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03027000022 - Environment Justice x Finance -  Série "A Doença do Racismo" [2] - A igualdade dos desiguais - ISTOE - 15.01.1997. 24/07/00 08:44:35

 Environment Justice x Finance
 Série "A Doença do Racismo" [2]
ISTOE - 15.01.1997.
http://www.zaz.com.br/istoe/ciencia/142402.htm

A igualdade dos desiguais

Cientista mineiro que participa do Projeto Genoma revela como a genética está derrubando de vez o preconceito da superioridade racial

Por NORTON GODOY

Cientistas de diversos países decidiram iniciar, em 1990, um projeto ambicioso: identificar todo o código genético contido nas células humanas (cerca de três bilhões de caracteres). O objetivo principal é compreender melhor o funcionamento da vida e, consequentemente, a forma mais eficaz de curar as doenças que nos ameaçam. Como é esse código que define tudo o que somos, desde a cor do cabelo até o tamanho dos pés, o trabalho com amostras genéticas colhidas em várias partes do mundo está ajudando também a entender as diferenças entre as etnias humanas. Chamado de Projeto Genoma Humano, desde o seu início ele não parou de produzir novidades científicas. A mais importante delas é a confirmação genética de que o homem surgiu realmente na África e se espalhou pelo resto do planeta. A pesquisa contribuiu também para derrubar velhas teorias sobre a superioridade racial. São informações que estão sendo traduzidas e ampliadas com o trabalho desses "Indiana Jones de laboratório", como já ficaram conhecidos. O representante do Brasil nesse grupo de cientistas é o geneticista Sérgio Danilo Pena, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, eleito recentemente titular da Academia Brasileira de Ciências. Ele foi escolhido para participar do Genoma por sua experiência nos principais centros acadêmicos da Europa e dos Estados Unidos. Meticuloso no raciocínio que expõe e mineiramente afável no trato, Pena recebeu ISTOÉ para uma entrevista, durante a qual demonstrou um entusiasmo contagiante com a ciência em geral e com o trabalho que ele e seus colegas vêm desenvolvendo na área da genética.

ISTOÉ - As pessoas que não estão familiarizadas com a genética temem que o estudo da diversidade humana, a partir dos genes, possa encorajar o racismo. Essas pessoas têm realmente o que temer?

Sérgio Danilo Pena - Não. O que a genética está fazendo é exatamente o contrário. Está provando que o racismo não tem nenhuma base científica. É mais uma construção social e cultural.

ISTOÉ - Por quê?

Pena - Todos os estudos da diversidade humana, principalmente os que usam o DNA, têm demonstrado que a variação no interior dos chamados grupos raciais é infinitamente maior do que a variação entre esses próprios grupos. Em outras palavras: eu, que sou branco, sou geneticamente tão diferente de uma outra pessoa branca quanto de um negro africano. Se eu tiver acesso às "impressões digitais" do DNA (código genético) de dez negros, dez ameríndios e dez chineses, eu não vou saber quem é de qual grupo. Todo mundo é diferente. Os genes que determinam a cor da pele, ou as características físicas como um todo, são tão poucos em relação ao número total de genes no DNA, que se tornam insignificantes. Eles apenas representam adaptações biológicas às localizações geográficas.

ISTOÉ - O sr. poderia exemplificar?

Pena - O negro tem pele escura porque sua região de origem tem um sol muito forte. A pele se protege com a cor escura. Quando nossos antepassados africanos migraram para a Europa, a pele foi progressivamente clareando para poder absorver uma quantidade maior de raios mais fracos, sem os quais não poderiam sintetizar a vitamina D. Sem essa vitamina, o ser humano fica raquítico. É só observar as populações da Europa hoje. Na região do Mediterrâneo há pessoas com pele mais escura do que na Suécia. São adaptações puramente geográficas. Como a dos povos árabes, que têm geralmente um nariz grande, necessário para umidificar o ar seco que eles respiram no deserto. Então, o que percebemos como diferenças raciais são na verdade adaptações geográficas. Originalmente, o ser humano é um só. Hoje já há um consenso de que todos os humanos possuem a mesma origem. É a chamada teoria "Out of Africa (saído da África)": todos viemos de um antepassado africano.

ISTOÉ - Os costumes associados às diversas culturas humanas têm alguma razão genética como muitas pessoas tendem a acreditar?

Pena - Sim. Tudo o que somos tem alguma razão genética. Todo o desenvolvimento embrionário segue um projeto ou roteiro genético. Assim como certos costumes e características de vida que se incorporam a partir de uma herança cultural dos pais. O que é importante nesse assunto é que a evolução humana, hoje em dia, é basicamente cultural. A evolução cultural é tão rápida que a seleção natural no aspecto físico se tornou irrelevante. Uma das coisas que mais me emociona nesse trabalho é a constatação de que, embora o genoma seja infinitamente variável dentro de uma mesma espécie, entre espécies distintas eles sejam parecidíssimos. Quase não há diferença entre nosso genoma e o do chimpanzé. Como também o genoma do homem é muito parecido, por incrível que pareça, com o da levedura. Assim como o homem tem uma origem comum, a vida na Terra também tem.

ISTOÉ - Comete-se muitos absurdos em nome da genética. Por quê?

Pena - Se analisarmos as capas da revista Time ao longo dos últimos três ou quatro anos, perceberemos a quantidade de reportagens que apontam a genética como razão para certas coisas absurdas, como, por exemplo, a infidelidade conjugal. Acho que a explicação para isso está na tradição puritana, luterana. Diferente do catolicismo, que prega que cada pessoa é responsável pelos seus atos, Lutero defendia que as pessoas já nascem predestinadas, que não se tem muito controle sobre a nossa salvação. Isso já é uma forma de tirar de si a responsabilidade das ações. Na medida em que a religião se torna menos importante na vida de certas pessoas, elas passam a buscar outros critérios para reger suas vidas, como o mapa astral ou o mapa genético. Se eu sou infiel, a razão é genética. É por isso que infelizmente ainda há quem leve a sério a eugenia. É uma teoria racista que tenta convencer a opinião pública de que os pobres são pobres porque são inferiores. Porque geneticamente não têm condições de ser outra coisa. Esse tipo de pensamento vem desde o chamado Darwinismo Social, criado por Herbert Spencer no final do século passado. E é usado até hoje para justificar certos costumes como o da realeza na qual um sujeito é rei porque é superior aos outros, assim como seus filhos, que herdaram essa superioridade.

ISTOÉ - Esse tipo de teoria ainda é levada a sério pela comunidade científica?

Pena - É levado a sério como ameaça.

ISTOÉ - Há dois anos, o livro Bell Curve colocou lenha na fogueira do racismo advogando que a inteligência é hereditária. Seus autores afirmam que a sociedade americana está dividida entre uma elite culta e criadora de riqueza e uma massa de baixo quociente intelectual que se reproduz rapidamente. O que a genética tem a dizer sobre isso?

Pena - Logo depois do lançamento desse livro, apareceu o livro do Luca (Cavalli-Sforza), A geografia dos genes, que por pura coincidência é uma resposta genética ao Bell Curve. O Luca enfatiza justamente aquele aspecto de que a diversidade humana é tão grande que não se pode falar em separação de raças. É como se comparássemos as características genéticas de pessoas que moram no Morumbi e na favela do Buraco Quente. As diferenças que encontraremos serão tantas quanto as diferenças entre pessoas vizinhas nesses mesmos lugares. Ou seja, as pessoas são tão diferentes entre si quanto as diferenças entre grupos. É um novo paradigma, um paradigma genético, no qual a diversidade é a qualidade. Nós queremos uma sociedade plural, diversa. Se fosse possível homogeneizar uma sociedade, como defendiam os nazistas, enfraqueceríamos essa sociedade. Ela ficaria muito mais frágil, por exemplo, ao ataque de um vírus. Há poucas semanas descobrimos que existem certos indivíduos no mundo que não têm em suas células receptores para o vírus da Aids, o que os torna imunes à doença. Isso se deve à diversidade. Na doença infecciosa tem-se, a rigor, uma guerra entre o genoma variável do vírus e o genoma variável do ser humano. Se um parar de evoluir o outro o domina.

ISTOÉ - Quando teremos um mapa completo do DNA humano?

Pena - Provavelmente em 2005. Será como ter todas as letras de um livro. A partir daí teremos que descobrir o que essas letras querem dizer, que palavras elas formam e que instruções essas palavras dão para o desenvolvimento da vida humana. Hoje, já conhecemos algumas palavras e até mesmo parágrafos, mas o livro completo ainda vai consumir algumas dezenas de anos de pesquisas.

ISTOÉ - A partir dele será possível "reconstruir" o ser humano, torná-lo mais apto para certas atividades e menos para outras?

Pena - Nós cientistas não temos o menor interesse em fazer isso, mesmo que algum dia seja possível.

ISTOÉ - Por que não?

Pena - Seria como tentar desenvolver um homem com condições de sobreviver naturalmente na Lua. Custaria tão caro tal projeto que é muito mais fácil colocá-lo em um traje de astronauta. Isso só faz parte do cenário de ficção científica, como o romance de H.G. Wells sobre a Ilha do Dr. Moreau. Já se tentou produzir um super- porco e o resultado foi desastroso. O animal não ficou maior e ainda passou a ter artrite degenerativa, problemas de articulação etc. Que tipo de pessoas iríamos querer produzir em laboratório? Com quais funções desenvolvidas ou atrofiadas? O mais perigoso é a imprevisibilidade genética face ao ambiente. Não temos a menor idéia de como o ambiente pode influir em uma alteração genética. É como alerta aquele filme The boys from Brazil, onde tentam clonar o Hitler, com um resultado desastroso. Se o Hitler nascesse hoje nunca chegaria a ser um ditador. Se nascesse na Paraíba, poderia morrer aos dois dias de vida com uma infecção gastrointestinal.

ISTOÉ - Os genes podem conter informações sobre o destino das pessoas?

Pena - Em princípio, não. A não ser em casos como o da síndrome de Down, que se pode detectar num bebê. Neste caso, esta pessoa nunca seria um Einstein na vida porque todos os pacientes com síndrome de Down têm atraso de desenvolvimento. Em casos normais, não se pode saber o que o sujeito vai ser. Só é possível alterar o futuro de uma criança investindo nela, na sua educação.

ISTOÉ - Na América do Sul o programa de diversidade genômica tem como incumbência colher amostras de sangue das populações ameríndias. Há dificuldade nesse trabalho?

Pena - A maior dificuldade desse projeto é resultado de sua própria preocupação ética. É um dos trabalhos mais éticos da ciência hoje. Quer trabalhar com amostras de sangue com o consentimento prévio dos doadores. O projeto nasceu da determinação de se recusar a fazer qualquer teste com amostras colhidas sem consentimento. Por isso mesmo encontra dificuldades, particularmente na hora de colher amostras de sangue das populações indígenas.

ISTOÉ - Por quê?

Pena - Tem havido resistência. Acho que isso se deve em parte ao boato que correu entre os líderes indígenas, segundo o qual nós tínhamos pressa em colher essas amostras, antes que essas populações fossem extintas. Eles, com razão, devem ter pensado que estávamos mais preocupados com as amostras do que com o futuro deles. Isso sem contar a resistência normal desses indígenas com pesquisas científicas. Há dois meses, foi descoberto nos Estados Unidos um fóssil de restos humanos de uma tribo de lá, mas a comunidade indígena não deixou que se fizesse pesquisa sobre o achado, determinando o imediato enterro dos ossos com o ritual antigo. Eles acham que não há nada a ganhar com pesquisas.

ISTOÉ - E teriam?

Pena - Acho que sim. Por exemplo, o meu grupo de pesquisas já confirmou a teoria de que os ameríndios, desde a Patagônia até a América do Norte, são descendentes da mesma onda migratória que veio da Ásia. Isso pode ajudar a dar um sentido pan-americano, de irmandade, à comunidade ameríndia, o que ela não tem.

ISTOÉ - Em um artigo para a revista Trends in Biotechnology, o sr. afirma que, por razões estratégicas, países mais desenvolvidos como os Estados Unidos têm pouco ou nenhum interesse em financiar pesquisa genética além de suas fronteiras. Quem vai financiar esse tipo de pesquisa no Brasil?

Pena - É um artigo, sem dúvida, pessimista. Mas, infelizmente, suas conclusões estão corretas. Não tenho dúvida alguma de que a economia mundial no século XXI será baseada em larga medida na biotecnologia. Dentro dessa perspectiva o Brasil estará muito mal colocado. No País não existe nenhum programa nacional formal de estudos genômicos nem mesmo na iniciativa privada. Estamos condenados a comprar pacotes tecnológicos de outros países, assim como aconteceu com a indústria automobilística.

ISTOÉ - O sr. acredita que a engenharia genética possa produzir a cura para certas doenças, como o câncer ou mesmo a Aids?

Pena - Definitivamente sim. Hoje já estamos usando terapia genética para o câncer, e certamente aparecerá terapia genética para a Aids. Já se pode, em tese, implantar um gene nas células de um indivíduo, que começará agir quando ele for infectado pelo vírus de uma determinada doença. É a chamada imunização intracelular.

ISTOÉ - O sr. tem uma empresa, um laboratório próprio, que faz exames genéticos. Que tipo de exame é mais solicitado?

Pena - O teste de paternidade, sem dúvida. O problema de quem é o pai da criança sempre levantou dúvidas que antes não tinham respostas satisfatórias. O advogado de determinada família apontava a autoria paternal de uma criança baseado no depoimento de testemunha, de alguém que supostamente viu o sujeito saindo do motel com a moça. O que é totalmente contestável, mesmo que tenha havido relação sexual entre os dois. Com o teste de DNA essa dúvida acabou. Mas também fazemos no Núcleo de Genética Médica muitos testes de possibilidade de risco genético. Casais com casos de doença hereditária na família e que desejam saber os riscos de ter um filho com essa doença, como cegueira, surdez, etc.

ISTOÉ - O sr. trabalha com genética há 23 anos. Essa atividade científica alguma vez lhe tirou o sono, num sentido mais filosófico do que prático?

Pena - Não. Na área da pesquisa genética, somos obrigados a aplicar 10% dos recursos na promoção do debate ético. Temos sempre em mente que na nossa área existem vários limites que poderíamos ultrapassar mas não devemos, não há razão salutar para fazê-lo. Não existe a menor chance de sermos surpreendidos por um cientista louco, um Dr. Moriarte ou um Dr. Silvana. Se ele estiver dentro da comunidade científica, vai ser jogado para escanteio. Como diz o filósofo alemão Frederich Nietzsche no livro Assim falou Zaratustra, para uma pessoa dormir bem e descansar ela precisa ir deitar com a consciência tranquila. Precisa ter agido de forma correta. Eu costumo dormir muito bem. 


http://www.terra.com.br/istoe/   - Genética

Pé na taba

Pesquisa com DNA prova a forte herança indígena e africana na população branca brasileira

Por Norton Godoy 

À vésperas dos 500 anos do início da colonização européia do Brasil, uma revelação científica, mais precisamente genética, está confirmando agora o que antropólogos, historiadores e sociólogos já desconfiavam mas não tinham como precisar: 60% da população branca brasileira tem um antepassado indígena ou africano. Mais: a porcentagem de herança indígena é maior do que a africana, ao contrário do que se pensava. O que significa dizer que pelo menos 45 milhões de brasileiros brancos carregam hoje, sem saber, uma parcela de sangue dos descendentes dos mesmos índios que recepcionaram Cabral e conviveram com os europeus que vieram colonizar o Brasil.

A pesquisa, de relevância internacional – deverá ser publicada em um dos mais importantes periódicos científicos do mundo –, foi realizada por uma equipe de cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e liderada pelo professor e médico geneticista Sérgio Danilo Pena. Eles colheram amostras de DNA de brasileiros de todas as regiões geográficas do País. E concluíram, após dois anos de estudos, que “a contribuição européia na população brasileira se deu basicamente através dos homens, enquanto a ameríndia e a africana foi principalmente através das mulheres”. Segundo Pena, “a presença de 60% de matrilinhagem (descendência através da mãe) ameríndia e africana entre brasileiros brancos é inesperadamente alta e, por isso, acredito que tem grande relevância social”.

Para realizar um trabalho de tal magnitude, os cientistas mineiros usaram uma técnica de pesquisa conhecida como filogeografia. Ela reúne conhecimentos de genética molecular, genética de populações, demografia e geografia histórica. De posse de amostras de DNA colhidas nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, foram utilizados dois marcadores moleculares de linhagens genealógicas: o cromossomo sexual Y para estabelecer linhagens paternas e o DNA mitocondrial para as linhagens maternas. Tanto um quanto outro permitem alcançar dezenas de gerações no passado. Para se ter uma idéia, mais de 90% do cromossomo Y é transmitido inalterado de pai para filho de uma geração a outra. O DNA mitocondrial é transmitido através do óvulo materno para filhos e filhas. Comparações com estudos feitos em outros países estabeleceram as origens geográficas da maioria dessas linhagens. “Descobrimos que duas populações que habitam regiões adjacentes na Sibéria Central (Rússia) são as mais semelhantes aos índios brasileiros: os ketis e os altais. O que aponta para essa região como o berço mais provável dos ameríndios.” Confirmando, mais uma vez, a teoria de que os primeiros humanos a habitar as Américas vieram da Ásia pelo Estreito de Bering.

Portugueses – Tal estudo levou à conclusão de que a maioria das linhagens de cromossomo Y dos brasileiros é de origem européia (mais de 90%), com forte predominância portuguesa. Resultado que confirma o que está nos livros de História. Que contam que, exceto pelas esporádicas invasões francesa e holandesa, foram os portugueses que mais imigraram para o Brasil até o início do século XIX. Os livros também registram que os primeiros imigrantes portugueses não trouxeram suas mulheres, temendo as condições inóspitas do continente selvagem. Com a necessidade estratégica de povoar a colônia, não apenas a miscigenação foi liberada, mas incentivada pelas autoridades coloniais. Tal política liberal não se repetiu mais tarde em relação às escravas africanas, o que aparentemente não impediu uma alta taxa de nova miscigenação.

Mesmo sendo quase só européia e muito semelhante à distribuição em Portugal, essa patrilinhagem apresenta curiosamente uma grande variedade. O que se deve, segundo Pena, à alta diversidade genética dos ibéricos, fruto de muitas invasões e imigrações para aquela região: celtas, fenícios, gregos, romanos, suevos, visigodos, judeus, árabes e bérberes. O que ajuda a explicar uma taxa alta de um tipo específico de cromossomo Y que ocorre em toda a área mediterrânea, mas atinge frequências máximas entre judeus e libaneses. O que novamente é explicado pela História. Até o final do século XIV havia grande quantidade de judeus na Península Ibérica. No século seguinte, a discriminação e perseguição católica aos judeus aumentou até o ponto de serem expulsos de Portugal. Embora fossem proibidos de migrar para as Américas, muitos que se converteram ao cristianismo (cristãos-novos) acabaram vindo para o Brasil.

A relevância social destes resultados, segundo Pena, pode ajudar a ampliar a chamada “democracia racial”, que certamente não existe no Brasil tanto como alguns querem crer. “Prova disso é a necessidade de uma lei para proibir o racismo.” Portanto, diz ele, “gostaríamos de acreditar que, se muitos brasileiros que têm DNA mitocondrial ameríndio ou africano se conscientizassem disso, valorizariam mais a exuberante diversidade genética de nosso povo e, quem sabe, contribuiriam para uma sociedade mais justa e harmônica”.

Série Coletânea "A doença do Racismo " Organizado  por Maria de Fátima Oliveira email: fatimao@medicina.ufmg.br

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