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03027000099 - Environment Justice x Finance - Tabagismo entre Jovens - Por Sérgio Luís Boeira 04/11/00

Environment Justice x Finance

Tabagismo entre Jovens

Por Sérgio Luís Boeira *

Embora faltem pesquisas sobre os números e os motivos do tabagismo entre jovens (universitários ou não) em todo nosso imenso país, tem-se alguns dados parciais importantes. No mundo todo, há crescimento do tabagismo entre mulheres, entre garotas, na medida em que elas deixam de morar na casa de seus pais e começam a freqüentar cidades grandes, bares noturnos, boates, ambientes tradicionalmente ligados ao álcool e ao fumo, considerados "coisa de homem". As garotas, na adolescência, querem sentir-se parte de um grupo de referência que não seja a sua família, pois estão "explorando", conhecendo o mundo. A rebeldia, o risco, a coragem em consumir algo que oficialmente é considerado negativo dá um certo status superior às garotas diante dos rapazes. Há inclusive sites que estimulam as meninas e mulheres a fumar como sendo este um hábito sensual, enquanto as pesquisas médicas mostram o contrário, que toda a saúde é prejudicada (da pele ao pulmão).

Há um paradoxo forte em toda a América Latina, incluindo o Brasil: o tabagismo (consumo regular de tabaco) diminui entre os rapazes e homens na medida em que há mais escolaridade, enquanto entre garotas e mulheres aumenta justamente entre as que têm mais estudos. Isto revela o quanto ainda falta de educação sobre o corpo entre elas, e o quanto é forte a pressão social na adolescência. As empresas de cigarros têm estratégias de mercado voltadas especificamente para as mulheres e para os jovens, inclusive porque descobriram que, quanto mais cedo uma pessoa se torna dependente, mais dificuldade terá para abandonar o cigarro quando adulta. (Mais adiante eu trato de uma dessas estratégias industriais).

Uma pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo, realizada entre 1993 e 1997, concluiu que o percentual de adolescentes de 13 a 15 anos que já fumou algum cigarro na vida subiu de 24% para 32%. Uma outra pesquisa, da Santa Casa de Misericórdia, do Rio de Janeiro, com 800 fumantes, em quatro capitais, confirmou a tendência. Os brasileiros, dizem os pesquisadores, começam a fumar aos 13 anos, em média.

Além de estar associado à juventude, o tabagismo está cada vez mais associado à pobreza. As pessoas com mais renda podem fazer mais consultas médicas, freqüentam ambientes mais saudáveis, têm em geral mais acesso às informações por meio de revistas, etc. Entre os presidiários, por exemplo, o cigarro é muito comum.

Mundialmente, 47% dos homens e 12% das mulheres fumam, sendo que nos países da periferia e semiperiferia 48% dos homens e 7% das mulheres são fumantes. Nos países centrais (mais industrializados), 42% dos homens e 24% das mulheres são tabagistas. Parece claro que as indústrias de cigarros têm as mulheres, especialmente as mais jovens, como alvo.

O Instituto Nacional do Câncer estima que cerca de 32,6% da população adulta no Brasil são fumantes. Cerca de 90% dos fumantes ficam dependentes entre os 05 e os 19 anos de idade. Aqui existe um crescente equilíbrio entre o consumo de homens e mulheres, mas as estatísticas estão atrasadas neste aspecto.

É preciso considerar, além disso, que as estatísticas da Organização Mundial da Saúde – que apontam 1,1 bilhão de fumantes no mundo, estando 800 milhões destes nos países periféricos ou semiperiféricos –, referem-se a pessoas com mais de 15 anos...Como a média de início do consumo vem baixando para 13 anos, pode-se concluir que há mais fumantes do que os dados atuais indicam. Um dos motivos para isto é falta de responsabilidade de mercadores que vendem cigarros avulsos para crianças, aproveitando-se da completa falta de fiscalização. A propósito, os cigarros e cigarrilhas importados do Oriente, moda entre jovens, são mais perigosos e estão no mercado de forma irregular (advertências inexistentes ou em inglês, etc).

Agora, quanto às estratégias das indústrias para atingir os jovens, deve-se ressaltar que os chamados "baixos teores" são cuidadosamente calculados, sempre ficando acima do necessário para provocar a dependência química. As indústrias também têm misturado amônia ao tabaco, no processamento das folhas, para tornar o cigarro menos irritante nas primeiras tragadas e para facilitar a absorção de nicotina, que gera a dependência. ( O filme "O Informante", com Al Pacino, também mostrou isso).

No Brasil existe um site que trata didaticamente de tabagismo entre jovens: www.cigarro.med.br/ . A revista Trip, dirigida a jovens, tem uma página chamada Newscotina: www.revistatrip.com.br .

Sérgio Luís Boeira* é autor da Tese "Atrás da Cortina de Fumaça. Tabaco, Tabagismo e Meio Ambiente: Estratégias da Indústria e Dilemas da Crítica". Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2000. email: slboeira@matrix.com.br


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