia. Os   causadores da guerra são, de um lado, a escassez da água, e de outro o   excesso de petróleo, produto que comanda a economia mundial.

Ivanir: e como é essa mistura de ritmos e danças que vocês vão mostrar ao público?

Amyra -  um dos aspectos que nós vamos mostrar é que as próprias danças  brasileiras são de origem oriental. Há uma base oriental muito forte na   memória ancestral do povo e isso pode ser percebido tanto na cultura de   origem africana como na indígena.  Danças como o  maculelê, o afoxé, a  congada e aquelas que contam a história das cruzadas entre os muçulmanos e   os católicos são, na verdade, rituais que têm raízes no antigo mundo árabe.

A capoeira é um jogo islâmico de  danças, é uma mistura das tribos africanas  com as tribos árabes. Tudo isso é retratado em nosso show, de uma maneira  estética e sensitiva. Nós vamos mostrar que a maioria das danças e dos  ritmos tradicionais brasileiros têm a ver com a memória ancestral da  cultura. E que também o mambo, o cigano , o flamenco, mesmo o balé clássico  tem sangue árabe. A base da dança no mundo é a mesma base da dança oriental.

A dança do oriente - que aqui no Brasil é conhecida como dança do ventre,   um nome vulgar, que não gostamos de falar - tem três mil movimentos  possíveis de serem executados pelo corpo feminino. E o balé clássico se  origina disso.

Ivanir: e qual é o objetivo dessa apresentação?

Amyra: o objetivo é sensibilizar as pessoas para resgatar sua memória ancestral, que é a memória dos rituais, do culto aos recursos naturais, principalmente a água. Reverenciar a água e fazer uma reverëncia à vida.

Todas as danças começaram no mundo em torno de rios, de poços, de lagos, de  praias, em ilhas, como parte dos rituais de fertilidade, de agradecimento à  Vida, porque a água é a fonte da Vida.

Ivanir: você desenvolve outras atividades em torno da questão da água?

Amyra: Sou economista, especializada em commodities ambientais, ou seja,  mercadorias originadas de recursos naturais e em condições sustentáveis. As  sete matrizes são água, energia, minério, madeira, biodiversidade,  reciclagem e controle de emissão de poluentes. Esse é um trabalho pioneiro que estamos desenvolvendo no Brasil,  com o objetivo de valorizar os bens naturais que o país possui e fazer com  que pertençam ao povo brasileiro, evitando que caiam nas mãos de forças  transnacionais ou potências internacionais. Na verdade, as guerras no mundo  sempre se deram por causa de recursos naturais. Por exemplo, a guerra do  Kosovo. Quase ninguém sabe que o confronto surgiu por causa do plutônio, um  minério muito usado na indústria. A única mina de plutônio da Europa fica  justamente no Kosovo. O conflito nessa região, como em todas as outras, não  tem origem em problemas culturais, religiosos ou raciais, mas nas questões  econômicas. É também o caso  da guerra na faixa de Gaza, onde o ponto de  discórdia não é religioso, até porque se provou, cientificamente, que os semitas são um povo só. Judeus e árabes têm  uma genética consangüínea. Tanto é que os africanos são árabes também.

Ivanir: como você interliga suas atividades como dançarina e como economista?

Amyra: a  dança é a forma que encontrei para me equilibrar. Como  enconomista, trabalho com lideranças, lido com poderes e é preciso  estabilidade psicológica para administrar essas relações. Não podemos deixar  que a vaidade nos suba à cabeça, que a arrogância seja uma marca pessoal. Com a dança, eu me equilibro espiritualmente,  psicologicamente e também posso contribuir para o resgate moral. Eu lido com  assuntos eminentemente masculinos, estou em um universo comandado por homens  e por isso preciso buscar minha essência feminina. . Acho que o mal da  mulher ocidental é que ela esqueceu que é mulher. O fato dela ser uma líder,  de estar numa posição de executiva,  trabalhar fora, sustentar a casa e  cuidar dos filhos não pode significar um abandono de sua essência feminina.

A mulher também não pode deixar que seus valores sejam sufocados, amarrados  ou até agredidos, por causa dessa pressão da economia que existe no  ocidente. Na verdade, o Oriente trata mal as mulheres, mas não tão mal  quanto o Ocidente. As informações não são bem essas que aparecem na  imprensa.

Ivanir: como pessoa atuante no mercado financeiro, você acredita que a água  está se tornando um bem econômico muito precioso?

Amyra -  ela sempre foi.  O problema é que aqui, no Brasil, como tem demais,  isso não é muito claro. Costuma-se dizer que o iluminado é aquele que tem a  capacidade de enxergar o óbvio. E o óbvio é que nós temos a maior reserva de  água potável do mundo. A nossa água pode ajudar a  salvar as pessoas da  guerra. Porque a água é alimento, ela se reverte em comida. Comida é a  salvação do mundo. As pessoas estão passando fome, existem 6 bilhões de  pessoas no  mundo, a taxa é crescente. Cada vez há menos menos recursos e  mais gente consumindo, comendo e bebendo. A água é um bem econômico sim e  deve ser tratado como bem econômico, só que ela não pode estar nas mãos de grupos poderosos detentores do  poder. A água é poder. A informação sobre água é poder. Estamos tratando com uma arma de  guerra ou uma arma de Paz. Ela pode se tornar um instrumento de guerra  quando mal tratada, mal utilizada. E pode ser um instrumento de Paz quando  reverenciada, respeitada, bem tratada.  Nós, aqui no Brasil, temos água para  ajudar os africanos, os habitantes de Kosovo, para ajudar o povo do mundo.

Se você come um pedaço de pão sozinho, você vai se empanturrar e corre o  risco de que outras   quarenta pessoas famintas pulem em cima de você. Nós  vamos ter  que dividir nossa água com o mundo, isso é que os brasileiros têm  que entender. Se não for por amor, será pela dor.

Ivanir: e qual foi a motivação para o Grupo El Khalili Belly Dance se inscrever no Festival Água no 3º Milênio.?

Amyra: o tema tem a ver com nossas ansiedades, com nossos desejos, com o que  acreditamos. Nós também dirigimos uma Organização Não Governamental para  difusão da cultura árabe-brasileira. O Grupo é muito seletivo nos shows que  realiza, em função também de minha profissão. A gente tem um problema de  imagem perante o público, na área econômica. O Festival está, na realidade,  suprindo uma necessidade que acreditamos existir há muito tempo no Brasil. É  necessário haver eventos dessa natureza, com esse porte, com o objetivo de  apoiar os artistas e as manifestações culturais. O Governo brasileiro precisa entender que para fazer  conscientização e educação ambiental é necessário resgatar nossa memória ancestral de culto, que está enraizada na origem do povo brasileiro,  nas miscigenações. Do contrário, não será possível sensibilizar as pessoas  para que cuidem da água e a tratem com respeito. Essa postura não pode ser  obtida por pressão econômica, ela tem que vir de um desejo natural do  indivíduo, como ser espiritual. A pessoa precisa valorar primeiro a si mesmo. Se eu não trabalhar no sentido de dar valor à minha essência, à minha  auto-estima, se eu não defender a mim mesma, como é vou defender a Natureza?

Essa é a filosofia do Grupo El Khalili Belly Dance.

Ivanir de Oliveira é jornalista, e assessora de comunicação do Festival Agua no Terceiro Milênio - Boa Notícia Assessoria de Comunicação - boanoticia@hotmail.com e
Email:ivanir@hotmail.com

Mais informações sobre o Festival podem ser obtidas na homepage

www.issoai.com.br/festivalaguanoterceiromilenio  

ou pelo e-mail

festivalaguanoterceiromilenio@hotmail.com


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