Lgcta2.gif (7527 bytes)

 

Rede CTA-Consultant, Trader and Adviser
Pelo Desenvolvimento Limpo de um Novo Mercado Financeiro!
Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo
Rede - Sindecon Tel/Fax.: 3107.2035 - amyra@netdoctors.com.br


03027000020 - Environment Justice x Finance -  Série "A Doença do Racismo" [4] - Jornal do Brasil - 12 /maio/2.000 - O racismo comprovado em números 24/07/00 08:19:38

Environment Justice x Finance
 Série "A Doença do Racismo" [4]
Jornal do Brasil - 12 /maio/2.000

O racismo comprovado em números

93% reconhecem preconceito nos  outros e só 12% em si mesmos

Por LENA FRIAS

Na véspera do 13 de Maio, 112 anos depois da Abolição da Escravatura, um  estudo do Núcleo de Pesquisa e Informação da Universidade Federal Fluminense  (DataUFF) - Relações Raciais no Estado do Rio - confirma o que o Brasil  sempre tentou negar: somos um país racista. Quem atesta são os 93% dos   entrevistados em todo o Estado do Rio que admitiram a existência de racismo   contra os negros no país. A abrangência das conclusões da pesquisa -   financiada pela Fundação Ford sob encomenda do Centro de Articulação de   Populações Marginalizadas (Ceap), do Rio - é afiançada por quem fez o   trabalho. "Respeitadas as diferenças regionais, o Rio é uma amostra e caixa   de ressonância do país", explica Zairo Borges Cheibub, um dos coordenadores.

Um sinal que reforça essa estatística impressionante é a avaliação da  convivência entre negros e brancos, que, embora pareça, não é nada cordial:  77% identificam conflitos, sobretudo no ambiente de trabalho, onde   competição é a tônica. A culpa pode ser do fato de "brancos não gostarem dos  negros", segundo 32%, ou de "os negros quererem as mesmas condições dos  brancos", para 46%.

"Essa resposta reflete o pensamento de um setor da sociedade, para quem o  negro é inferior e não tem que ter os mesmos direitos dos brancos. Esse  segmento se sente agredido quando os negros reivindicam as mesmas   condições", denuncia Ivanir dos Santos, presidente do Ceap. Também é   significativo que 50% dos entrevistados repeliriam um chefe de cor preta.   "São duas respostas que se completam". Mais significativo ainda: 58%   desaprovariam o casamento de um parente com pessoa de cor preta.

Mas reconhecer o racismo está longe de assumi-lo. Assim, os mesmos  entrevistados que reconhecem a situação no geral, a negam, entretanto, em particular: 87% afirmam "não ter qualquer preconceito de cor". Do restante,   11% admitem "um pouco" de preconceito e apenas 1% declara ter "muito   preconceito".  Assumido ou não, o racismo acaba surgindo na pesquisa em tintas nem sempre  visíveis à flor da pele. É o caso de uma avaliação preocupante da questão,  segundo a qual uma significativa porcentagem dos entrevistados considera a  raça negra menos evoluída. Para 45%, os negros têm condições piores do que  os brancos porque a escravidão ainda pesa.

Sintoma - A maioria jamais votou em político negro. Poderia votar, mas acha  que ser negro atrapalha as pretensões eleitorais de um candidato. "A cor da  pele acaba sendo sintoma do que se construiu de autoritário e preconceituoso  na cultura e na história brasileira. Mas, do ponto de vista do avanço da  democracia e do respeito e valorização das diferenças, uma candidatura negra  também pode se fortalecer", analisa o militante político Adair Rocha.

O levantamento denuncia a óbvia relação entre racismo e discriminação  social: a maior parte dos entrevistados afirma que "o negro, quando ganha  dinheiro, quer parecer branco e esquecer suas origens". Para Ivanir dos  Santos, a pesquisa "denuncia o racismo e mostra a necessidade de políticas  de ação afirmativa ou discriminação positiva que beneficiem a população  negra no mercado de trabalho, na educação, na participação política".

Os resultados serão apresentados no congresso internacional sobre racismo  que a ONU realizará em 2001, na África do Sul. E servirão de instrumento de  pressão na luta do movimento negro pela implantação no Brasil de políticas  de ação afirmativa, ou "discriminação positiva", na avaliação do Ceap.

Exemplos dessa ação seriam reservas de cotas para negros no ensino e no  mercado de trabalho.

Hábito - A jornalista negra Salete Lisboa observa que é preciso haver  consciência clara da discriminação, admitida por 93%. Já a dificuldade de  convivência no trabalho (reconhecida por 77%) traduziria falta de hábito.

"As pessoas não estão acostumadas a ver um negro em ascensão, em lugar de  destaque. Cria desconforto", diz Salete.

Na investigação da DataUFF-Ceap, no entanto, alguns resultados surpreendem  pelas contradições: 50% acham que o governo tem obrigação especial com os  negros, contra 47% que acham que não; 50% por cento defendem cotas de vagas  para negros nas universidades públicas, 50% advogam reserva na representação  política, 45% concordam muito com a reserva de vagas em bons empregos e 61%  defendem reserva para negros em comerciais de TV. Quando cruzado com a faixa  de escolaridade, esse resultado surpreende: 93% dos entrevistados com curso   superior são contra a reserva de vagas nas universidades públicas.

A pesquisa perguntou, ainda, como os entrevistados se vêem e que cor  escolheriam. Sintomaticamente, diante dos outros números, no primeiro item a  maior parte, mesmo entre os negros, prefere considerar-se morena. Já se  pudessem determinar sua cor, só 3% escolheriam ser pretos e apenas 7%,   brancos. 

"Sociedade desqualifica negro"

O escritor e compositor Nei Lopes observa que "uma das estratégias mais  bem-sucedidas do racismo brasileiro é a invisibilização do negro". Registra  ainda que "a força persuasiva da opinião do negro na sociedade, até mesmo  nos assuntos que nos são diretamente afetos, é nenhuma". A visão do mulato  Nei Lopes, para quem "a sociedade brasileira desqualifica a opinião do  negro", aproxima-se da visão do geógrafo Milton Santos, um dos mais  respeitados pensadores do país. Que, talvez por isso mesmo, prefira nem se  pronunciar: "Não vejo sentido em falar sobre esse assunto." Admite, porém,  que questões concernentes ao negro, como a política de ação afirmativa,  requerem muito debate, inclusive político, para que se busquem soluções e  modelos brasileiros.

Modelos criativos não faltam. Um deles é Robenildo Quintino Alves, o Pelé da Praia. "Embora não possa vencer facilmente o racismo, o negro pode vencer o  preconceito, que é quebrado quando se alcança o poder econômico."

Camelô - Pelé da Praia começou a batalha vendendo panela na rua. Ainda  menino, ajudava o pai a vender biscoito na praia. Hoje é um personagem  carioca: um vitorioso camelô de areia no Posto 9, em Ipanema, onde montou uma fabulosa estrutura de serviços para 4.500 clientes cadastrados, que   inclui acesso à internet.

Pelé da Praia passou por todas as dificuldades e discriminações que sofre  uma pessoa negra de origem humilde, mas jamais se entregou. Vendendo  biscoitos formou-se em educação física e também dá aulas de ginástica na  areia. "Acho que o negro não deve ficar só reclamando, mas ir à luta,  impor-se pela competência, estabelecer o seu espaço."

Editor - Ir à luta e ousar foi o que fez o paulista Aroldo Macedo, criador  da sofisticada revista Raça Brasil, fundada há três anos e dirigida à classe  média negra, um contingente estimado em 7,5 milhões de pessoas com renda  mensal média de R$ 3 mil que nunca se vira refletida num produto editorial  de qualidade. Aroldo criou também a primeira heroína preta de revista em   quadrinhos, que breve chegará às bancas. "A revista ajudou na descoberta e   na visibilidade da classe média negra. Mas ainda é muito pouco em relação   aos 59% de população negra no Brasil."

Para o criador da Raça Brasil, a discriminação é extremamente eficiente,  porque adota a política de exceção. O professor Milton Santos é citado como  o grande intelectual negro, enquanto Glória Maria é vista como uma  personalidade televisiva. "Fica-se na exceção, no exemplo individual e o  conjunto da comunidade negra não avança como um todo."

Escritor - O escritor e produtor artístico Haroldo Costa acha impróprio  falar em ascensão da classe média negra. "O que existe é uma ascensão do  negro na classe média. Descobriu-se que o negro é consumidor e a publicidade  rendeu-se à evidência." O que a Raça Brasil confirma: a revista tem o maior  faturamento de publicidade entre as 12 publicações da editora paulista.

Símbolo - Esse exemplo de sucesso publicitário ainda é uma exceção. O ator Milton  Cobra, presidente do Centro Cultural José Bonifácio, no Rio, ressente-se da  dificuldade em obter apoios e patrocínios de empresas para projetos  culturais que envolvam o negro. Entre os 12 módulos que compõem a   prestigiada Mostra do Redescobrimento - Brasil 500 anos, em São Paulo, só   dois não obtiveram patrocínio de empresas. Um foi a exposição Negro de corpo   e alma.

"Não quero propor que seja por preconceito", diz o curador da exposição,  professor Emanoel Araújo, diretor da Pinacoteca de São Paulo. "Mas é sempre  mais difícil o patrocínio para exposições que reivindicam ou denunciam certas questões. Como essa do negro, que trata exatamente da representação,  do olhar de fora, da linguagem e do significado do corpo negro e da alma  negra." (L.F.)

Metodologia

 Foram 1.172 entrevistas domiciliares, em todo o estado - capital, Região  Metropolitana, Baixada Fluminense e interior, em sete meses de trabalho,  encerrado há uma semana. O Rio de Janeiro foi dividido em cinco regiões de  amostragem, de acordo com dados de contagem de população do IBGE. No   município do Rio, a estratificação de setores foi feita pelo IPTU. Nas   demais regiões, a base foi o PIB per capita e a escolaridade do chefe do   domicílio. A margem de erro é de 3 pontos percentuais. De acordo com seus   diretores, Alberto Carlos Almeida e Zairo Borges Cheibub, a pesquisa do   DataUFF, financiada pela Fundação Ford - com US$ 60 mil, cerca de R$ 108 mil   - é a primeira sobre esse tema com amostra probabilística e domiciliar. Já   houve no Brasil pesquisa sobre preconceito racial, mas feita na rua.

http://ww9.terra.com.br/istoe/capa/140506.htm


ISTOÉ, - 4/Set/de 1996

O fim do mito

Cleni e Ronaldo, pais de Luciano: tido como ladrão de bicicleta, o rapaz morreu com a nota fiscal no bolso.

A violência urbana é outro débito que cai na conta dos negros. No entanto, nem sempre é ele o principal personagem desta cena. O censo do sistema carcerário do Estado de São Paulo de 1995, por exemplo, mostra que do total de presos, 55% são brancos e 40% são negros ou mulatos. Mas em todo o País eles são vítimas de acusações ou perseguições, mesmo sem motivos. Foi o que aconteceu com o digitador gaúcho Luciano Soares Ribeiro, de 19 anos. No dia 17 de junho, ele passeava de bicicleta no município de Canoas, próximo a Porto Alegre, quando foi atropelado por Rogério Ferreira Pansera, que dirigia um BMW. Pansera não só deixou de socorrer o rapaz como justificou o ato alegando ter atropelado um negro que conduzia uma bicicleta roubada. Socorrido por duas pessoas que passavam no local, Ribeiro foi levado para o Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. Ao chegar ao hospital quatro horas depois do acidente, a mãe do rapaz, Cleni Soares Ribeiro, soube pelo neurologista Antônio Carlos Marrone que nada tinha sido feito porque havia suspeita de se tratar de um marginal. Não se sabia quem iria pagar a conta. Dois dias depois, Ribeiro morreu vítima de traumatismo craniano. "Perdi um filho atropelado por um delinquente de trânsito racista", diz o pai do rapaz, o químico Ronaldo Ribeiro. Outro absurdo da história é que, acostumados a discriminações, os pais sempre aconselharam o rapaz a andar com a nota fiscal da bicicleta no bolso. Quando foi atropelado, ele tinha os documentos e a nota fiscal. Se fosse examinado, poderia estar vivo. Tanto o hospital quanto o motorista que matou Ribeiro continuam a exercer suas atividades.

Depoimento

Solidariedade no caso Luciano Soares Ribeiro

Canoas, Rio Grande do Sul

Luciano Soares Ribeiro era um jovem adolescente negro que sonhava com um futuro próspero e cheio de realizações, mas infelizmente teve seus sonhos interrompidos no dia 06 de junho de 1996, em Canoas, quando um simples passeio de bicicleta resultou em sua morte por atropelamento.

O que revolta seus familiares e amigos é a indiferença por parte do atropelador, Sr. Rogério Pansera, figura importante na cidade de Canoas, que omitiu socorro ao jovem, deixando-o no local do acidente. Até hoje nós, os familiares não sabemos ao certo quem o conduziu até o Hospital Nossa Senhora das Graças.

Sabemos  que Luciano não foi socorrido pelo Sr. Rogério Pansera, porque ele suspeitou que se tratava de um negro ladrão que trafegava em uma bicicleta importada!

Além da omissão de socorro por parte do atropelador, Luciano deu entrada no hospital como um "negro ladrão de bicicleta", portanto não foi atendido pelo médico plantonista daquele final de tarde. O acidente aconteceu por volta das 17:30 e só às 21:00, quando a sua mãe, Sra. Cleni Soares Ribeiro, chegou ao hospital, conseguiu, após muita pressão sobre o médico, que Luciano realizasse uma tomografia cerebral para avaliar o grau da lesão sofrida por ele.

O pai e a mãe de Luciano, Ronaldo Ribeiro e Cleni Soares Ribeiro, percebendo que ele não apresentava melhora decidiram-se por removê-lo para o Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre, onde ele faleceu, apesar de ter recebido um atendimento de qualidade.

Avaliamos que no caso Luciano houve explícita prática racista por parte do atropelador e do hospital de Canoas, que não o atendeu devidamente e nem com presteza por achar que o acidentado era um "negro ladrão"! A revista ISTOÉ publicou esta história sob o título de Brasil racista.

O atropelador, Sr. Rogério Pansera, após tomar conhecimento da publicidade dada ao caso pelo revista ISTOÉ, moveu uma ação por danos morais (!) contra o pai de Luciano. Quer dizer que o atropelador está preocupado com a repercussão negativa do fato em sua vida, com os problemas sociais e econômicos que a publicidade do caso  acarrete em sua vida, embora a vida de Luciano tenha sido insignificante para ele.

Aconteceram duas audiências e a terceira está marcada para o dia 02 de outubro de 1997. O Movimento Negro do Rio Grande do Sul está acompanhado o caso atentamente e promoverá ato público diante do Fórum de Canoas no dia da terceira audiência, objetivando sensibilizar a opinião pública e a imprensa par dar maior visibilidade ao caso para que a prática de assassinar negro e índio em nosso país não se torne algo normal e natural.

Pedimos especial atenção no acompanhamento dos desdobramentos do caso Luciano e ajuda para divulgar, sensibilizar as pessoas e visibilizar esta história dolorosa de racismo explícito. Aconteceu com a minha família, mas qualquer família negra poderá ser vítima em situação semelhante se não tivermos força e coragem para lutar contra o racismo no cotidiano de nossas vidas.

Atenciosamente,
Sônia Ribeiro, tia de Luciano.

Telefones para contatos:  249-0512/ 233-3066 ramal 117 - 472-1040 (Ronaldo Ribeiro)

FONTE: Relatório Final da  Reunião Nacional de Mulheres Negras. Belo Horizonte, 20 e 21/09/97


Assista   COBAIAS!

A cruel história de uma pesquisa racista em seres humanos -

Filme: Cobaias (Miss Evers’ Boys)
Canal: HBO e HBO2
Disponível em vídeo
Assunto: pesquisa em seres humanos/EUA
História: pesquisa em negros nos EUA/O caso Tuskegee, Alabama, EUA
Duração: 117 minutos (legendado)
Direção: Joseph Sargent
Elenco: Alfred Woodard, Laurence Fishburne, Craig Sheffer, Joe Morton, E.G. Marshall e Osie Davis.

Resumo do filme

"Em 1932 a sífilis já assumia proporções de epidemia nos Estados Unidos, atingindo principalmente a comunidade negra. O governo então implementa um programa de tratamento gratuito para os doentes no Hospital de Tuskegee, Alabama. Mas logo as verbas são cortadas e o programa foi transformado em um ‘estudo’ que pretendia verificar se os negros reagiam à doença da mesma forma que os brancos. Para isso os pacientes deveriam ser ‘observados’ e não receber tratamento! Sem informações de nada, ao longo de 40 (quarenta anos), 600 (seiscentos) homens tomaram vitaminas e fortificantes, acreditando que estavam sendo tratados de sífilis!

Em 1972 o caso veio a público e a Comissão de Saúde do Senado Americano realizou uma investigação. Através do depoimento da enfermeira Eunice Evers, que trabalhou com os dois médicos que estavam à frente do projeto, o filme conta este cruel episódio.
Produção original da HBO inspirada em fatos reais". (Resumo extraído da revista   Multinews BH/Multicanal, setembro de 1998)

* Comissão Nacional para o Estudo dos Problemas Éticos na Medicina e na Pesquisa Biomédica e Comportamental (National Comission, 1974-1978) – cujo objetivo principal era elaborar princípios de ética para a pesquisa em seres humanos, sobretudo daquelas financiadas pelo governo. Essa comissão originou-se como uma resposta do governo às pressões da sociedade civil, que alertada pelas mobilizações do Movimento Científico Radical e similares, desejava saber o que era mesmo que os "deuses da ciência" estavam fazendo em seus laboratórios, pois existiam rumores  de discriminações e práticas desumanas no desenvolvimento de pesquisas.

Diferença de raça e de gênero no Brasil contemporâneo

Por Kia Chanté  Lilly*

"Apesar das afirmações populares e oficiais  de que o Brasil é uma democracia racial, indicadores sócio-econômicos demonstram a existência de profundas desigualdades sociais, construídas por eixos transversais de raça, gênero e classe. No Brasil contemporâneo as experiências das mulheres negras continuam a ser determinadas por ideologias culturais e práticas sociais que impedem a sua mobilidade social (...)

O status sócio-econômico das mulheres afro-brasileiras está infalivelmente ligado à ideologias culturais que reforçam a crença  de que mulheres de descendência africana são mais adequadas para serviços braçais. Estas mensagens culturais são comunicadas através da mídia, particularmente nas novelas de televisão, através de práticas de socialização nos lares brasileiros, escolas e comunidades e por práticas de segregação ocupacional. Mais de cem anos depois da abolição da escravatura, imagens populares de mulheres negras continuam a ser associadas com o trabalho doméstico. De acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio) realizada em 1990, 48% das mulheres pretas e 30,5% das pardas trabalhavam em serviços domésticos.

Percepções populares de mulheres negras como serviçais domésticas, são óbvias na sociedade brasileira. Há uma predominância de empregadas negras nas novelas de televisão, trabalhando em casas de famílias brancas e ricas, e uma notável ausência de mulheres negras em outros papéis. O status das mulheres negras como as "outras" das mulheres brancas está perpetuado pelo fato de que as representações negativas e estereotipadas são apresentadas sem questionamento e sem contestação. Dada esta tendência, hierarquias de raça e de gênero permanecem e são consideradas como um componente normal da sociedade brasileira".

Kia Chanté  Lilly é  Pesquisadora norte-americana negra. Doutoranda em antropologia social na Universidade do Texas, Austin, EUA.

Texto apresentado na Reunião Nacional de Mulheres Negras, BH, 20 e 21 de setembro de 1997.

Série Coletânea "A doença do Racismo " Organizado  por Maria de Fátima Oliveira email: fatimao@medicina.ufmg.br

Consulte o banco de dados da Rede CTA-UJGOIAS
O Universo Jurídico do Estado de Goiás
http://www.ujgoias.com.br - ujgoias@ujgoias.com.br

"A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo"    Peter Drucker
==================================================
Rede CTA-Consultant, Trader and Adviser
Pelo Desenvolvimento Limpo de um Novo Mercado Financeiro!
Sindicato dos Economistas, no Estado de São Paulo

amyra@netdoctors.com.br - www.sindecon-esp.org.br


"A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo"     Peter Drucker

[ Topo ]

UJGOIÁS - O Universo Jurídico