Rede CTA-Consultant, Trader and Adviser
Pelo Desenvolvimento Limpo de um Novo Mercado Financeiro!
Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo
Rede - Sindecon Tel/Fax.: 3107.2035 - amyra@netdoctors.com.br


03027000001 - Environment Justice x Finance - Agricultores Familiares - Gert Roland Fischer

Agricultores Familiares

Gert Roland Fischer *

O Banco do Brasil está financiando agricultores familiares orgânicos em São Paulo, na região de Campinas. Conforme o Globo Rural de 02.04.00, vai financiar também no resto do país. Mas tem duas condições para que isso se torne viável: ter aprovado o financiamento pela AAO - Associação de Agricultores Orgânicos ou pela Instituto Biodinâmico de Botucatú. Vê-se daí, da pequena possibilidade que possam ocorrer financiamentos fora da área da região de Campinas e Botucatú, onde essas pioneiras instituições não governamentais atuam exemplarmente.

Tanto a AAO quanto o IBD, para assumirem tal responsabilidade limitante, deverão projetar o credenciamento de instituições, as quais também atuam exemplarmente na agricultura orgânica fora do eixo pioneiro.

Nossos avós e bisavós eram todos plantadores orgânicos e nunca precisaram de autorização de ninguém para plantar comida saudável sem qualquer tipo de veneno, mesmo por que não os havia. Portanto, a agilidade neste momento é crucial diante da expectativa que se vai criar diante das possibilidades de financiamento a juros que variam entre 5,5 e 8,5 % aa.

Em algumas regiões do Brasil como SC, RS e ES, a agricultura familiar amparada pelo cooperativismo, o eco²-turismo rural - eco de econômico e ecológico e uma legislação de apoio aos agricultores artezanais, já encontraram como proteger os filhos da terra do sistema de exclusão implantado há mais ou menos 50 anos. Naquele tempo o agricultor de Santa Catarina, para citar o exemplo de casa, podia vender galinhas vivas, ovos frescos de sua produção, leite, queijo, creme de leite, manteiga, pernil de porco defumado, doces de frutas, aipim, batata doce, compota de frutas, palmito, chucrut, entre outras iguarias.

Com a chegada das multinacionais dos alimentos e dos supermercados, os agricultores foram sendo marginalizados e proibidos de tudo. O poder econômico internacional passou a fazer pressões sobre os governantes os quais se dobraram e não tiveram a sensibilidade de notar o que estavam causando aos seus agricultores familiares. O êxodo rural foi catastrófico. As cidades incharam e a criminalidade estourou.

Algumas administrações municipais acordaram há mais de 5 anos para esse fato e criaram leis municipais de proteção a produção artezanal, isenção de impostos, incentivos técnicos, informação privilegiada, permissão para que pudessem vender seus produtos sem a borracha da policia sanitária, entre outras facilidades estratégicas.

Por outro lado essa produção organizada e sanitariamente bem mais evoluída, precisava ultrapassar as fronteiras municipais para concretizarem a comercialização de quantidades maiores. Foi nesse ponto que os Estados vieram em socorrero de seus agricultores familiares, valorizando o trabalho familiar e segurando esse povo no campo. O turismo ecológico e de compras rurais artezanais, muitas regiões desfrutam novamente da esperança por dias melhores que já chegaram em muitas estradas e vilas rurais.

É importante agora permitir aos agricultores para que possam expandir seus negócios a nível nacional. Deverão ser protegidos da burocracia e da corrupção. Esse caminho facilitará a competência, a qualidade de produtos sadios e limpos, chegando aos consumidores que os procuram. Sem os intermediários aos quais sempre se lhes facilitou tudo, os produtores familiares verão chegada da cidadania perdida. Serão novamente respeitados e incluídos economicamente.

Os exemplos brasileiros de agricultores familiares bem sucedidos, com rendas familiares passando dos R$ 4.000,00 por mês, estão servindo de modelo ao sistema que vai dar certo.

O grande perigo são políticos sem caráter e sem ética, que poderão adotar tais programas para suas campanhas de reeleição e desacreditar as conquistas já alcançadas.

(*) Gert Roland Fischer, é engenheiro agrônomo, associado fundador da AAO, agricultor orgânico "selo verde", auditor ambiental certificado e jornalista.  Reside em Joinville-SC e se comunica através do endereço gfischer.joi@zaz.com.br

[ Topo ]

UJGOIÁS - O Universo Jurídico