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03027000006 - Enviromment Justice - Finance x - A destruição da Mata Atlântica - Arthur Soffiati

27.05.2000

Environment Justice x Finance
27 de Maio - Dia da Mata Atlântica

A destruição da Mata Atlântica

 Por Arthur Soffiati*

Floresta, mata ou simplesmente mato para os colonos europeus, que não percebiam diferenças significativas entre a cobertura vegetal nativa da Serra do Mar, na costa atlântica, e a cobertura vegetal nativa que se estende na planície amazônica. O primeiro a tentar uma classificação dos ecossistemas vegetais nativos existentes nos limites territoriais do Brasil foi o naturalista alemão von Martius, em 1824, dando-lhes nomes da mitologia grega. A floresta atlântica recebeu o nome de Dryades. Alberto Sampaio colocou-a na flora extra-amazônica, chamando-a de zona das matas costeiras. Atualmente, os cientistas inclinam-se cada vez mais para a denominação "Domínio Atlântico", um complexo vegetacional agrupando formações diversas mas interligadas, como a floresta ombrófila densa atlântica (verde durante o ano todo), a floresta ombrófila mista (matas com forte presença de pinheiros), floresta ombrófila aberta (com a ocorrência marcante de palmeiras), floresta estacional semidecidual (que perde entre 20 e 50% das folhas na estação seca), floresta estacional decidual (nas quais mais de 50% das árvores, na estação seca, perdem suas folhas), manguezais, formações vegetais de restinga, campos de altitude, brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste.

Este complexo ou bioma (conjunto de ecossistemas interligados) espraiava-se por cerca de 1 milhão de km2 em 1500, o equivalente a 12% do atual território brasileiro. Os europeus, com seu antropocentrismo e utilitarismo, viram na mata atlântica um estoque de riquezas inertes e serem transformadas em dinheiro, um obstáculo a seus planos de expansão e um espaço a ser conquistado para a agropecuária. Vindos de um continente com escassez de terra e quase desprovido de suas florestas temperadas, consideraram eles que as florestas brasileiras eram inesgotáveis. Esta visão levou-os a uma atitude perdulária. Primeiro, foi a extração indiscriminada do pau-brasil para obtenção de tinta. O corte desta árvore implicava na destruição de enormes porções da floresta, sem que outras árvores derrubadas fossem aproveitadas.

Com a introdução da cana-de-açúcar, vastas áreas da mata foram suprimidas, principalmente com o uso do fogo. Este instrumento já era empregado pelos povos nativos, mas em pequena escala, para permitir uma agricultura de subsistência. Os portugueses, ao contrário, implantaram uma agricultura em larga escala para atender a economia de mercado, então em crescimento no mundo ocidental, seja para exportação, seja para consumo interno. A descoberta de ouro e pedras preciosas também deu significativa contribuição para abater a mata. Áreas de garimpo exigiam a remoção do revestimento vegetal e alteravam o regime dos rios que alimentavam a floresta. No século XIX, o cultivo do café foi particularmente danoso, pois exigiu a supressão das florestas ombrófilas densas de encosta, provocando um banho de erosão e de assoreamento. Hoje, sabe-se que o café se desenvolve melhor em cultivo de sombreamento, no sub-bosque, assim como o cacau. Considere-se ainda o próprio corte da floresta para fornecimento de matéria prima e energia.

Mas nenhum fator foi tão danoso quanto a urbanização. As maiores cidades do Brasil situam-se no domínio atlântico e concentram cerca de 80 milhões de habitantes. Assim, 93% do conjunto original foram suprimidos. O que parecia inesgotável reduziu-se a melancólicos 7%, distribuídos em manchas isoladas. As leis e as ações em defesa do Domínio Atlântico têm se revelado insuficientes para conter este processo de destruição, como o ecohistoriador norte-americano Warren Dean mostrou em seu livro A Ferro e Fogo. E, como se não bastasse, a bancada ruralista, no Congresso Nacional, deseja aplicar o golpe de morte em seus remanescentes, com uma reforma mesquinha do Código Florestal.

Arthur Soffiati é Professor da Universidade Federal Fluminense, historiador e autor de vários livros com diversos artigos editados email: soffiati@censa.com.br


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