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03027000082 - Environment Justice x Finance - Revisitando as origens da questão Palestina - Por Arthur Soffiati 17/10/00

Environment Justice x Finance

Revisitando as origens da questão Palestina

Por Arthur Soffiati*

Entre Tito, filho do imperador romano Vespasiano, que, no ano 70 da era cristã, destruiu o templo judaísta de Jerusalém, e Adriano, que arrasou esta cidade, em 135, processou-se a expulsão dos judeus da Palestina e a sua diáspora pelo mundo. Em 637, a região foi dominada pelos árabes convertidos ao islamismo. Começou, assim, o enraizamento de uma população que posteriormente daria origem aos palestinos. O território ocupado por eles nunca deixou de ser habitado por uma minoria de judaístas e foi sucessivamente dominado pelos cruzados europeus, pelos sultões mamelucos do Egito, pelos turcos otomanos e pela Inglaterra, após a primeira Guerra Mundial.

No final do século XIX, o judeu-austríaco Theodor Herlz fundou o movimento sionista, que tinha por objetivo reunir os judeus da diáspora num território que deveria constituir-se em seu lar nacional. Pressionando o governo britânico, o movimento sionista ganhou uma fértil e desabitada área na sua colônia africana de Uganda. O movimento sionista recusou a oferta e, em 1903, decidiu que o lar nacional dos judeus só poderia localizar-se na Palestina, que passou a ser pleiteada pelo slogan "Uma terra sem povo para um povo sem terra".

A "terra sem povo" contava, naquela época, com 574.000 muçulmanos, 70.000 cristãos e 56.000 judeus. Mas, incentivados pelo sionismo, judeus de vários pontos do mundo começaram a imigrar para a Palestina. Sob pressão contínua do movimento, o governo britânico, através de seu ministro do exterior, Arthur Balfour, enviou ao banqueiro judeu Rotchild uma carta com o seguinte teor: "O Governo de Sua Majestade encara com favor o estabelecimento da Palestina de um Lar Nacional Judeu, e empregará seus maiores esforços para a consecução deste objetivo, ficando claramente entendido que nada será feito que prejudique os direitos religiosos e civis das comunidades não-judias existentes na Palestina, ou os direitos e estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país."

Sobre esta carta, que passou a se chamar Declaração Balfour, Arthur Koestler sentenciou: "Trata-se de uma promessa pela qual uma primeira nação dava a uma segunda o território de uma terceira nação." Convém notar que a Grã-Bretanha, em 1917, ainda não detinha o mandato sobre a Palestina, o que só foi ocorrer em 1920. Com o nazismo, a imigração de judeus para a Palestina se intensificou.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas decidiu, em sessão de 29 de novembro de 1947, dividir o território da Palestina entre palestinos e judeus, cabendo aos primeiros 44% dele e aos judeus, 56%. Jerusalém foi considerada zona internacional. Com o fim do mandato britânico, em 1948, o Conselho Nacional Judeu e o conselho Geral Sionista proclamaram a criação do Estado de Israel. Neste mesmo ano, eclodiu a primeira guerra entre o Estado de Israel e Estados árabes vizinhos. Sete meses depois, Israel saiu vitorioso, ampliando seu território de 56% para 77% da Palestina. Um armistício firmado em 1949 deu a Cisjordânia à atual Jordânia e a faixa de Gaza ao Egito.

Em 1956, a nacionalização do Canal de Suez pelo governo autoritário de Gamal Abdel Nasser levou a França e a Inglaterra a intervirem no Egito. Aproveitando-se da conjuntura, Israel invadiu a península do Sinai. Sob pressão dos Estados Unidos e da União Soviética, no entanto, foi obrigado a retornar às linhas do armistício de 1949.

Com a terceira-guerra árabe-israelense, em 1967 –a Guerra dos Seis Dias- , o Estado Israel conquistou a península do Sinai ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as colinas de Golan à Síria. O território israelense quadruplicou. As conquistas foram condenadas pela Resolução nº 242. Mais uma guerra travou-se entre Israel e países árabes, em 1973. A partir de então, começaram a crescer a Organização para a Libertação da Palestina, tendo à frente Yasser Arafat. Neste mesmo ano, uma conferência de cúpula dos países árabes em Argel reconheceu a OLP como única representante do povo palestino.

Daí em diante, o conflito se tornou crônico, com fases agudas: a invasão do Líbano por forças israelenses, transformando o país mais pacífico do Oriente Médio em campo de guerra; as negociações de paz entre Israel e Egito; o endurecimento da Síria; a acomodação da Jordânia; os vários levantes de palestinos (intifada) na Cisjordânia; as frustradas tentativas de acordo sob os auspícios dos Estados Unidos. O recurso à história deste conflito parece imprescindível não para encontrar culpados, mas para identificar responsáveis. Israel não pode mais acusar os romanos e Hitler por suas desventuras. A Grã-Bretanha, a Alemanha, os Estados Unidos, o Brasil (que desempatou a votação pelo reconhecimento do Estado de Israel na ONU), os países árabes e principalmente o governo de Israel e a OLP têm o dever moral de buscar o estabelecimento de um estado de paz entre palestinos e judeus. Na verdade, todos aqueles que desejam um mundo mais justo devem trabalhar pela reparação da injustiça cometida contra o povo palestino.

 Arthur Soffiati é Historiador e escritor com vários livros publicados, especialista em História Moderna e Contemporânea pela Universidade Católica de MG, Mestrado em História Ambiental pelo Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da UFRJ, Doutorando em História Ambiental pelo IFCS/UFRJ e Professor da Universidade Federal Fluminense  email :soffiati@.censa.com.br


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