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03027000096 - Environment Justice x Finance  - Boletim da Marcha - 1 a 15 de outubro de 2000 - Mulheres, nas ruas, contra o machismo e o capitalismo neoliberal 29/10/00

Environment Justice x Finance 

Boletim da Marcha -  1 a 15 de outubro de 2000

Mulheres, nas ruas, contra o machismo e o capitalismo neoliberal

A imprensa anunciou a Marcha Mundial das Mulheres como uma nova forma de feminismo que trata do combate à pobreza e à fome. O melhor seria dizer que a Marcha tornou visível uma dimensão do movimento feminista que considera a opressão das mulheres como parte integrante do sistema capitalista, que adquire novas formas – ao lado da persistência de outras – em sua hegemonia neoliberal.

São mais de 6000 grupos em 159 países e territórios no mundo. Grupos de mulheres jovens, idosas, negras, imigrantes, sindicalistas, rurais, urbanas que mobilizaram quase 5 milhões de assinaturas de apoio às reivindicações da Marcha. Em todos os continentes as mulheres protagonizaram ações de denúncia e proposição de alternativas em nível local, nacional e internacional.

A resposta das instituições internacionais: FMI, Banco Mundial, ONU foi a mesma que escutamos das autoridades locais comprometidas com a globalização neoliberal. O cancelamento da dívida externa e o fim dos programas de ajuste estrutural, demandas extremamente concretas, foram desqualificadas. Dizem dialogar com a sociedade civil e só convidam para seus colóquios algumas pessoas consideradas por eles "propositivas". Afirmam ter realizado avanços significativos com programas pontuais destinados as mulheres, ou quando nos consideram um recurso barato disponível ao desenvolvimento ou ao amortecimento da pobreza.

Ocupamos a cena pública com uma agenda proposta pelo movimento de mulheres, reforçamos articulações já existentes ou criamos onde não haviam, ampliamos o debate feminista em grupos de base e movimentos mistos e atuamos em casos específicos de violência contra mulheres. Encontramos convergências de análise e construímos acordos políticos em torno de um programa de reivindicações e de estratégias de mobilização com mulheres de todo o mundo o que é um ponto de partida considerável para uma ação feminista internacional.

17 de outubro no Brasil

Brasileiras na Marcha: lutas e conquistas

O encerramento da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil, no 17 de outubro, se deu em manifestações em pelo menos 30 atos regionais, de que já temos notícias. Mais de 10 mil mulheres em todo o país estiveram trazendo ao conhecimento da sociedade não somente suas mazelas diante da violência e da pobreza a que são submetidas, mas sobretudo propondo saídas concretas para erradicar de vez estas e outras formas de opressão. E para dar continuidade ao movimento, mulheres de vários estados, como em Rondônia, por exemplo, na campanha "Desate o nó da violência", já estão se organizando em torno do 25 de novembro – Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher.

Lutas

Os fatos que marcaram a trajetória das mulheres brasileiras da Marcha, sobretudo em 2000, se exteriorizaram nas cruzes – símbolo da violência e da impunidade - empunhadas pelas capixabas, pelas paulistas, mineiras, piauienses, sergipanas; nos pirulitos de protesto contra a política econômica do governo, contra o caos na saúde e educação, em mãos das pernambucanas, alagoanas, brasilienses. Nas faixas de denúncias e reivindicações das potiguares e maranhenses, no pedágio de conscientização das matogrossenses, nos balões roxos e lilás que perpassaram pelas mãos das mulheres paraibanas, gaúchas, acreanas, goianas, paranaenses, margaridas, mulheres de todo o país, reivindicando políticas públicas efetivas para por fim à violência, acabar com a pobreza e as desigualdades sociais, econômicas e de gênero. Nas tochas acesas erguidas pelas roraimenses; nos documentos em mãos das tocantinenses que, como as margaridas, marcharam pelo apoio à produção agrícola, por um desenvolvimento rural sustentável.

Conquistas

A Marcha, com certeza, chacoalhou as mulheres, que encenaram e cantaram suas mazelas e sonhos para o país todo ouvir, com as Loucas de Pedra Lilás, de Recife, com a roda de tambor de Taim das maranhenses, com a Roda de Saia das cariocas, com a alegria sempre contagiante das mulheres brasileiras.

Se houve denúncias, houve também pressão durante essa longa Marcha, que resultou em algumas conquistas femininas – como o espaço lilás implementado pelo governo municipal de Belém, que garantirá às mulheres ligadas a cooperativas venderem seu artesanato; a abertura de Delegacias da Mulher e Casas-abrigo em várias localidades; a eleição de companheiras no último pleito, e muitas outras vitórias estão por vir nas inúmeras audiências marcadas pelos grupos de mulheres com autoridades dos vários setores.

Futuro

Para selar esta luta, que valeu até ameaças de morte a companheiras mineiras, em Mossoró/RN, as mulheres conseguiram um monumento em praça pública com o símbolo da Marcha e chumbaram no chão do Centro da Mulher, uma urna de aço com suas reivindicações para que sirva de referência às futuras feministas, que daqui a 20 anos poderão avaliar os sonhos e as conquistas das mulheres da Marcha Mundial no ano 2000.

Para ter um relato geral das atividades que aconteceram no Brasil por ocasião do encerramento da Marcha, acesse a nossa página na Internet: www.sof.org.br/marcha2000

17 de outubro nos EUA

Temos 2000 razões para exigir mudanças estruturais no sistema econômico neoliberal

A primeira parada das manifestações internacionais da Marcha Mundial de Mulheres foi Washington DC, nos Estados Unidos, sede do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A delegação inter-nacional, composta por quase mil mulheres de 90 países, foi recebida pela manifestação das mulheres dos Estados Unidos, que aconteceu no dia 15 de outubro, reunindo cerca de 8 mil mulheres. Junto com os temas internacionais, as norte-americanas denunciaram os retrocessos no direito ao aborto, nos programas sociais dirigidos às mulheres pobres e a persistência da violência sexista.

No dia 16 de outubro, uma delegação composta pelo comitê de enlace da Marcha Mundial participou de uma audiência com o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, e de outra com Horst Köler, diretor geral do FMI. As reivindicações imediatas feitas pelas mulheres foram: anulação da dívida de todos os países do terceiro mundo; fim dos programas de ajuste estrutural e suas variantes; transparência nos processos de negociação BM, FMI, Estados nacionais e sociedade civil; integração da dimensão gênero nas políticas e programas; aumento dos recursos financeiros para as mulheres.

A resposta de ambos foi a mesma, com variações de estilo. Nossas exigências que implicam mudanças de rumo nas políticas destas instituições foram desqualificadas e consideradas como recusa ao diálogo. Para eles só existe diálogo se dizemos o que querem ouvir: demandas por recursos pontuais que podem ser tratadas de forma periférica sem desviar um centímetro da receita neoliberal.

Cumplicidade da ONU

No dia 17 de outubro aconteceu o encerramento da Marcha com uma belíssima passeata que reuniu cerca de 5 mil mulheres de todas as partes do mundo. Éramos 15 mulheres vindas do Brasil e imigrantes segurando uma faixa "Brasil na Marcha Mundial de Mulheres" que fez enorme sucesso.

Ao mesmo tempo, ocorreu a audiência na sede da ONU com Louise Fréchette, secretária geral adjunta e Ângela King, assessora para questão de gênero. Neste momento mulheres das regiões em conflito como Afeganistão, Sérvia e Colômbia, testemunharam a grave situação em que se encontram e denunciaram a cumplicidade da ONU e de seus Estados membros. Lembramos que em mais de 50 países do mundo a homossexualidade é considerada um crime com punições que vão até a pena de morte.

O movimento continua

No dia 18 de outubro fizemos uma rápida avaliação da Marcha e indicações para o futuro. A Marcha foi uma oportunidade para a articulação ou retomada do movimento baseada na ação militante, nas manifestações de rua exigindo mudanças estruturais com a superação do capitalismo neoliberal e do patriarcado. Para o futuro, a proposta é reforçarmos nossa articulação iniciando pelas regiões e continentes e continuarmos as ações em torno das reivindicações. Queremos aprofundar nossas alianças com os movimentos sociais contra a globalização neoliberal e a incorporação do feminismo no debate e construção de alternativas. Um primeiro momento neste sentido é a participação no Fórum Social Mundial. Nós brasileiras saímos com o compromisso de organizar a vinda das mulheres que se mobilizaram na Marcha Mundial para o Fórum.

A federação de Mulheres de Quebec (FFQ), Secretaria da Marcha Mundial em nível internacional se responsabilizou em publicar um boletim de balanço, em janeiro de 2001 e organizar uma reunião internacional de avaliação até o final do ano 2001.

A reunião de avaliação da Marcha Mundial no Brasil deverá acontecer no 1º semestre de 2001, com a participação de representações nos estados, entidades nacionais e todas as mulheres interessadas

Destaque 

 Fórum Social Mundial

"Um outro mundo é possível"

O I Fórum Social Mundial acontecerá de 25 a 30 de janeiro de 2001, em Porto Alegre, com o objetivo de construir um novo espaço internacional de reflexão e organização com todos os que se contrapõem ao "pensamento único" e estão construindo alternativas às políticas neoliberais. O evento será realizado na mesma data em que em Davos, na Suíça, estarão reunidos os que promovem a atual ordem mundial no Fórum Econômico Mundial.

O Fórum já conta com o apoio de 450 organizações de 77 países dos cinco continentes. A Marcha Mundial das Mulheres faz parte do Comitê de Apoio Internacional ao Fórum.

A idéia da criação do Fórum teve sua origem nas mobilizações ocorridas na Europa contra o Acordo Multilateral de Investimentos (AMI), em 1998, bem como nas grandes manifestações em Seattle, durante o encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em novembro de 99, e naquelas realizadas no início deste ano em Washington, contra as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Bando Mundial.

Deverão participar do Fórum 2500 representantes de todo o mundo, sendo que o critério primeiro para inscrição é que a pessoa represente uma organização.

Presença da Marcha

Estão previstos painéis unificados na parte da manhã e, à tarde, oficinas e debates promovidos pelos movimentos sociais. Os painéis terão como eixo: a produção de riquezas e a reprodução social; o acesso às riquezas e a sutentabilidade; a afirmação da sociedade civil e dos espaços públicos; o poder político e ética na nova sociedade.

A Marcha Mundial das Mulheres 2000, como uma experiência da ação internacional auto-organizada do movimento feminista, será discutida no primeiro painel do terceiro eixo. Além disso, inscrevemos uma mesa de debate, na parte da tarde, sobre a Marcha, onde poderemos aprofundar a discussão e a troca com mulheres engajadas no movimento, vindas de outras partes do mundo.

Vamos juntas ao Fórum!

Gostaríamos de facilitar o entrosamento entre as participantes da Marcha Mundial durante o Fórum, por isso solicitamos a todas que forem participar avisarem com antecedência à Secretaria Nacional (endereço abaixo). As inscrições terão início no final de outubro e irão até 30 de novembro.

Mais informações: Telefone: (0xx11) 258-8914 - Fax: 258-8469 - www.forumsocialmundial.org.br // fsm2001@uol.com.br

Abaixo-assinado no Brasil: 139.555

Coordenação Nacional da Marcha:

Comissão das Mulheres: da CUT, da Contag, da CNB. Setorial de Mulheres da CMP. Secretaria Nacional de Mulheres do PT. MMTR-NE, UBM, Católicas pelo Direito de Decidir, PCB, OAB-Mulher, PSB, SOF.

Secretaria Nacional da Marcha:

R. Ministro Costa e Silva, 36, Pinheiros, São Paulo SP, 05417-080 - Tel/fax: 0XX11 3819-3876

Endereço eletrônico: marcha2000@sof.org.br - Página brasileira da Marcha de Mulheres na Internet: http://www.sof.org.br/marcha2000

Jornalista responsável: Ana Valim MTB 13003

Edição eletrônica: Juliana Ferreira

Divulgado por Fátima Oliveira email: <fatimao@medicina.ufmg.br>


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