02125000002 - Space Commodities - Coletânea Reflexões JMA - Editora Paulus - É possível ser Feliz (2) A natureza cria os prazeres, nós os excessos - Por Vilmar Berna 26/01/01

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Space Commodities - Coletânea Reflexões JMA
Editora Paulus

É possível ser Feliz (2) A natureza cria os prazeres, nós os excessos

Por Vilmar Berna*

"Existir é mudar, mudar é amadurecer, amadurecer é criar a si próprio infinitamente." Henri Bergson

Não é preciso um litro d'água para matar a sede: basta um ou dois copos. Se insistirmos em beber muita água, sentiremos dor no estômago. Ao confundirmos quantidade com qualidade, podemos sair perdendo.

Existe um movimento que rege todo o universo, no qual estamos incluídos. Parece inteligente procurar acompanhar este movimento em vez de viver lutando contra ele. Para compreendê-lo, precisamos exercitar nossa percepção e nos aproximar mais da natureza, pois é através dela que este movimento se manifesta.

Iremos perceber que a realidade não passa de uma ilusão, pois as coisas concretas que percebemos, como o chão, as pedras, os ventos, as águas etc., não passam de energia em permanente movimento. Tudo é feito de átomos e substâncias químicas resultantes da "arrumação" destes átomos, que estão sujeitos a forças invisíveis que regem todo o Universo. Einstein provou isso ao mostrar que a matéria nada mais é que energia em movimento.

Se tudo é movimento em torno de nós, cabe-nos perguntar para onde esse movimento nos leva. Para o contrário das coisas parece ser a resposta, como se o movimento fosse urna tendência para a negação do que é, para formar uma nova realidade e assim indefinidamente. Se a coisa é vida, o movimento a leva para a morte. Se é morte, pode determinar uma forma devida.

Veja o caso da maçã. Em seu processo de desenvolvimento ela encaminha-se para o seu contrário, isto é, a decomposição. A "morte" da maçã é a "vida" da semente. A "morte" da semente é a "vida" da planta que nasce dela. E assim sucessivamente. A planta se transforma em árvore, que frutifica gerando milhares de novas maçãs, até envelhecer e morrer, corno todo ser vivo. Não havia uma maçã, na verdade, mas um processo em permanente movimento. Só que, em nossa visão fragmentada da realidade, não conseguimos perceber a verdadeira realidade das coisas.

Este pequeno exemplo da maçã nos dá uma pista sobre a tendência em aspiral ascendente do movimento na natureza. Uma maçã no início do processo e milhares de maçãs no fim.

Além desta tendência para o alto, o movimento também possui ritmo de alternância, onde um estado está sendo sempre substituído por outro. Em nossa ilusão da realidade, não percebemos isso, e acabamos por nos agarrar a um dos estados sem perceber que ele não dura sempre. Nesse sentido, alegria alterna-se com tristeza, vida com morte, e assim sucessiva-mente. Por exemplo, não existe felicidade em que não ocorram momentos desagradáveis, mas sabemos que são efêmeros. Tanto os momentos felizes quanto os infelizes.

A Cabala, um livro da sabedoria oriental, ensina que "o ser humano deve ver que nada existe realmente, mas que tudo está nascendo, crescendo e morrendo. No instante em que alguma coisa atinge o seu auge, começa a decair. A lei do ritmo está em funcionamento constante. Não existe a realidade. Não há uma qualidade duradoura, fixidez ou substancialidade em nada. Nada é permanente, a não ser a mudança. O ser humano deve ver todas as coisas evoluindo de outras, levando-se a outras, uma ação e reação constante, fluxo e refluxo, construindo ou demolindo, criação e destruição, nascimento, crescimento e morte. Nada é real, e nada resiste a não ser a mudança".

O ser humano orgulha-se de ter dominado a natureza, mas o que ele fez foi escravizar-se a si próprio inibindo seus instintos e paixões numa luta inglória que, já de antemão, está fadada ao fracasso. Você pode inibir um instinto, mas ele nunca vai desaparecer e, o que é pior, nunca vai lhe dar paz.

Desde que temos uma natureza humana, falha ou não, parece de bom senso vivermos de acordo com ela. Afinal, não podemos fugir do que somos. As paixões e os instintos são, na sua origem, bons ou maus, mas que adianta ficar falando deles se eles continuarão a ser o que são? Por outro lado, devemos tomar o cuidado para que não nos escravizem, já que temos a tendência a prolongar os prazeres, criando os excessos.

Questões para reflexão

Examine seus instintos. Relacione-os e depois reflita sobre cada um deles. Procure observar no que eles têm ajudado você a tiver melhor. Examine sinceramente se são eles, seus instintos, que possuem você e o dominam, ou se é o contrário.

Vilmar Berna* é editor do Jornal do Meio Ambiente e foi o único brasileiro a receber em 1999 o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente. Tel/fax: (021) 610-7365 E-mail: vilmarberna@jornal-do-meio-ambiente.com.br

Este artigo é parte do Livro É possível ser Feliz que Rede CTA-UJGOIAS estará editando na íntegra de Vilmar Berna produzirdo já a uns 10 anos, na forma de livro pela Paulus e que já está na 3ª edição (traduzido para o espanhol, circula na América Latina, a partir da Venezuela, desde 1995) como parte da Coletânea Reflexões JMA - Jornal do Meio Ambiente.


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