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03027000019 - Environment Justice x Finance - Patagon.Com - www.patagon.com.br - Água, a commodity do próximo século - Por Sérgio Santos 24/07/00 04:52:57

Environment Justice x Finance
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Água, a commodity do próximo século

Por Sérgio Santos*

Uma forma de fazer prognósticos para o terceiro milênio é examinar nosso relacionamento com o ecossistema aquático. As sociedades humanas, apesar de diversificadas em termos de cultura e desenvolvimento, não foram capazes criar tecnologias de proteção à Natureza. A partir da segunda metade desse século, a urbanização e industrialização iniciaram um processo de poluição dos rios e lagoas, não escapando sequer os grandes sistemas hídricos da Amazônia, empobrecendo sua biodiversidade.

Estudos realizados pelos organismos mundiais como Unesco, FAO e Organizações Não Governamentais - ONGs, mostram que humanidade começa a se preocupar com a questão da água potável no mundo. Principalmente porque num prazo máximo de 25 anos os recursos hídricos potáveis se tornarão um produto raro.

No planeta inteiro, 97,2% da água do planeta faz parte dos oceanos, 2,15% está na forma sólida nas geleiras das regiões ártica e antártica, 0,63% em rios subterrâneos e apenas 0,02% está em cursos d"água superficiais, que certamente serão disputados agressivamente pelos 6 bilhões de habitantes, com possibilidade desse número dobrar nos próximos quarenta anos, conforme as previsões da ONU.

Da água potável disponível no mundo, 8% encontra-se nas bacias hidrográficas brasileiras, ou seja, de cada 1 milhão de litros de água do planeta, 200 litros são de água potável e 16 litros estão no Brasil. Desta maneira, é possível imaginar as atenções mundiais voltadas para o Brasil visando toda sorte de exploração econômica, perigosamente irracional e predatória.

Apesar do enfoque alarmista, há muito tempo os grupos ambientalistas vêm anunciando a extinção dos recursos hídricos e que, ao contrário de outros recursos naturais classificados como renováveis, a água é finita. E se as fontes de água secarem, os efeitos serão extremamente danosos. As questões estão basicamente relacionadas com a quantidade ou com a qualidade da água. Se os agricultores usam agrotóxicos, há chances de que as chuvas levem substâncias tóxicas para os reservatórios que abastecem as cidades, provocando sérios resultados. Se, ao contrário, houver cidades antes de áreas rurais, a falta de tratamento do esgoto doméstico e industrial prejudica a qualidade da água que o produtor usa na irrigação, produzindo ciclos de doenças.

A água é o único bem econômico de acesso livre. Se tornando um bem precioso, gerará uma grande disputa pela sua posse como no Oriente Médio, em que a escassez de água já causa instabilidades políticas e a perspectiva de intensificação de guerras pela "posse da água" não é desprezível. Na Jordânia, cada habitante tem acesso a cerca de 85 litros de água por dia, enquanto os americanos utilizam 600 litros. Israel, Jordânia e os palestinos juntos, demandam 3,2 bilhões de metros cúbicos de água, mas a média das chuvas anuais na região não supera 2,5 bilhões de metros cúbicos. Os 700 milhões restantes são retirados de reservas subterrâneas, sem condições de renovação.

A poluição é um caso grave. Primeiramente, o grande poluidor das águas são os governos locais, que deveriam estar tratando o esgoto de suas cidade antes do despejo. Em segundo lugar, a agroindústria acaba por contaminá-la com o uso desordenado de defensivos e agrotóxicos. Outros agentes poluidores são as mineradoras e, por último, a indústria, com a emissão de seus efluentes tóxicos. Todos se utilizando da água para impulsionar suas atividades, sem no entanto, devolverem-na nas mesmas condições de qualidade quando captada.

A água também não pode ser vista apenas como uma commodity industrial, sem que se pense na proteção dos mananciais. Não se pode simplesmente dividir a água entre os diferentes usos humanos e esquecer que a natureza também depende dela e que a proteção aos ecossistemas é fundamental para a manutenção dos recursos hídricos. É necessária uma mudança radical na forma como os recursos hídricos são utilizados, sob o risco de caminharmos aceleradamente para um desastre global e apenas discutir a gestão da água quando há emergências, como o caso da região de Everglades na Flórida, EUA, onde o governo americano investiu cerca de US$ 300 milhões para fazer o Rio Shark voltar a correr através do pântano, que filtrava naturalmente suas águas. O sistema Everglades abastece 4 milhões de pessoas na região de Miami, onde a qualidade da água é considerada uma das piores do país, justamente porque a drenagem para agricultura eliminou o filtro natural.

Outro exemplo é o do Rio Yang-Tse, na China, que corria através de um complexo sistema de lagos e várzeas, drenados e modificados para uso agrícola. As modificações são a causa das inundações, que tem desalojados milhões de chineses todos os anos nas margens do Yang-Tse. O governo chinês também está investindo pesado na reversão das drenagens e reabertura dos lagos para conter a força das águas nas enchentes.

Além dos eventos que permitem a troca de informações, existem projetos sendo realizados em todo mundo no sentido de testar as teorias e implementar novas ferramentas. Esses experimentos são patrocinados pelos próprios governos, muitas vezes com apoios externos, de organizações mundiais ou da iniciativa privada, o que é uma tendência em ascensão. Entretanto, todo esforço feito até o momento ainda é muito pequeno comparado ao quadro que se anuncia. Um desse casos de sucesso que tem sido apontado é a dessalinização da água do mar que vem sendo utilizada em países do Oriente Médio e também nas ilhas do Caribe. É um processo caro, mas há casos em que é a única maneira de se ter água potável. Há países que estão tratando o esgoto para beber e outros tentando guardar toda água de chuva que podem para o período das secas.

* Sérgio Santos, articulista da PATAGON.COM, é economista e professor da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). É formado em economia e pós-graduado em finanças pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ).email:ssantos@bmf.com.br

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