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03027000054 - Environment Justice x Finance - A bola da vez - Por Carlos A. Amaral 05/09/00

Environment Justice x Finance -

A bola da vez

Por Carlos A. Amaral*

Os avanços no saber neste século gerou, está gerando e vai gerar alguns conflitos na razão de ser, na interpretação, na visão ética, nos limites e na aplicação do conhecimento cientifico por algum tempo. Este impacto decorre da revolução que estamos passando sem necessariamente realizar a profundidade e a velocidade das mudanças. O processo do qual visualizamos apenas a ponta de um imensurável iceberg, não leva a crer que vai facilitar as coisas, mas torna-las ainda mais complexas, tanto a nível pessoal como coletivo.

A constante e exponencial evolução do conhecimento, da tecnologia, do tratamento da informações, da comunicação, da consciência do meio ambiente, do aumento do processo de globalização e os seus reflexos nos complexos sociais, nos lembram que somos sistemas cada vez mais integrados e em um constante mudar. Sem dúvida, isto não é muito confortável pois mexe com o nosso ideal de estabilidade e com a visão antropocentrista, determinista e mecanicista resultante em boa parte da revolução industrial. Enfim estamos descobrindo que não somos tudo, que não dominamos tudo, que tudo é relativo e que tudo muda. E, sem divida, não é fácil conviver neste contexto pois, mesmo quando a cabeça consegue entende-lo, a nossa emoção nem sempre é capaz de administra-lo. Se há um par de milênios atrás convivíamos com um problema de falta de informação e dificuldade de comunicação, atualmente, vivemos outro enorme pela sua abundância. A cabeça parece que ficou pequena para tanta coisa, tudo junto e mudando sempre.

Só para lembrar, a invenção da prensa de Gutemberg gerou protestos, no século XVI, pelo numero de livros publicados e a revolução industrial fez evoluir o nível de conhecimento e mudou profundamente as relações sociais e própria sociedade. Ou seja, algo parecido já aconteceu antes, ainda que possamos imaginar que isto ocorreu sem os mesmos custos sociais. A impressão que temos e é que foi sem o mesmo impacto, com menos profundidade e em uma velocidade bem menor. Evidentemente, isto acontece porque pimenta é colírio nos olhos dos outros.

O resultado é que com todas estas mudança mais recentes estamos sendo levados a ter uma visão mais sistêmica do mundo e de como nos inserimos nele. Porém, se antes, nas classificação que fazíamos das ciências sociais existiam com freqüência as áreas limítrofes cinzas, hoje elas além de terem aumentado significativamente também se mesclam com as demais ciências. E cada dia fica mais evidente que os conceitos de uma se aplicam em outras e vice versa, alem de que alguns fenômenos de umas interagem e interferem nas demais.

Gostaríamos entretanto de lembrar alguns aspectos para reflexão. Salvo o que a mãe natureza fez e faz, as demais ingerências acontecem porque nós homens as fazemos. Não existiam classificações, limites, fronteiras e ciências antes do homem. O corpo humano existia antes da medicina, acidentes geográficos antes da geografia, os complexos sociais antes da sociologia, os fenômenos naturais antes da física e da biologia e o mercado antes da economia.

Por outro lado, na medida em que o volume de conhecimento e a informação passam a ser de tal magnitude, muito mais complexos e vistos sobre diferentes óticas, definir com exatidão os seus conceitos e limites, realmente não é tão fácil. Conforme dizia um dos pais da mecânica quântica, o físico Heisenberg; "... cada palavra ou conceito por mais nítidos que pareçam só possuem uma faixa limitada de aplicabilidade." Além disso, este acervo de saber atualmente chega a ser tão grande que a tendência natural foi o crescimento em todos os setores do conhecimento levou à especialização pois, parafraseando Pauli: "Cada dia fica mais difícil conhecer o tudo do todo."

Daí surgiram as especialidades dentro das especialidades e, não raro, isto fez com que a noção do todo tenha, em alguns casos, ficado difusa e fazendo com que nos esquecêssemos outra vez que da importância das interações sistêmicas. Podemos então imaginar o que acontece, com a organização das ciências e de suas especialidades..

O maior agravante é que ao longo do tempo foram-se criando especializações e subdivisões, que nem sempre aconteceram por necessidade cientifica ou para criar limites mais precisos de seus domínios. Entre outras razoes, serviram para reduzir o volume e o tempo do aprendizado, alicerçar a existência de novas profissões ou justificar os seus diferenciais de salários. O pior é que, não raro, estas atividades, até pela auto justificativa de existirem, criam interpretações diferentes nos conceitos originais ou utilizam-se de traduções pouco fieis daquelas de suas origens. Alias, traduzir conceitos não é fácil mesmo.

Assim como nas demais ciências a economia padece do mesmo mal. Conceitos cientificamente provados e que tem justificativas claras na razão de ser da sua formulação, as vezes, tem interpretação completamente diferente nas suas especialidades ou no uso diário de quem os utiliza, na pratica. E o pior é que os termos técnicos parecem línguas extraterrestres, para os leigos.

Só para lembrar, o mercado, antigamente, era um espaço definido em que as pessoas, por limitações e conveniência, levavam os bens e produtos que queriam vender ou trocar para encontrar aquelas pessoas que queriam também comprar ou trocar os seus produtos por outros. Este era, sem duvida , um ato social.

Evidentemente, a evolução dos complexos sociais, os novos meios de informação e comunicação, a existência da moeda e de outras formas de pagamento, fizeram com que o mercado perdesse estas restrições de espacialidade ou temporalidade e com isto também um pouco das suas características de ato social. Um fazendeiro não precisa mais levar seus bois ao mercado para troca-lo lá por sacos de farinha e açúcar. Ele pode até usar a bolsa de commodities, o telefone ou até a Internet.

Mas, é importante notarmos que os elementos fundamentais do mercado não se modificaram e ele continua sendo o "espaço", hoje até virtual, que especialmente, nos tempos modernos não tem necessariamente limitações físicas e temporais, em que as forças que determinam o valor dos bens e serviços, a utilidade e a escassez, exercem sua influencia. Mas a sua função e os seus mecanismos continuam os mesmos.

É neste "espaço", em que são ofertados os bens e serviços que encontram os que desejam adquiri-los. Ou seja, necessariamente, os atos de troca ainda tem como elementos básicos o que podemos chamar de desejos complementares, inerentes da oferta e da procura. Para que qualquer transação econômica ocorra é fundamental que alguém ofereça algo que outra pessoa deseje ou tenha necessidade dela. Isto em economia é chamado de demanda reciproca. Sem duvida, com o tempo os mercados foram se segmentando em função das conveniências da similaridades dos bens e das facilidades dos meios de transação. Daí existirem os mercados de commodities, como café, boi ou mercado financeiro, de seguros, etc..

Mas hoje se diz comunicar-se com o mercado como se ele fora uma massa única compradores e, entretanto, o mercado se torna cada vez mais segmentado. Fala-se em mercado financeiro, de seguro ou de mercadorias como eles fossem como um bloco monolítico. Quem adquire um seguro de carro necessariamente não faz um seguro de vida, quem tem conta corrente em um banco necessariamente não faz aplicações, etc.

Outro bom exemplo destas distorções é o preço dos produtos oferecidos em uma loja. Aquele valor indicado nas tarjetas não é preço e sim o valor pelo qual a loja está oferecendo o produto. Ele somente será preço se o cliente resolver pagar aquele valor pelo produto. Se a loja não vender nada por aquele valor não existirá aquele preço. E mais, se o cliente, por acaso conseguir um desconto e comprar o produto este será então o preço. Porque?

Porque o preço só existe, por definição, quando o valor que o vendedor está oferecendo uma mercadoria é aceito por quem está interessado em compra-lo. Ou seja, o preço é o valor em que existe a troca de propriedade de um bem, quando acertado pelo comprador e vendedor. Geralmente, ambos valorizam de forma diferente o mesmo produto e ao se acertarem acertam o preço.

Ou seja, do estrito ponto de vista cientifico, uma loja ao fazer promoções dizendo que o esta diminuindo o preço das mercadorias, na realidade, está dizendo que está disposta a trocar seus produtos por um valor menor. Entretanto, mesmo sem que isto não seja tecnicamente correta, ela está se comunicando com os seus possíveis clientes. São os usos e costumes prevalecendo sobre a técnica, mas um economista não pode esquecer-se disto.

O problema é que um economista precisa se comunicar com o seu publico que necessariamente não entende economês. Assim como os médicos tem de explicar seus diagnósticos aos seus clientes que, além de não entenderem a terminologia técnica, muito provavelmente nem gostariam de ouvi-lo. E, podemos imaginar quanto problema isto cria quando os limites das ciências se confundem. Afinal, uma ponte não é a mesma coisa para um dentista ou um engenheiro e o conceito de bem parece não ser necessariamente igual para um ecólogo ou para um economista.

O problema é que o economista vive hoje alguns problemas sérios pois ainda que os seus conceitos e fundamentos sejam universais e objetivos, cada complexo social reage de forma diferente e estes inclusive mudam com o tempo, pois a sociedade evolui. A tecnologia da informação e os robots acabam com empregos, o processo de globalização aumenta as diferenças sociais, a consciência ambiental está nos forçando a repensar as noções de limites políticos e de fronteiras. As empresas e os capitais transnacionais estão fora do controle e fazem estragos sem levar em conta as necessidades nacionais e agem somente de acordo com seus interesses, etc..

Até quando poderemos nos isentar de se envolver nas questões que envolvem valores éticos? A historia nos mostra que uma conduta normativa nem sempre foi salutar ao levar em consideração não somente o que é mas, o que os economistas acham que deveria ser. Quando deixamos de ser o termômetro para "aparentemente" ser o remédio, pagamos um alto preço por isto.

Mas a modernização industrial passa pelo avanço tecnológico e a robotização e consequentemente pela redução de empregos. Entretanto, se quisermos ser competitivos em um mundo globalizado as coisas parecem que passam por ai, como acontece no mundo todo. A estatização é uma opção política, que aparentemente se tornava necessária, não só pela má gestão do dinheiro publico, mas porque não tínhamos mais recursos para investir. O meio ambiente o mundo tomou conhecimento há cerca de trinta anos que ia de mal a pior e não necessariamente só por causa da industrialização, mas principalmente por falta de cultura ambiental. Os desníveis sociais acontecem não em função da economia, que os condena até porque acabam com o potencial de compra dos mercados, mas por vontade política, legislação e falta de implementação das leis.

O que nos perguntamos é como as coisas deterioraram tanto e quem seriam os responsável pelo despreparo e pela ausência de educação adequada para conviver com as mudanças tecnológicas, sociais e de relações de emprego, que fatalmente virão nas próximas décadas

Cabe a nós economistas continuar analisando os fenômenos e propondo as melhores soluções possíveis. O que necessariamente não é incompatível com ter uma visão humanista e social das coisas.

Carlos Alberto A . do Amaral* Economista, MBA- Mast– Berkeley, Ca - Consultor de Empresas - Professor do CTA – Consultant, Trader and Adviser- co -autor do livro Introdução à Globalização E-mail caaamaral@uol.com.br


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