02125000001 - Space Commodities - Coletânea Reflexões JMA - Editora Paulus - É possível ser Feliz (1) A felicidade vem de nós - Por Vilmar Berna 26/01/01

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Space Commodities - Coletânea Reflexões JMA
Editora Paulus

É possível ser Feliz (1) A felicidade vem de nós

Por Vilmar Berna*

"Todo aquele que estuda para chegar à iluminação, à contemplação do sagrado, devia começar perguntando a si mesmo quanto ama. Pois o amor é a força motriz da mente, que o tira do mundo e o inspira para o alto."

S.Gregório Magno

Preocupamo-nos com tantas outras coisas normalmente associadas a ter, possuir, como dinheiro, casa, carro, fama, poder etc., mas o prioritário para nós, de fato, deveria ser: como ser mais feliz? Como fazer os outros mais felizes?

O ser humano dispõe de tudo para fazer deste mundo o paraíso que deseja, mas prefere viver num inferno e acalentar a esperança de felicidade numa vida depois desta. Estamos perdendo o hábito de meditar sobre nossas vidas, sobre o que queremos. E preciso resgatar esse hábito se desejamos ser felizes, pois somos como um tipo de "lente" através da qual observamos a realidade, as outras pessoas e a nós mesmos. Se não nos conhecemos, se não tentamos nos superar diariamente, como podemos ter certeza de que nosso corpo não está nos iludindo com relação à realidade, aos sentimentos, às sensações?

O primeiro passo em busca da felicidade deveria ser a reflexão sobre nós próprios; nossos valores, preconceitos, certezas, medos, potencialidades e talentos, limitações e defeitos. Sócrates escreveu acima da porta de sua casa, onde ensinava filosofia aos discípulos: "Conhece-te a ti mesmo". Isso continua válido até hoje. Só nos conhecendo seremos mais capazes de conhecer melhor os outros e o mundo à nossa volta.

Comece refletindo sobre sua própria personalidade. Ela é como uma muralha a nos proteger do mundo. Só que esta muralha tem pontos fracos por onde a infelicidade consegue entrar: culpa, ambição, medo de ficar sem dinheiro (desempregado), raiva, ciúme, dependências medo do desconhecido e das mudanças, ressentimentos, preocupações etc. E uma lista muito grande de fraquezas que são capazes de nos levar à insegurança, angústia, ansiedade. Estes pontos fracos, no entanto, só se tornam um mal quando tomam conta de nossa vida e nos conduzem à autodestruição e á agressividade.

Mas eles têm seu lado positivo, pois é enfrentando-os que descobrimos novos caminhos e nos revelamos a nós próprios.

Sufocamo-nos tanto em preocupações, medos e preconceitos, que esquecemos de viver! "A vida é uma relação como mundo", disse Simone de Beauvoir. E escolhendo através do mundo que o indivíduo se define.

A felicidade que tanto queremos é uma conquista lenta de nosso interior feita por nós, através de nossa existência diária, ao mesmo tempo que lutamos por melhores condições de vida e bem-estar para nós próprios e para nossa família, e por uma sociedade mais justa, pacífica, fraterna e ecológica. São lutas interligadas. Não dá para ser feliz só depois que o mundo resolver os seus problemas. As mudanças necessárias na sociedade não ocorrerão de uma só vez, nem da noite para o dia, muito menos numa única geração. Esta é uma luta muito maior, que depende do esforço diário de cada um de nós, não só nesta geração como também nas que virão depois.

A maior dificuldade não está na superação das desigualdades sociais e econômicas, pois estas são só efeitos de causas como egoísmo, ambição, prepotência, agressividade, falta de solidariedade etc. Sementes de maldade presentes tanto nos que nos governam quanto em nós próprios. Se não formos capazes de melhorar enquanto indivíduos, também seremos incapazes de construir uma nova sociedade. Afinal, ninguém consegue dar o que não tem. Ninguém consegue fazer os outros felizes, sem ser feliz antes. Não se constrói um mundo mais justo, se somos injustos com aqueles que estão próximos de nós.

Por mais ricos ou pobres que sejamos, famosos ou anônimos, morreremos e apodreceremos do mesmo jeito. As pessoas seriam muito mais felizes se procurassem menos o acúmulo de bens, glórias, conhecimentos, juventude e mais uma vida natural, despreocupada. Infelizmente, nossa sociedade vai indo no caminho oposto. Esquecemos freqüentemente que somos hóspedes transitórios deste planeta e que, apesar de possuirmos algumas ações, não somos os donos da hipoteca.

Achamos mais cômodo acreditar numa vida depois desta, onde todas as injustiças serão castigadas e as justiças recompensadas. E mais, que esta vida de sofrimentos deve ser breve, a fim de poder ir gozar logo as delícias do além-mundo, abandonando todo e qualquer esforço de transformar esta vida no céu que se deseja.

É muito cômodo elaborar idéias engenhosas como estas, deixando na mão de deuses voluntariosos, do destino ou de governantes distantes, a condução de nossas vidas ou a solução dos problemas de nossa sociedade. Na verdade, podemos até fugir da realidade, mas não de nós próprios. Somos a soma de nossas decisões e escolhas. Tudo o que fazemos influi no nosso destino de uma maneira ou de outra. Somos os agentes de nossa felicidade e, com motivação e algum esforço, podemos até nos transformar no que quisermos.

Não nascemos feitos, como pode parecer, mas nos fazemos a cada minuto. O que deveria importar de fato é o hoje bem-vivido, afinal o ontem já passou e o amanhã ainda não veio. Parece perda de tempo sentirmos culpa pelo que não pudemos realizar ontem ou nos preocuparmos com o que deveremos fazer amanhã, pois só conseguimos viver um dia de cada vez e, se tivermos de ser felizes, não será num dia que ainda não vivemos — e que pode não chegar nunca —, mas hoje, só hoje.

Seria muito bom se pudéssemos, todos os dias quando acordássemos, dizer para nós mesmos ao nos olhar no espelho: vou viver um dia de cada vez e ser feliz hoje. Afinal, esta pode ser minha última chance de amar e ser feliz.

Podemos escolher ser livres ou permanecer acorrentados às expectativas alheias e às condições exteriores, às nossas deficiências, medos, dependências, ou podemos escolher ser fortes e ter coragem para começar a ser felizes. A felicidade só depende de nós e de mais ninguém.

Questão para reflexão

Você tem preferido reclamar de tudo e de todos, ou tem se esforçado em fazer a sua parte para mudar o mundo e melhorar como pessoa?

Vilmar Berna* é editor do Jornal do Meio Ambiente e foi o único brasileiro a receber em 1999 o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente. Tel/fax: (021) 610-7365 E-mail: vilmarberna@jornal-do-meio-ambiente.com.br

Este artigo é parte do Livro É possível ser Feliz que Rede CTA-UJGOIAS estará editando na íntegra de Vilmar Berna produzirdo já a uns 10 anos, na forma de livro pela Paulus e que já está na 3ª edição (traduzido para o espanhol, circula na América Latina, a partir da Venezuela, desde 1995) como parte da Coletânea Reflexões JMA - Jornal do Meio Ambiente.


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