03027000111 - Environment Justice x Finance - População Brasileira: Estado, Cidadania e Meio Ambiente - Por Sérgio Luís Boeira 01/12/00


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População Brasileira: Estado, Cidadania e Meio Ambiente

Por Sérgio Luís Boeira *

Há dois principais problemas no mundo que, se não forem resolvidos satisfatoriamente, bloquearão as tentativas de solução de todos os outros: a explosão populacional e a erraticidade do clima. Isto porque, se a humanidade não conseguir estabilizar o seu próprio crescimento e promover uma transição energética que viabilize o equilíbrio climático, não restarão mais ecossistemas e tempo para salvá-los do colapso. Palavra do Worldwatch Institute. Limito-me a tratar do primeiro, com ênfase no Brasil.

Na Constituição de 1988, consta que, fundado nos princípios da dignidade humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar "é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito (...)". Embora esteja ocorrendo uma desaceleração do crescimento populacional no Brasil, os governos estaduais e municipais não têm cumprido seu dever de criar programas de planejamento familiar visando a qualidade de vida, a sustentabilidade ambiental e a possibilidade de redução das desigualdades sociais.

Os brasileiros têm optado por atacar as conseqüências, em vez de ir às causas dos problemas socioambientais. Temos a sexta maior população – 167 milhões – de um planeta que já conta com 6,2 bilhões de habitantes. Pouco antes de 1930, o mundo tinha 2 bilhões. O Brasil, entre 1970 e 80, passou de país agrário para predominantemente urbano, mas com um urbanismo caótico, predatório, com ruas congestionadas. Passamos de 119 para 146 milhões entre 1980 e 1991. O IBGE previa em 70 que no ano 2000 seríamos 200 milhões, ou seja, 33 milhões a mais do que realmente somos. Felizmente, diversos fatores contrariaram culturas religiosas (que até hoje rejeitam preservativos e anticoncepcionais) e a política de promoção da natalidade, que visava "ocupar espaços" e gerar mão-de-obra. Há, segundo as estimativas oficiais, cerca de 40,6 milhões de "famílias extensas" no Brasil, sendo que deste total 7,7 milhões (19%) estão em áreas rurais. É muito, se considerarmos a relação entre recursos financeiros, tecnologia, cultura e meio ambiente.

A gravidez na adolescência, entre 15 e 19 anos, representa 20% do total de jovens em Santa Catarina. Como sobrevivem as mães-meninas? E seus filhos? Discriminados e mal-amados desde a infância. Este é o berço do desemprego e da violência num contexto de revolução tecnológica pós-industrial. O Programa Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil é uma gota no oceano. Os esforços no sentido de gerar emprego e renda falham por não confrontar a educação sexual massiva e o planejamento familiar com a cultura católica ou machista. Com a extrema desigualdade social existente seria razoável uma forte política de adoção de crianças pobres pelas famílias ricas e planejadas. Mas entre estas a pobreza é objeto de piada e não de política.

Nos meios de comunicação de massa promove-se, via de regra, a deseducação sexual, o sensualismo virtual, que tem enorme sucesso como liberação mas não como liberdade. O Brasil vive o apogeu da hipocrisia: oscila entre o culto dos bum-buns e o das animações religiosas massificadas Indiscutivelmente, temos belezas naturais, corporais e humanas, mas as valorizamos de forma um tanto esquizofrênica. Exemplo disso, no que se refere a meio ambiente, está na própria escolha do nome "Brasil", derivado de um dos maiores projetos de devastação ambiental da história (o do Pau-Brasil). Tomara que a eleição de Marta Suplicy sinalize, como parece, uma contratendência a estas irracionalidades.

Sérgio Luís Boeira é Doutor em Ciências Humanas (UFSC) e professor da UNIVALI email: slboeira@matrix.com.br


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