03027000110 - Environment Justice x Finance - O Efeito Estufa e o Valor do Resgate do Sequestro - Por Sérgio de Mattos Fonseca 22/11/00


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O Efeito Estufa e o Valor do Resgate do Sequestro

Por Sérgio de Mattos Fonseca*

Um dos fatores determinantes da sobrevivência de espécies em seus habitats é a temperatura. Através do equilíbrio térmico os ecossistemas mantém suas características, possibilitando o desenvolvimento da vida nas suas mais diversas formas.

O efeito estufa é um fenômeno atmosférico de origem antrópica em que a temperatura do planeta é aquecida lenta e gradualmente, podendo a longo prazo causar alterações significativas na distribuição dos ecossistemas planetários. O fenômeno vem se manifestando principalmente em função da atividade econômica humana. Esta despeja na atmosfera grande quantidade de gases, cujo comportamento assemelha-se ao de uma estufa, que ao mesmo tempo em que permite a passagem da radiação solar e do espectro infra-vermelho desta, dificulta sua saída, assim potencializando seu principal efeito: o aquecimento do ambiente. As preocupações com o fenômeno reportam a 1988 com a criação no âmbito do PNUMA/UNEP (United Nations Environment Programe) e da Organização Mundial de Meteorologia (WMO), do IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change.

São os seguintes os GHG (greenhouse gases ou gases do efeito estufa):  gás carbônico ( CO2 ), responsável por mais de 50% do efeito, o Vapor d'água ( H2 O ), o Metano ( CH4 ), o Óxido Nitroso ( NO2 ), o Ozônio ( O3) das camadas baixas ) e os Cloro-Fluor-Carbono ( CFC's ). Esses são assim conhecidos pela maior capacidade de absorção dos raios infra-vermelhos, gerando sobre as áreas impactadas um maior aquecimento e influindo no balanço térmico do planeta. São oriundos de processos industriais, da descarga de veículos automotores, de produtos químicos utilizados como fertilizantes, da combustão incompleta, de processos que envolvem os microrganismos do solo e dos eletrodomésticos e sistemas de calefação. Esses subprodutos do conforto podem causar enormes transtornos à espécie humana, como o aumento da temperatura na Terra, já observada pelos Institutos de Pesquisa e percebida pelo senso comum através da intensificação do calor ao longo das estações. Outra conseqüência é o incremento do derretimento das calotas polares, provocando o aumento do nível dos mares e, extrapolando, a possível mudança do eixo do planeta em função do derretimento de grandes massas do gelo polar, menos denso, passando a fazer parte da água, mais densa, dos oceanos, alterando a distribuição de peso do planeta.

Atualmente farta bibliografia discorre sobre as diversas experiências e comprovações da eficiência de projetos de recomposição de ecossistemas, da floresta tropical ao cerrado, visando o sequestro do carbono atmosférico e a minimização do efeito estufa. A relação crescimento e biomassa de espécies como Tabebuia vellosoi e outras da floresta atlântica, usadas em projetos de reflorestamento, é conhecida e associada a eficiência de sequestro de carbono em comparação a espécies exógenas, como por exemplo o eucalipto. Outras espécies da família Bromeliaceae de ocorrência tanto em Mata Atlântica como em Manguezais, embora facilitadoras da biodiversidade, simplesmente não são contempladas em quaisquer desses ou daqueles projetos. Da mesma forma os manguezais, ecossistema associado a Mata Atlântica e não menos importante, não tem sido lembrados nesses estudos pela comunidade científica. A eficiência para o sequestro do carbono atmosférico das espécies de sua flora podem ser comparadas com aquelas de Mata Atlântica, assim como a valoração econômica – ecológica desses esforços. Mattos (1998) vem desenvolvendo plantio de Laguncularia racemosa em Itaipu, RJ, Field (1997) organizou coletânea que descreve as principais experiências de restauração de ecossistemas manguezais entre os trópicos, ambos disponibilizando dados que aguardam sistematização para correlação da biometria com o sequestro do carbono atmosférico.

Não se trata de uma tarefa simples, a valoração dos esforços para a recomposição de áreas degradadas como contribuição ao sequestro do carbono atmosférico, porém factível, como destaca Carson (1998):" This is not to say that contingent valuation could not be used to value a program to prevent global warming, but rather that valuing a program to prevent global warming is likely to be more dificult than valuing a set of tropical rainforests."

Sérgio de Mattos Fonseca* é Economista, Mestrando do Programa de Pós - Graduação em Ciência Ambiental da UFF, diretor da APREC Ecossistemas Costeiros especialista em Valoração Econômica - Ecológica de Impactos Ambientais e de Ecossistemas Costeiros Tropicais, diversos artigos publicados sobre o assunto, Consultor Ambiental registro IBAMA n° 3570 / 97

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