03027000108 - Environment Justice x Finance - Ulianópolis e sua Matriz Energética Equivocada - Por Gert Roland Fischer 18/11/00


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Ulianópolis e sua Matriz Energética Equivocada

Por Gert Roland Fischer*

Ulianópolis fica no Pará e foi alvo de reportagem nacional televisiva no dia 10 de Novembro de 2000. Motivo : a fumaça da queima de resíduos de madeira das serrarias locais estava intoxicando e matando o seu povo.

Assim como Ulianópolis, a matriz energética de toda a Amazônia depredada pelas serrarias autorizadas pelo IBAMA, está totalmente equivocada.

Conheci a matriz energética de Juruena-MT em 1993 quando realizava auditoria ambiental em projeto florestal de uma industria multinacional na região.

A queima de 2.000 litros diários de óleo diesel para gerar energia elétrica em Juruena - 3.500 habitantes, produzia Kw/h extremamente caros do Brasil. Experiências realizadas em industria têxtil em Jaraguá do Sul - SC em 1981, para levantar custos na geração de vapor, apresentava os seguintes resultados:

n.

combustível

Kcal.

Custo/kg. Vapor

%

00

Óleo Diesel *

?

?

?

01

Óleo BPF

12.000

Cr$ 1,45

100,0

02

Lenha

6.000

Cr$ 0,62

42,0

03

Serragem

7.000

Cr$ 0,27

18,0

(*) não fora incluído o óleo diesel por ser economicamente inviável

A pesquisa demostrou a escancarada viabilidade do uso de resíduos de madeira em substituição ao óleo Diesel.

Certificada pela norma ISO 14.001 em 1999.

O caso de Ulianópolis no Pará, como o de Juruena no MT, são exatamente iguais. O óleo diesel é queimado pelas prefeituras para gerar a mais cara energia elétrica do planeta. As pequenas cidades que florescem no entorno das milhares de serrarias amazônicas que freneticamente transformam em tábuas as gigantescas toras da floresta tropical, realizam economicamente algo em torno de 20% do total bruto de uma árvore, representando essas sobras montanhas de combustíveis energéticos. O não aproveitamento desses resíduos pode ser considerado um gigantesco absurdo e um desperdício que não pode ser admitido pela comunidade planetária atual.

Só Juruena em 1992 queimava 200 m3 ( 15 carretas ) de pontas, aparas e serragem das toras serradas por dia. A vila mantinha-se permanentemente envolta numa nuvem de fumaça, defumando seu povo, seus operários e suas casas. O alto índice de doenças respiratórias confirmava duplamente o equívoco da matriz energética. A matéria prima florestal de uma só industria madeireira de Santa Catarina que lá se instalou no final da década de oitenta seria suficiente para a geração de energia elétrica da pequena cidade.

Todo o óleo diesel queimado para geração de energia elétrica nas vilas da Amazônia que está sendo picada e serrada, vem das refinarias localizadas há mais de 3.000 km. de distância.

Gert Roland Fischer* Eng. Agrônomo especialista em Mata Atlântica, possui em regime de manejo 75 ha que recuperou a partir de 1979, autor do livro Manejo sustentado de bosques nativos - 1983, editor entre 1980 e 1986 do informativo madeireiro e Florestal. É auditor Ambiental acreditado. ambiente@ekolink.com.br

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