03027000103 - Environment Justice x Finance - Jornal do Brasil – 20.10.2000 - Fundos verdes existem - Por Fernanda Odilla 17/11/00


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Fundos verdes existem

Por Fernanda Odilla*

Especialista da Unesco diz que os recursos estão em busca das boas ideáis

Belo Horizonte, - "Recursos há, o que me faz pensar se realmente existem boas idéias." Com essa afirmação, Roberto Messias Franco, diretor da União Internacional de Conservação da Natureza (UICN), órgão da Unesco, provoca ambientalistas e revela que a América Latina dispõe de pelo menos U$ 110 bilhões para investir em meio ambiente. O dinheiro estaria disponível, segundo ele, em organismos nacionais e internacionais.

Franco alerta que 98% do esgoto na América Latina são jogados in natura em rios, córregos, lagos e mares. "O grande crime ambiental das cidades latino-americanas é o assassinato dos rios pela grande quantidade de esgoto lançada diariamente", diz.

O especialista vai além e contabiliza que 87% das áreas úmidas da América Latina não têm nenhum tipo de proteção. ‘Água é um recurso vivo que sustenta o meio ambiente e o solo, precisa ser cultivada", explica, ressaltando que esgoto não tratado causa desequilíbrios irreparáveis à natureza. Por isso, a regulamentação do uso da água e o gerenciamento das bacias hidrográficas receberam atenção especial dos ambientalistas e técnicos que participam do 2o Forum Latino-Americano sobre meio Ambiente, realizado na capital mineira dutante a Ecolatina 2000.

As políticas públicas, na visão de Franco, estão se desenvolvendo a passos lentos, mas já é possível perceber iniciativas significativas "Brasil e México são os países que mais evoluíram quando se trata de uso da água, principalmente ao incentivar a atuação das comunidades, de ONG’s e dos governos para tratar o principal fator de desenvolvimento", avalia, lembrando no entanto que ainda faltam boas idéias para remediar problemas.

De acordo com Franco, o Fundo Nacional do Meio Ambiente, do governo federal, dispõe de U$ 60 milhões para aplicar em municípios com até 120 mil habitantes que estejam dispostos a melhorar a gestão ambiental e proteger florestas nacionais, como a Mata Atlântica e a Amazônica. A agência americana USAID também quer investir recursos no país e já desenvolve projetos pilotos na Amazônia e no Pantanal, totalizando cerca de US$ 15 milhões.

A maior parte dos recursos a serem aplicados, explica Franco, vem do Banco Mundial, que disponibilizou aproximadamente US$ 110 bilhões para a América Latina.

Para resolver o problema do esgoto na América Latina, por exemplo, Franco calcula serem necessários US$ 60 bilhões. Só no Brasil, dois milhões de litros de esgoto são lançados nos rios diariamente e 16 das capitais brasileiras tratam menos de 1% do lixo que geram. Franco argumenta que um dos empecilhos é conseguir aplicar os recursos disponíveis em projetos grandes. "Eles preferem pequenas propostas", sustenta.

Ambientalistas culpam burocracia

Belo Horizonte – Os ambientalistas brasileiros mudaram o discurso que pregaram durante décadas. Muitos admitem que dinheiro para proteger o meio ambiente realmente não falta, mas reclamam que seus projetos quase nunca chegam às mãos dos investidores. "Falta, muitas vezes, vontade política. Os órgãos mundiais de financiamento têm aberto linhas de crédito, mas a negociação emperra na burocracia dos procedimentos internos dos órgãos responsáveis pela elaboração ou aprovação de projetos", diz o advogado e especialista em legislação ambiental Micheas Bueno Godoy, um ativista de "carteirinha", que participou ontem do encerramento da 3ª Conferência Latino-Americana de Meio Ambiente (Ecolatina).

Ao término dos trabalhos, foi lida a Carta de Belo Horizonte, que tem como destaque principal, a gestão da água.

Para a Presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Patrícia Buson, falta um articulista eficiente para levar uma idéia, de uma forma interessante, a quem tem dinheiro. "Recurso existe e projetos também. Falta facilitação no acesso, por isso os projetos empacam nas agências de fomento", acredita.

É exatamente isso que a coordenadora de Gestão de Negócios do Sindicato dos Economistas de São Paulo, Amyra El Khalili, vem tentando fazer. Ela defende uma maior comunicação entre os diversos setores da sociedade para elaborar projetos e angariar recursos. "A Ecolatina foi importante para mostrar que é preciso estimular a criação de projetos na área ambiental, utilizando recursos disponível nas instituições financiadoras", sustenta, repetindo um dos principais itens da Carta de Belo Horizonte, formulada ao final dos evento.

Carta – Depois de quatro dias de discussões na 3ª Ecolatina, ambientalistas, estudantes e autoridades governamentais definiram que a gestão da água será a prioridade política ambiental na América Latina. Na carta redigida ao término do evento, a água é citada em 11 dos 14 itens. "Foi ponto comum em todos os debates e seminários. É uma questão grave e necessita de ações urgentes", enfatiza o coordenador geral da Ecolatina, Ronaldo Gusmão, destacando a urgente necessidade da despoluição de mananciais e tratamento de esgotos.

Satisfeito com o resultado da conferência, que reuniu mais de três mil pessoas, Gusmão enfatiza, contudo, que de nada adianta todas as discussões se não houver um envolvimento da sociedade. Para isso, um dos itens da carta prega uma maior reflexão sobre o papel das ONGs e suas relações com todos os segmentos da sociedade. "Todos já sabem que o meio ambiente é uma questão importante, agora o desafio é conscientizar e educar o cidadão comum", assinala, destacando que é preciso evidenciar o valor social da água.

Além de representar uma alternativa econômica, a água, na opinião da maioria dos participantes da Ecolatina, é garantia de sobrevivência e, num futuro próximo, de riqueza. Por isso, os organizadores da Conferência planejam eleger como tema da próxima edição o saneamento básico, para minimizar os impactos nos mananciais.  


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