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03027000024 - Environment Justice x Finance - Campanha Basta eu quero Paz! - Agressividade e Violência - Por Arthur Soffiati 25/07/00 08:44:21

Environment Justice x Finance -

Campanha Basta eu quero Paz!

Agressividade e Violência

Por Arthur Soffiati*

Não há vida sem agressividade. Todos os seres vivos, da simples bactéria ao ser humano, são unidos por um traço comum: o egocentrismo. Este rasgo é, a bem dizer, inerente ao ser vivo e sem ele muito provavelmente a vida sucumbiria. Egocentrismo não deve ser confundido com egoísmo. Aquele constitui o principal sistema de sobrevivência. Este, uma atitude de isolamento negativo no contexto social. Graças ao egocentrismo, os indivíduos de cada uma das espécies de todos os reinos vivos podem computar informações do meio circundante, processá-las e incorporá-las a seu favor. Antes de tudo, cada indivíduo pensa na sua sobrevivência para pensar depois na sobrevivência do outro. No entanto, há momentos em que o egocentrismo se traveste em altruísmo para garantir a integridade da população. Seja como for, o egocentrismo recorre à agressividade para garantir a vida.

Em princípio, agressividade, aqui, não deve ser entendida como violência, senão como energia, dinamismo, atividade, força. Ela emana do egocentrismo, que é o embrião do sujeito, conforme o conhecemos no ser humano. Inclusive, a agressividade pode ser altamente criativa. Há agressividade no ato de um réptil, por exemplo, devorar sua presa. No entanto, é prematuro afirmar que haja violência, vez que esta exige uma computação capaz de um mínimo de pensamento e de reflexão. O teólogo francês Michel Damien, seguindo os passos de Teilhard de Chardin, levantou a perspectiva de entrever-se atitude moral nos animais vertebrados, por considerar que matéria e espírito evoluem até atingir o Homo sapiens, quando, então, torna-se somente evolução espiritual. Por este ângulo, poder-se-ia identificar crueldade em potência nos dinossauros e nos animais carnívoros não-humanos.

A etologia ainda não dispõe de elementos para confirmar ou infirmar a proposição de Damien. O que ela já comprovou é que os antropóides (as quatro espécies de macacos que mais se assemelham ao ser humano) agridem não apenas por defesa de território, disputa pela fêmea ou competição por alimento. Os chimpanzés são capazes de agredir indivíduos de sua espécie por simples antipatia ou ira.

Com os hominídeos (família zoológica que compreende todas as espécies estreitamente aparentadas ao Homo sapiens), irrompe a violência, a crueldade, o barulho e o furor. A agressividade, agora, tanto pode resolver-se em criatividade quanto em destruição, em uso da força para ferir fisicamente o outro ou em constrangimento moral. Com os hominídeos, a violência já manifesta nos antropóides torna-se um elemento extremamente comum, produzindo a morte do próximo individual e coletivo, a guerra contra outros povos, a crueldade de homens praticada contra mulheres, crianças e etnias diferentes da sua e a destruição da natureza não-humana. Por outro lado, a agressividade pode produzir um santo ou um artista genial.

Em Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, seu mais recente livro, o transintelectual Edgar Morin salienta que "O século XX pareceu dar razão à fórmula atroz segundo a qual a evolução humana é o crescimento do poderio da morte" e adverte que o século XXI não se livrou dos perigos que ameaçaram o século XX, inclusive chamando a atenção para o recrudescimento de certos perigos, como o das armas nucleares, ainda não afastado, o da degradação da ecosfera, o dos microrganismo patogênicos e o das drogas pesadas.

Na tentativa de inventariar as forças causadoras de morte a serem controladas no século XXI, divisamos:

1- A guerra hobbesiana contra a natureza não-humana. De fato, Hobbes concluiu que os animais não firmaram o contrato social que inaugurou o estado social e político por serem desprovidos de razão. Assim, o direito de matar a natureza não-humana continuaria como prerrogativa do ser humano. Todavia, Michel Serres recentemente escreveu um livro intitulado O Contrato Natural, propondo uma aliança com a natureza não-humana, visto que sua destruição é também a nossa destruição.

2- A guerra de um estado nacional contra outro. Embora estejamos, por força do processo de globalização, nos estertores da instituição criada no século XVI e que recebeu o nome de estado nacional, um fator de inércia não soube resolver os conflitos entre nações, apenas modernizando-os com armas nucleares, químicas, bacteriológicas e convencionais sofisticadas, como sucedeu na Guerra do Golfo, nos conflitos africanos, em Timor Leste, nos territórios da antiga Iugoslávia e em tantos outros pontos do planeta.

3- A violência no interior de cada sociedade, oriunda de uma estrutura cada vez mais desigual e injusta que lança na marginalidade um número dia a dia crescente de pessoas que nada têm a perder, a não ser a vida, e que recorrem a violência como forma de sobreviver. A solução mais simples, mais rápida e mais praticada pelo poder constituído para combatê-la é também o uso da violência, criando, assim, um ciclo infernal.

4- A violência decorrente de um estilo de civilização que valoriza cada vez mais os veículos automotores e o rodoviarismo, causando acidentes que matam por ano um contingente populacional superior ao das vítimas de muitas guerras.

5- O retorno e o recrudescimento de doenças causadas por organismos patogênicos já em situação de controle, como o vírus da varíola, ou novos, como o vírus do HIV, em função da deterioração das condições sanitárias e do aumento da pobreza, principalmente.

6- A auto-violência cometida com o uso de drogas pesadas, como resposta complexa a situações de solidão e angústia.

7- A violência derivada de um modo de vida estressante, que leva as pessoas a sofrerem de doenças degenerativas e, sobretudo, os homens a violência praticada por homens contra mulheres e adultos contra crianças e adolescentes.

8- Os conflitos étnicos dentro de cada nação, a ocultar temores do diferente, competições e receios de perda de emprego.

9- A auto-destruição pelo suicídio, também a revelar o caráter anti-humano do mundo ocidental e ocidentalizado.

10- As formas de violência psicológica e cultural, com as coações e as aculturações destrutivas.

O atual e forte movimento contra a violência que se avoluma no mundo e no Brasil deve ser realista a ponto de manter sempre a consciência de que a violência é uma característica entranhada no ser humano, inextirpável, portanto, mesmo com a mais sublime utopia. Por outro lado, ter presente, com bastante lucidez, que as portas a conterem a violência não podem ser ou ficar escancaradas, devendo estar sob permanente vigilância para manter o perigo sob controle. Para tanto, cumpre construir uma civilização de paz, ainda que ela não elimine de todo a guerra.

Arthur Soffiati é Historiador e escritor com vários livros publicados,  especialista em História Moderna e Contemporânea pela Universidade Católica de MG, Mestrado em História Ambiental pelo Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da UFRJ, Doutorando em História Ambiental pelo IFCS/UFRJ e Professor da Universidade Federal Fluminense  email :soffiati@.censa.com.br


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