03027000107 - Environment Justice x Finance - Sete Anos depois de Oslo - 15 de Novembro de 2000 - Palestinos: A contribuição da história para reparar uma Injustiça - Por Arthur Soffiati 18/11/00


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Palestinos: A contribuição da história para reparar uma Injustiça

Por Arthur Soffiati*

Para que serve a história? Sob os influxos da História Nova, sofisticação da Escola dos Annales, nascida oficialmente em 1929, na França, a resposta dada a esta pergunta é: para nada. A história é uma invenção dos historiadores, um exercício intelectual prazeroso para quem produz e para quem consome, mas inútil como contribuição para a construção da justiça, da liberdade, da beleza e da qualidade de vida.

Mais recentemente, está havendo uma reação a esta postura intelectualista e hedonista da história. Os marxistas reducionistas continuam considerando a história como um instrumento de luta e não um saber que explique a luta de classes. Os marxistas mais sofisticados, como Perry Anderson, procuram mostrar, com bastante erudição, que a história não acabou com a queda do Muro de Berlim, o fim da União Soviética, a falência do Pacto de Varsóvia e o esfacelamento da Iugoslávia, como proclamou Francis Fukuyama. Noiriel, alisando o que ele denomina crise da história, propõe que voltemos a conferir um caráter pragmático positivo à história, isto é, que retornemos a prática de recorrer à história como instrumento que possa contribuir na solução de problemas presentes. Mesmo Lowenthal, com sua concepção altamente artificilialista da história, sustenta que esta, conquanto uma invenção do historiador, continua a ser uma necessidade para qualquer povo, pois ela é que fornece a base para a identidade nacional. É por esta perspectiva que entendemos a história.

Se os judeus dizem que o povo palestino é uma criação dos árabes, não menos correto é afirmar que os judeus são também uma criação do movimento sionista. Na diáspora, os judeus só mantiveram sua unidade cultural com o judaísmo. O hebraico foi esquecido. Tanto assim que os fundadores do Estado de Israel tiverem de recriá-lo para se transformar na língua nacional.

Se os judeus foram vítimas dos romanos e da barbárie nazista, também os árabes palestinos foram vítimas das organizações terroristas judaicas Irgun, Stern e Haganah, tendo esta última se transformado no exército nacional israelense depois da auto-proclamação do Estado de Israel, em 1948. Para fincar pé na Palestina, ocupada por povos árabes islamizados desde o século sétimo da era cristã, os judeus se tornaram uma potência militar e têm usado armas sofisticadas contra os palestinos. O povo palestino continua a ser vítima de violência, com os judeus usando armas modernas e potentes e os palestinos recorrendo a pedras e a estilingues. O historiador inglês Arnold Toynbee comentou num debate mantido com o embaixador de Israel no Canadá em 1961: "O que é realmente trágico é que um povo que sofreu certa coisa, e que teve experiência a respeito inflige o mesmo sofrimento a outro povo."

Se os judeus reagem à violência dos palestinos e dos países árabes com violência maior, é necessário ter em mente que a violência primeira consistiu na criação do Estado de Israel, depois da partilha efetuada no território palestino em 1947 entre palestinos e judeus e da proclamação de sua existência político-jurídica em 1948, com o reconhecimento da Organização das Nações Unidas. Após quatro guerras com os árabes, entre 1948 e 1973, Israel tornou-se uma potência no Oriente Médio. Não há mais lugar para a proposta extremista de jogar Israel ao mar. Ele já é uma realidade arraigada com uma história própria. Por outro lado, não há também como negar a existência de um movimento em prol de um Estado Palestino desde 1947. Há quem argumente contra a criação deste Estado sustentando que, a se fazer justiça aos palestinos, é necessário reformular todo o mapa mundial para atender a reivindicações potenciais. Ora, a questão palestina não é potencial, mas efetiva. Existe concretamente. Não é uma hipótese, uma possibilidade, como a reivindicação pela Espanha dos territórios que lhe pertenciam pelo Tratado de Tordesilhas e que foram incorporados por Portugal à colônia do Brasil. Não existe este movimento, mas o movimento palestino existe e é preciso encontrar uma solução justa para ele.

A solução parece ser o cumprimento dos Acordos de Oslo, firmados em 1993 por Yitzhak Rabin e Yasser Arafat. Por estes acordos, ficou decidida a criação de uma Autoridade Nacional Palestina, a ser transformada, em 15 de novembro de 2000, no Estado Palestino, reunindo a faixa de Gaza e a Cisjordânia, com capital na parte antiga de Jerusalém. De ambos os lados, surgem pressões para que os Acordos de Oslo não sejam respeitados. Em Israel, o primeiro-ministro Ehud Barak, pressionado por partidos políticos de direita e grupos judaístas extremistas tenta sabotar a efetivação do Estado Palestino. Os habitantes palestinos da faixa de Gaza e da Cisjordânia, bem como de outros países, com apoio da Liga dos Estados Árabes, tende para a radicalização e para a alimentação do conflito com Israel.

Como uma nova guerra entre árabes e Israel só acarretará novos massacres, mas não extinguirá o povo palestino nem dissolverá o Estado de Israel, a melhor solução só pode ser a paz, ainda que precária. Uma paz que permita a organização do Estado Palestino e um clima favorável à construção de um novo status quo com caráter inter-retro-ativo: paz precária® consolidação da paz® estabilização da paz. Sem ela, toda humanidade e o meio ambiente sofrerão direta ou indiretamente. Portanto, trata-se de uma causa de todos. Não basta desejar a paz. É preciso fazer algo por ela. O caminho mais promissor, neste momento, parece ser a promoção de um fórum presidido pela Organização das Nações Unidas, com a participação da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, dos países árabes e das duas partes em conflito. Da minha parte, sugiro uma enxurrada de mensagens eletrônicas ao Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, ao Presidente dos Estados Unidos, ao Primeiro Ministro da Inglaterra, à Liga dos Estados Árabes, ao Primeiro-Ministro de Israel e ao Presidente da Autoridade Nacional Palestina: "QUEREMOS E PRECISAMOS DA PAZ."

Arthur Soffiati é Historiador e escritor com vários livros publicados, especialista em História Moderna e Contemporânea pela Universidade Católica de MG, Mestrado em História Ambiental pelo Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da UFRJ, Doutorando em História Ambiental pelo IFCS/UFRJ e Professor da Universidade Federal Fluminense  email :soffiati@.censa.com.br

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