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03027000060 - Environment Justice x Finance - Economia: O risco do crescimento - Por Fernando Antonio Dal Piero 20/09/00

Environment Justice x Finance -

Economia: O risco do crescimento

Por Fernando Antonio Dal Piero*

A frase que serve de título a este artigo resume o problema mais sério que se pode antecipar para a economia mundial e brasileira: crescimento econômico muito grande e rápido. Parece um paradoxo, mas essa ameaça existe e é séria. Essa ameaça é tão séria que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mencionou essa possibilidade no seu relatório de junho de 2000. As conclusões do relatório são o resultado da interpretação da evolução das taxas de crescimento econômico de vários países no mundo. Para qualquer região que se foque, vê-se que as previsões de crescimento para este ano e para o ano de 2001 são elevadas projetando conseqüências em vários fatores econômicos. A previsão de crescimento para Europa, especialmente na zona do euro, este ano situa-se em 4% quando o esperado seria 3%. Isso faz a Europa dos 11 vacilar, diante daquele impasse perverso consumo-inflação-juro, sem saber para onde ir ou como agir. Numa economia rígida, sem grandes ganhos comparativos de produtividade, qualquer aumento da demanda afeta os preços. Nesse cenário, o euro continuará fraco, abaixo de um dólar, numa desvalorização de 24% desde que foi criado, dos quais 11,3% só neste ano. A elevação nos juros, "medicação" adotada para tratar essa doença, também não surte o efeito desejado por dois motivos: l - a economia européia está crescendo a uma taxa surpreendentemente boa, que pode chegar a 3,4% neste ano, mas a americana cresce ainda mais, não sendo surpresa se chegar perto de 5% (o FMI estima 4,9%). Resumindo: enquanto a produção industrial da área do euro recuou 0,4% em julho, a americana continua se expandindo; 2 - mesmo com alta de 0,25%, passando para 4,5%, os juros europeus ficam 2 pontos percentuais abaixo dos juros americanos, 6,50%.

Quanto aos americanos, estes nunca gastaram tanto. Ainda nesta semana, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos confirmou que os americanos gastaram muito e pouparam pouco. Segundo dados governamentais, a taxa de poupança em julho ficou 0,2% negativa, o pior resultado desde 1959. Eles consumiram, compraram, trocaram, em doze meses, até julho, nada menos de US$ 6,7 trilhões contra US$ 6,2 trilhões em período igual do ano passado e apenas US$ 5,8 trilhões em 1998. Consomem quase todo o PIB americano, que está próximo de US$ 10 trilhões!

Nos países em desenvolvimento e nas economias em transição, os indicadores coletados apontam para um crescimento da ordem de 40% acima do previsto por qualquer organismo de pesquisa. No Brasil, o crescimento industrial cresce a olhos e números vistos. Ao lado disso, temos o balanço da distensão monetária que aponta para um aumento dos empréstimos de 66% no consumo e de 27% na produção. Considerando uma inflação anual de 7% no consumo (IPCA) ou de 19% na produção (IPA), isso é de fato uma situação muito próxima de uma explosão de consumo que vem com direito a uma explosão inflacionária. No Espírito Santo a indústria capixaba relata crescimento de 6,07% no nível de emprego em agosto e acumula no ano 7,95%.

No momento, esses sinais se fazem acompanhar de todos os ingredientes desejáveis: inflação moderada, melhora substancial no nível de emprego e déficits públicos controlados. Tudo poderia levar a crer que passamos a fase de uma economia lânguida e envolta em pessimismo. Entretanto, o relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que esses equilíbrios são frágeis por causa da excessiva velocidade do ciclo de crescimento.

É muito possível que o rápido crescimento de PIB assuma a proporção de uma onda descontrolada de consumo conduzindo, por exemplo, os mercados financeiros a um otimismo exagerado levando os investidores a deixarem de perceber os "ajustes" no preço e valor das companhias. Aliás, vale lembrar que a grande maioria das ações negociadas estão com índices preço/valor em torno de 1,39 enquanto o índice P/L projetado cai de 9,8 em 2000 para 8,3 em 2001. Em nosso entender, a euforia atual, baseada nas novas tecnologias e nos aumentos de produtividade, tem similar nos "booms" dos anos setenta e oitenta, que tão mal terminaram. Essa ameaça, diz também o relatório, paira mais fortemente sobre a economia americana onde já se pode imaginar que um "crash landing" será inevitável. Por outro lado, o forte aumento da atividade comercial pode contribuir mais para ampliar o fosso entre ricos e pobres em vez de distribuir renda. Existe, ainda, a possibilidade real de que a inflação saia do controle, especialmente nas economias mais aquecidas. Nesse sentido, contrariamente ao que se pode imaginar, não são os elevados preços do petróleo a maior ameaça neste terreno, por causa do peso cada vez menor dessa fonte de energia nas economias modernas e sim o esgotamento da capacidade produtiva.

No que nos toca, ante esse acúmulo de sinais, é bem possível que passemos a viver um período de políticas monetárias enérgicas e fortes. Não deve ser de estranhar se o alvo da política monetária dos próximos tempos, de qualquer nação, estiver dirigido para frear a velocidade de crescimento, campo de atuação para "raros" economistas crentes que tanto os perigos econômicos quanto as soluções são os de sempre: reaquecimento descontrolado que deve ser tratado com políticas de freio na política monetária. Quem viver, verá.

Fernando Antonio Dal Piero* é professor no depto de Administração do Centro Superior de Vila Velha, ES -com diversos artigos e colunas publicadas nos jornais O Globo,Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Gazeta- ES, IOB, entre outros. email: email: fpiero@zaz.com.br fone 021 27 327 1518

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