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Agua: Um alerta para a vida no Século XXI

Por Marcelo Baglione *

Agora não é mais ficção ou cena de cinema. Se a humanidade como um todo não abrir o olho, a escassez de água potável poderá se tornar uma das mais trágicas crises das próximas décadas. Vários fatores como o super aquecimento da Terra e a poluição do subsolo através de agroquímicos, por exemplo, estão contaminando e reduzindo cada vez mais os mananciais de água em todo o mundo.

O Ecoplaneta (Eco) convidou Maria do Carmo Zinato (MCZ), pesquisadora do Florida Center for Environmental Studies e coordenadora do Serviço de Informações sobre Água, Fonte d’Agua, para falar sobre a questão da água potável, fator vital para toda a vida na biosfera.

ECO: Quais as razões que estão levando as potências mundiais a se preocuparem tanto com a questão da água potável?

MCZ: As principais razões pelas quais TODAS as nações estão se preocupando com a questão da água potável é sua escassez em alguns casos e sua qualidade deteriorada em outros. Qualquer país preocupa-se, pois a economia local (agricultura e indústria) assim como a própria existência das cidades (abastecimento) dependem da água.
Enquanto bem de valor, a água poderá ser vista como uma commodity ambiental. Entretanto, nas palavras da economista Amyra El Khalili, coordenadora da Rede CTA, a commodity ambiental está lastreada não apenas na quantidade e qualidade da água, mas na ética com a qual ela foi "explorada" (qualidade do trabalho humano, proteção ambiental local, participação comunitária na gestão da bacia, recarga da fonte de onde foi retirada, etc). Aí então estaremos falando de necessidade x disponibilidade, segundo Alberto Palombo, do Centro de Estudos Ambientais da Florida e não de oferta x demanda. O ponto de vista muda, percebe?

ECO: Quais as atividade insustentáveis que mais põe em risco a qualidade da água hoje em dia?

MCZ: De acordo com a classificação dos usuários das águas, temos basicamente a agricultura, as indústrias e as cidades. Ironicamente, são as cidades - locais com maior concentração de técnicos, políticos, ambientalistas etc - e os usuários que não cuidam da sustentabilidade.

A agricultura, com orientação dos órgãos estatais, já está adotando práticas sustentáveis (plantio em curva de nível, coleta e reserva de água de chuva, tecnologia de irrigação que gasta menos água, etc) enquanto as indústrias já estão adotando a ISO 14000, de tanta multa e pressão das ONGs. Mas alguém lembrou-se de multar, alertar ou chamar a atenção dos prefeitos que administram ou dão a concessão dos serviços de água a empresas de saneamento? As cidades, hoje, são poluidoras das águas, pois poucas tratam o esgoto e muitos são os habitantes que deixam lixo e material de construção descer para os cursos d'água com as chuvas.

ECO: Que nações têm uma política ecologicamente sustentável; corretas, portanto, para a preservação de seus mananciais hídricos?

MCZ: Cada povo busca a solução mais adequada para seu caso. Nas Américas, o Chile tem um sistema todo privatizado e que parece resolver o problema deles, que têm controle absoluto das suas águas, das nascentes ao mar. A Colômbia também tem sido elogiada pelo sistema que está implantando. O Canadá e a Alemanha sempre foram apontados como os países mais preocupados com a sensibilidade ambiental. Os EUA têm vários modelos. Na Florida, por exemplo, o modelo é por bacia também, administrada por um Conselho e uma agência forte.

O nosso modelo, de bacias hidrográficas como unidade de planejamento, com Comitês e Agências de Água, é o francês e a base dele é a negociação entre os usuários e poluidores. Saber negociar é uma arte que precisa ser praticada.

ECO: Em um mundo ávido por água, o Brasil detém o maior manancial de água potável em suas bacias hídricas. O governo brasileiro está sabendo preservar e administrar esta reserva estratégica?

MCZ: Não é o governo brasileiro que vai preservar e administrar nossa reserva, somos nós. O Comitê é composto de um terço de governo, um terço de sociedade civil e um terço de usuários de água (indústria, agricultura e empresas de saneamento). O governo está colaborando conosco na formação desses comitês nos lugares onde ainda não existem. Mas ele é um terço apenas, enquanto outro terço é nosso, da sociedade organizada.

ECO: Que importância têm os aquíferos para a vida humana, e quais os maiores perigos que eles estão enfrentando atualmente?

MCZ: A importância é a vida. Descreva-a como quiser, do ponto de vista do abastecimento de comunidades, de manutenção de ciclos hídricos, de preservação de ecossistemas... o importante é a vida associada à existência da água.

O principal perigo é a despressurização. Furando poços sem um controle, retirando a água sem medir a quantidade, esvaziando esse reservatório subterrâneo, a água do mar invade o tanque porque a pressão é menor. É o grande problema das ilhas do Caribe, pra pegar um aquífero menorzinho e entender a lógica: esvaziou, o mar entrou! Água salobre não dá para o consumo humano, nem para a agricultura... daí muda tudo. A contaminação do aquífero pela infiltração de substâncias nocivas à saúde humana também é outro problema que não se pode esquecer.

Maria do Carmo Zinato é arquiteta pela Universidade Federal de Minas Gerais, Mestre em Planejamento Urbano e Rural pela Technical University of Nova Scotia (Canadá). Ex- assessora de planejamento da Prefeitura Municipal de Ponte Nova (MG). Pesquisadora visitante do Florida Center for Environmental Studies. Criadora e atual coordenadora do Serviço de Informações sobre Água, Fonte d’Agua,(fontedagua@ces.fau.edu) em português, do Florida Center for Environmental Studies (www.ces.fau.edu). Facilitadora da lista Pantanal 2025 e da Iniciativa Everglades Pantanal :(http://epi.ces.fau.edu).. E-mail:mariacz@ces.fau.edu.

Marcelo Baglione* é jornalista, escritor e colunista do site Ecoplaneta.Sessões Biosfera www.aventurese.com.br Polêmica e Televisão/Documentário www.aqui.com.br e  Ecoplaneta www.oplaneta.com/ecoplaneta , no site www.oplaneta.com


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