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03027000018 - Environment Justice x Finance - Consumo de água - Por Sérgio Lapastina 23/07/00 09:02:16

Environment Justice x Finance -

Consumo de água

Por Sérgio Lapastina*

Não, já respondendo às perguntas: não, não é o suficiente.

O  padre Anchieta, ao fundar a província de São Paulo não imaginava que o local onde parou para descansar viria, em menos de 500 anos, se tornar uma das cinco maiores regiões econômicas, políticas, sociais, culturais e demográficas de todo o mundo.

Se  soubesse,  com toda a certeza, teria andado mais alguns quilômetros e não  parado  em  uma das regiões com menor disponibilidade hídrica do planeta.

Tudo  bem, sem querer execrar o pobre jesuíta, ele também não poderia imaginar tudo...

O  certo é que falando de Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) os 18  milhões  de  pessoas  que  atualmente  residem  onde  Anchieta  parou,  se dependessem   exclusivamente   dos   recursos   hídricos   naturais  para  seu abastecimento, estariam condenadas à extinção.

Em  recentes  levantamentos  da  ONU  e  da Organização Mundial da Saúde, chegou-se  a  um concenso de que uma pessoa precisa de cerca de 200 litros por dia  de água para satisfazer suas necessidades. Na RMSP esta disponibilidade é de aproximadamente 20 litros / habitante / dia.

A  Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento de água da região (seja operando  diretamente  o sistema de saneamento ou fornecendo água por atacado) produz 63 mil litros por segundo para esta gente. Deste total, 53% tem que ser importado  de outra bacia hidrográfica, em miúdos mais da metade da água que São  Paulo  consome tem que percorrer quilômetros para chegar até as torneiras das casas da população.

Tanto  trabalho  demanda  investimentos de não menos do que oito dígitos: somente  de  1995  a  1999,  foram  investidos cerca de R$ 70.000.000 no maior programa  de  abastecimento  público  da história: o Programa Metropolitano de Água.

Mas,  saindo  do  institucional,  esta  é a parte que cabe à Sabesp, como empresa  pública  e  que  tem  como  meta promover a qualidade de vida de seus clientes.  Qual  a  parte  que  cabe a estes clientes? A nós cidadãos que hoje andamos onde, um dia, Anchieta repousou.

Cabe lavar as calçadas com água potável, enquanto milhões convivem com um racionamento devido a falta de chuvas?

Cabe resfriar caldeiras com água potável, enquanto milhares tem que andar quilômetros atrás de poços?

Cabe  encher  baldes  e tonéis com medo da falta, enquanto centenas rezam para abrir a torneira e não escutar o som do vácuo?

Cabe  tomar  banhos  demorados,  escovar os dentes com a torneira aberta, enquanto dezenas mendigam uma gota para saciar a sede?

Cabe  lavar  o  carro  todos  os  finais de semana, enquanto muitos fazem promessas  e  olham  o  céu  azul,  imaginando-o  com nuvens para lavar a alma sofrida?

Hoje  se  consome  cada  gota  da  água produzida em São Paulo, a sobra é nenhuma.

       Fomos todos, sem exceção, educados aprendendo pela tia Norma (não vem que não  tem, todo mundo teve uma professora no primário chamada Norma ? você não, que  pena...)  que  o  Brasil  é  um verdadeiro paraíso das águas, que temos o precioso líquido para dar, vender, emprestar e que ainda ir sobrar muito.

O  que a tia Norma não sabia é que o Brasil realmente tem toda essa água, mas  que também é um exemplo internacional de contrastes: ou seja, enquanto na Amazônia temos água em excessiva abundância (com o perdão do pleonasmo) em São Paulo a água é produto raro.

Mas,  fomos assim educados e assim vivemos, dando a descarga com 30 ou 40 litros de água para limpar 100 ml de xixi.

O  dever  do  Estado  é  alterar  hábitos de consumo. Para isto lançam-se programas  como o Uso Racional da Água, o Reuso da Água para fins industriais, as campanhas de Pesquisa de Vazamentos, de Limpeza de Caixas D'Água, programas educacionais como o Chuá Chuágua e muitos outros.

Resultados? Alguns

O consumo diminui ? não; a consciência aumenta ? um pouco; corre-se menos risco de colapso ? não.

Qual  então  a  vantagem?  Se está apostando naquilo que muitos de nossos avós  diziam  quando  chegavam  em  casa em nos encontravam com a tv ligada, o disco na vitrola e o abajur aceso ao meio dia: Pô, eu não sou sócio da Light!

Com certeza, ao chegarem em casa, daqui a 50, 60 anos, nossos filhos irão encontrar seus netos com a torneira aberta irão exclamar: Pô, eu não sou sócio da Sabesp!

Sérgio Lapastina, é jornalista, pós-graduado em Planejamento de Marketing pela ESPM e em Comunicação de Marketing pela FAM. É Analista de Comunicação da Sabesp, participa da equipe de redação da Revista Ligação, com artigos publicados sobre Gestão do Conhecimento, Inovação e Criatividade  - email: slapastina@sabesp.com.br

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