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03027000078 - Environment Justice x Finance - A Questão Palestina - Por Alfredo Marques 17/10/00

Environment Justice x Finance -

A Questão Palestina

Por Alfredo Marques*

O propósito original desta intervenção era o de simplesmente felicitar a beduina-Palestina Amyra El Khalili pela presença do grupo El Khalili no festival de Caxambu, relatado por ela em outra parte. A evolução da situação no Oriente Médio que suscitou as intervenções do prof. Seitenfus e da própria Amyra me arrancaram da contemplação para a tragédia das grandes batalhas que ali se travam.

Quando fiz os cursos primário e secundário (que terminei exatamente no ano da criação do Estado de Israel) aprendi que Jerusalém é a capital da Palestina. Foi assim pelo menos desde a I Guerra, isto é, por mais de trinta anos. Talvez por isso achei que a visita do Cel. Ariel Sharon, militar e político experimentado, a um templo israelita ali localizado, nada teve de ingênua ou impensada. Nem foi fruto de seu fervor religioso. Foi exatamente para dar no que deu: quebrar o impasse já longo nas negociações, desequilibrando as iniciativas para o lado da violência.

Somente os mais ingênuos atribuem ao conflito motivação essencialmente religiosa; afinal é um velho hábito do ser humano – o Grande Predador – travestir suas ambições com esse tipo de manto. Foi assim nas Cruzadas e em muitas outras ocasiões.

Acredito que a formação do Estado de Israel, com a extinção da Palestina como protetorado Inglês, foi uma nova composição de poderio militar que marcou o fim do colonialismo europeu como instrumento de poder naquela região. Naquela ocasião a Europa curava as chagas abertas pela II Guerra em sua própria carne e não tinha mais condições de posar como potência; foi substituída pela grande nação vitoriosa, os E.U.A. que simultaneamente atuava de guardiã contra a então União Soviética. Ali a guerra fria se travou, com os E.U.A. apadrinhando Israel e a URSS as nações árabes não alinhadas . Com o desmonte da União Soviética as fronteiras voltaram aos limites deixados após a I Guerra, aproximadamente; as últimas movimentações de fronteiras fragmentaram a Yugoslávia. E começaram as negociações para restaurar o Estado Palestino, negociações transcorridas em situação de extrema desigualdade no que diz respeito à força e à presença militar no Oriente Médio. Esses episódios são, portanto, desdobramentos geopolíticos conseqüentes ao desfecho da Segunda Guerra Mundial, retardadas até o desmonte da URSS e o surgimento do poder unipolar .

A impressão que fica é que a estratégia dos E.U.A. é a de nomear Israel uma espécie de preposto seu na região, tudo dentro das regras da diplomacia e do respeito formal entre as nações, completando assim o que teve início em 1948. Esse desfecho é perfeitamente previsível quando se tem, de um lado da negociação, uma potência militar moderna, com um currículo pontilhado de vitórias na região, e do outro um povo confinado a acampamentos de refugiados, esbulhado de sua identidade como nação, desarmado, movido unicamente pela consciência de seu direito à sobrevivência como povo organizado.

Obviamente a negociação entre desiguais, enquanto potências militares, não pode levar a soluções que contenham a soberania e o respeito mútuo entre as partes . O equilíbrio nas negociações só pode ser atingido caso as Nações Unidas tomem a si, ostensivamente, o compromisso com o destino do povo palestino, como tomou com a criação do Estado de Israel. Dia 16, segunda-feira, anuncia-se uma conferência de cúpola convocada com a finalidade de por fim às violências mútuas – das pedras e dos foguetes – tendo assento à mesa, além das partes litigantes, o Presidente Clinton, padrinho de uma das partes, e o Sr. Kofee Anan, pelas Nações Unidas. Caso este continue com sua posição de espectador do processo, caso não tome a si a responsabilidade da criação de um clima de diálogo em condições eqüitativas, então o Cel. Sharon será o grande vitorioso e o mais provável é que Arafat venha a ser oportunamente substituído por alguém mais "afinado" com as Novas Realidades do Poder Global. E, dependendo da maior ou menor facilidade com que isto venha acontecer, é possível que o modelo se aplique também a outros países militarmente fracos, economicamente subdesenvolvidos, onde ainda se ouçam brados indignados por liberdade, soberania e autodeterminação.

Alfredo Marques* é Pesquisador Titular Aposentado do CNPq, Diretor Científico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas;Professor Titular Visitante da UNICAMP; Livre Docente e Doutor da cadeira de Física da Escola Nacional de Química UFRJ: email:serena@npoint.com.br


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