03027000102 - Environment Justice x Finance - A importância de uma Educação para um Consumo Responsável e Sustentável - Por Fabíola M. Zerbini 08/11/00


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A importância de uma Educação para um Consumo Responsável e Sustentável

Por Fabíola M. Zerbini*

A crescente preocupação acerca da responsabilidade ambiental e social que o homem comum vem cultivando gera uma gama de questionamentos acerca do real papel deste homem dentro dos contextos de evolução da humanidade, entre eles, mais diretamente relacionado a este tema, o das relações de consumo.

Por certo, que a própria palavra "relação" enseja trocas. No nosso caso, os dois lados de uma relação de consumo, o consumidor e o fornecedor/produtor, ensejam, em cada ato desta relação, uma constante troca de ações e reações, perguntas e respostas. Nenhum destes lados caminha sozinho. A resposta de um provém da pergunta do outro. A dúvida de um, deriva da falta de transparência do outro. A capacidade crítica e as escolhas de um, ditam as regras e as diretrizes para o outro.

As relações de consumo, mesmo dentro deste sentido de troca, não vêm se desenvolvendo equilibrada e igualitariamente nestes últimos séculos, principalmente, nestas últimas décadas. O sistema econômico prevalecente e algumas de suas conseqüências (má distribuição de renda, concorrência, velocidade, descartabilidade, manipulação, dominantes e dominados, oferta, oferta e oferta...) entronizou o consumo como o caminho mais fácil para a felicidade. O american way of life, tão disseminado nos últimos anos, enfatiza o antropocentrismo no sentido de que o conforto humano vale mais do que qualquer perspectiva de limitação de um recurso natural, ou, de aumento da instabilidade e desigualdade social. Esta cultura do "conforto a qualquer custo", vem se mantendo nos últimos tempos graças a uma super estrutura, poderosa e influente. Satélites, computadores, propaganda e marketing, fortunas direcionadas para a pesquisa biotecnológica, abertura de novas regiões de produção, destruição de outras, lobbies sobre governos, marcas, produtos ampliados, inovadores, reduzidos ou aperfeiçoados, enfim, tudo é usado para que o consumidor estenda a mão sobre a prateleira do supermercado, ou ainda clique seu mouse, e compre, sem pensar na real necessidade daquele ato, ou ainda, nas conseqüências e amplitude de seu gesto.

Mas mesmo assim, toda relação continua supondo uma troca.

Se há imposição de um lado, há submissão do outro - e é exatamente este paradigma sobre quem dita as regras e como elas serão executadas que deve ser mudado.

As Leis de Proteção ao Consumidor, divulgadas mundialmente pela ONU há 15 anos (Resolução 39/85 – ONU – United Nations Guidelines for Consumer Protection), e implantadas em cada país ao seu tempo, assumem hoje uma grande força na luta pelo tão sonhado equilíbrio entre as duas pontas das relações de consumo. Mas elas não caminham sozinhas. Se há direitos, há também deveres. A tomada de consciência do consumidor quanto ao seu papel direcionador dos rumos mercadológicos e tecnológicos ditados pelas relações de consumo, enseja um exercício conjunto destes dois mecanismos.

Tanto é verdadeira tal afirmação que a própria ONU (Organização das Nações Unidas) vem desenvolvendo reuniões e seminários há pelo menos cinco anos de forma a complementar o já citado United Nations Guidelines for Consumer Protection com normas e padrões de conduta, a serem obedecidos tanto pelos produtores quanto pelos consumidores, que visem e objetivem a viabilização do Consumo e da Produção Sustentável. Tais reuniões, recomendadas e encaminhadas por dois órgãos da ONU – Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS) e Comitê Econômico e Social (ECOSOC), resultaram, em 1998, na elaboração de uma primeira minuta, intitulada Consumer Protection and Sustainable Consumption: New Guidelines for the Global Consumer, cujo conteúdo, após algumas alterações, foi aprovado este ano pela Assembléia Geral da Onu.

Portanto, considerando a premissa de que os processos produtivos existem para atenderem à demanda do consumidor, a participação deste na busca de um desenvolvimento ambientalmente equilibrado e socialmente justo, através do exercício dos seus direitos e deveres de forma responsável, não deverá ser considerada como maior do que suas possibilidades, e sim, a grande arma da humanidade nesta busca. Talvez a última que tenhamos...

Os atuais dados relativos aos impactos do consumo insustentável servem para convencer qualquer um sobre a importância dos trabalhos que visam desenvolver uma consciência responsável nos consumidores. Há estudos ("Brower e Leon, 1999" – com base em relatórios do EPA, Agência de Proteção Ambiental norte-americana e o California Comparative Risk Project) que indicam ser o consumo insustentável um dos grandes responsáveis por quatro dos principais problemas ambientais enfrentados pela atualidade, quais sejam, 1. Poluição do Ar; 2. Aquecimento Global; 3. Poluição das Águas e 4. Alteração de habitats.

Por outro lado, há também fortes e irrefutáveis indicações de que o consumismo desenfreado e inconseqüente ajuda a acentuar as desigualdades sociais. Se há exageros e irresponsabilidade no consumo de poucos, há carências básicas de muitos. Comprovadamente, 20% da população mais rica consome 86% dos produtos e serviços disponíveis, ao passo que os 20% mais pobres tem acesso a apenas 1,3% deste mesmo montante (Relatório da ONU – 1998).

Tais dados servem apenas para ilustrar o atual quadro de desequilíbrio e instabilidade provenientes, em grande parte, das relações insustentáveis de consumo. Poderíamos elencar muitas outras conseqüências, tais como a problemática dos resíduos sólidos, os números e a discrepância do desperdício, o aumento e a disseminação de epidemias nos países miseráveis, e claro, a brutal redução da qualidade de vida de todos nós, seja do ponto de vista individual ou grupal.

E qualidade de vida é, sem dúvida, algo que merece todos os nossos esforços e atenção...Nós não devemos perdê-la de vista, ou duvidar de sua viabilidade, mas sim, lutar, com as armas que nos são disponíveis, pela sua concretização no dia a dia de nossas vidas, no das vidas de nossas famílias, de nossa comunidade, de nosso ambiente, enfim, de tudo aquilo que nos cerca e com o que estamos constantemente nos relacionando e trocando a essência da vida.

E o exercício do consumo responsável é certamente um destes caminhos. Mas, para chegar lá, ainda precisamos quebrar algumas regras e condutas... Precisamos mostrar ao consumidor o seu papel de agente de transformação. Precisamos informa-lo acerca dos produtos e serviços para que as escolhas se façam de forma crítica e criteriosa. Precisamos, cada vez mais, pressionar pela abertura de canais de comunicação entre produtor e consumidor, tais como os selos verdes, ou de qualidade (bem como exigir a certeza e segurança destes selos). Enfim, precisamos pensar, com urgência, na necessidade de ações educativas e informativas que proporcionem e viabilizem o exercício da consciência do consumidor responsável.

Artigo inédito (utilizado, em parte, como justificativa do projeto de Intervenção Educacional do curso de Especialização em Educação Ambiental da Esalq – não veiculado em nenhum meio de comunicação).

Fabíola Marono Zerbini é advogada, aluna do curso de Especialização em Educação Ambiental do IPEF (Esalq/USP), monitora do Projeto "Consumo Responsável e Qualidade de Vida" da Pró-Lata, Diretora Executiva do Kairós – Instituto Ambiental pelo Consumo Responsável.

Email:<fabiolazerbini@uol.com.br>

Este artigo é parte da justificativa do projeto de Intervenção Educacional do curso de Especialização em Educação Ambiental da Esalq –


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