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03000000002 - Environment Justice - A dívida que temos para com nossos índios - Por Gert Roland Fischer

Environment Justice

A dívida que temos para com nossos índios

Por Gert Roland Fischer*

Há anos me penalizo pelo abandono que nós brasileiros deixamos os nossos povos indígenas. Da minha convivência com esses legítimos proprietários do solo brasileiro, só tenho lembrança de tristezas e que me carregam um intenso peso de culpa pelas atrocidades perpetuadas por muitos de meus patrícios.

Na região de Ibirama em Santa Catarina, se localiza a reserva indígena Duque de Caxias, nome de um militar que nada se identifica com os indígenas e suas tradições, proprietários dum simbólico pedacinho de 14.000 ha. reservados e até recentemente, cobertos com uma das últimas reservas biológicas nativas do médio Vale da bacia do rio Itajaí.

Recentemente sim, pois até meados da década de oitenta, essa magnifica floresta servia de sustento às inúmeras famílias indígenas alí remanescentes, foi sendo paulatinamente dilapidada pela Funai em parceria com os madeireiros fortes da região. Das canelas pretas, das embuias, dos majestosos sassafraz, das perobas, das massarandubas, entre outras, hoje, nada mais resta. Foram surrupiados com a conivência e parceria laranja dos dirigentes da Funai na época, nada mais que um milhão, seiscentos e oitenta mil metros cúbicos de madeiras de lei da melhor qualidade. Na época o IBDF, (hoje o não mais existente legalmente IBAMA), nada poude fazer para proteger essas florestas que tinham como objetivo único manter em regime sustentado os povos indígenas que viviam da pesca, caça e de frutos silvestres.

Os madeireiros brancos para se apossarem dessa riqueza florestal autoctone, usaram os mais sórdidos estratagemas e artimanhas. " Casaram " alguns empregados das madeireiras com as índias da reserva. Ensinaram os índios a beber cachaça e a madeira se lhes foi comprada em troca do vício, enfraquecendo a tribo através da blenorragia, gripes, resfriados e o vício do álcool.

Para ridicularizar ainda mais o enfraquecido povo, doaram micro tratores para alguns caciques os quais em troca, permitiram a entrada dos rangers florestais e caminhões madeireiros nas reservas para surrupiar a riqueza que mantinha vivos os nativos. Houve tanto trator " doado " aos índios, que num dia festivo, em aluzão aos índios ou à floresta, foram programadas " corridas " de tratores pilotados por silvícolas embriagados. Os brancos se deliciavam com os acidentes da indiarada, que tombavam as máquinas por imperícia e pelas doses alcoólicas que lhes eram patrocinadas.

O saque dessa riqueza toda jamais poderia ter sido derrubada pois fazia parte da vida e cultura indígenas. Hoje presenciamos no local um solo desnudo, sob intenso processo de erosão, empobrecido e abandonado. O povo Caigange simplesmente perdeu a sua cultura, a sua identidade, adoeceu e foi totalmente corrompido.

O que realmente festejarão em seu dia 19 de Abril, DIA DO INDIO BRASILEIRO, os descendentes desses madeireiros de Ibirama que tanto mal fizeram às nações indígenas ?

Que culpa pesada não sobrecarregam seus descendentes hoje ?

Tal como os bandeirantes, barões do café e da cana-de-açucar, etc. esses catarinenses destruidores a qualquer custo das florestas nativas, devem se sentir provavelmente infelizes dentro das respectivas peles. Devem corar as faces certamente !

A história aos poucos vai deixando a hipocrisia de lado e levantando o tapete para mostrar toda a sujeira varrida nos últimos 500 anos para os novos cidadãos brasileiros.

Gert Roland Fischer é descendente de 4ª geração de imigrantes teutomagiares é engenheiro agrônomo orgânico, técnico especializado em Mata Atlântica e auditor ambiental certificado pelo Environmental Auditors Association Register sob n. 1162E no Reino Unido. email: gfischer@netville.com.br


"A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo"     Peter Drucker

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