03027000116 - Environment Justice x Finance - Hotel News  - www.ziptravel.com.br - IEB - Instituto Brasileiro de Ecoturismo - Entrevista com João Meirelles Filho - Por Beatriz Pinto Semprini 05/12/00


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IEB - Instituto Brasileiro de Ecoturismo

Entrevista com João Meirelles Filho

Por Beatriz Pinto Semprini*

Fundado em 1995, o Instituto Ecoturístico Brasileiro - IEB, surge no contexto nacional com o objetivo de organizar e unificar toda a cadeia ecoturística que compreende desde empresários, operadoras e agências de viagem, meios de hospedagem, entidades ambientalistas, entre outras pessoas ligadas a área. Uma de suas prioridades é incentivar o ecoturismo através da elaboração de um código de ética visando certificar o profissional do setor.

João Meirelles Filho, presidente do IEB, aponta como principal solução a capacitação dos profissionais e a valorização de três aspectos fundamentais para o desenvolvimento do ecoturismo: respeito pela comunidade local, preservação do meio ambiente, e garantir ao turista a chance de viver uma experiência única formando uma consciência ambientalista em relação aos patrimônios natural e cultural do país.

Ziptravel: O que é o IEB?

JMF: O IEB é uma instituição associativa que procura congregar pequenos e microempresários do setor de ecoturismo como agentes, operadores, entidades ambientalistas, consultores e o governo para que esse setor se fortaleça. A entidade possui quatro anos de atividades e congrega 200 associados, tendo realizado três congressos nacionais de ecoturismo nas cidades que possuem pólos ecoturísticos: Bertioga (SP), em 96, Floranópolis (SC), em 97 e Itabuna (BA), em 98. Como prioridade, o IEB se dedica a área de capacitação de recursos humanos através da realização de cursos práticos e rápidos.

Ziptravel: Como consistirá a programação desses cursos?

JMF: Inicialmente, serão ministrados 12 cursos em São Paulo até o final do ano, que serão proferidos por professores, consultores e demais profissionais da área. Estes cursos serão dirigidos ao empreendedor de ecoturismo, proprietários de agências, operadoras, de hotéis, de pousadas, guias turísticos, entre outros. O curso básico de ecoturismo, por exemplo, fornece uma noção geral sobre esse segmento, como legislação, questões voltadas à natureza, a sociedade, tipos de negócios existentes, entre outras. Já curso de orientação geográfica é dirigido ao profissional de campo e que já atua na área. Também serão ministrados cursos para guias turísticos, cursos de montanhismo para instrutores, cursos de primeiros socorros etc. Durante os últimos quatros anos, o IEB já treinou cerca de 500 pessoas e a 2001, terão caráter permanente. Futuramente, pretendemos realizá-los em outras regiões do país. O número de vagas oferecidas são limitadas e gira em torno de 15 a 20, por isso as reservas devem ser antecipadas. Vale ressaltar que a grande vantagem é que esses cursos são de curta duração.

Como consistirá a programação desses cursos?

Ziptravel: Quais os trabalhos que o IEB vem realizando?

JMF: Uma das nossas atividades foi a conclusão de um estudo inédito no país sobre o levantamento dos Pólos de Desenvolvimento do Ecoturismo no Brasil. Encomendado pela Embratur, este estudo foi coordenado por Guilherme Wendel de Magalhães e consumiu dois anos de pesquisas. Neste estudo, constatamos que o território brasileiro possui cerca de 6.000 municípios, porém, cada um deles se considera ecoturístico. Neste trabalho, tivemos que orientar o poder público e as autoridades governamentais de cada região a partir da definição de algumas prioridades. Ao todo, foram apontados 88 pólos de ecoturismo e dentro de cada um deles será necessário determinar suas próprias diretrizes. Os estudos foram realizados em campo com a participação de agentes públicos e privados locais, entre outros.

Ziptravel: Quais os trabalhos que o IEB vem realizando?

JMF: Inicialmente, serão ministrados 12 cursos em São Paulo até o final do ano, que serão proferidos por professores, consultores e demais profissionais da área. Estes cursos serão dirigidos ao empreendedor de ecoturismo, proprietários de agências, operadoras, de hotéis, de pousadas, guias turísticos, entre outros. O curso básico de ecoturismo, por exemplo, fornece uma noção geral sobre esse segmento, como legislação, questões voltadas à natureza, a sociedade, tipos de negócios existentes, entre outras. Já curso de orientação geográfica é dirigido ao profissional de campo e que já atua na área. Também serão ministrados cursos para guias turísticos, cursos de montanhismo para instrutores, cursos de primeiros socorros etc. Durante os últimos quatros anos, o IEB já treinou cerca de 500 pessoas e a 2001, terão caráter permanente. Futuramente, pretendemos realizá-los em outras regiões do país. O número de vagas oferecidas são limitadas e gira em torno de 15 a 20, por isso as reservas devem ser antecipadas. Vale ressaltar que a grande vantagem é que esses cursos são de curta duração.

Ziptravel: O IEB mantém parcerias com entidades nacionais e internacionais?

JMF: Além de termos uma estreita ligação com a Embratur, também mantemos um convênio com a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo para levantamento de destinos ecoturísticos. Além disso, fazemos algumas ações conjuntas com a SOS Mata Atlântica, entidades ambientalistas e estudos para diversos veículos de comunicação. No exterior, firmamos uma parceria com o Centro Europeu de Formação Ambiental e Turística (CEFAT), na Espanha. Em setembro, iremos participar do 1o Congresso Mundial de Turismo Rural, na cidade de Perudia, Itália.

Ziptravel: A nível mundial, qual a importância do ecoturismo?

JMF: O Brasil não é um dos países mais desenvolvidos nesta área. A Europa tem uma tradição avançada e descobriu que fazer turismo priorizando apenas a beleza do litoral não é o suficiente para promover o desenvolvimento da região. Países como Espanha, Itália e França investiram maciçamente nessas áreas. Há alguns anos, houve um grande movimento com a participação de governos e ONGs para treinar empresários do setor, guias, entre outros, para receber pessoas e transformar suas riquezas naturais em um atrativo organizado. Hoje, observamos que existe uma grande emissão de pessoas de países europeus e dos EUA em busca de ecoturismo. Calcula-se que o mercado mundial neste tipo de turismo seja da ordem de 8 milhões de pessoas partindo dos EUA, 20 milhões da Europa, e de 2 a 3 milhões saindo de outros continentes. Desse conjunto de aproximadamente 30 milhões de turistas, o Brasil recebe menos de 1%. A Amazônia, por exemplo, considerada a grande estrela ecoturística do país, recebe apenas 0,16%. Em virtude de vários estudos, contatou-se que o maior problema do Brasil é a falta de pessoas qualificadas. A Costa Rica, por exemplo, um país menor que o Estado de São Paulo, recebe 600 mil visitantes por ano para fazer ecoturismo, enquanto que a Amazônia atrai somente 50 mil.

Ziptravel: Quais as ações que o IEB vem fazendo para profissionalizar o setor?

JMF: : Apesar das ações serem bem intencionadas, temos o receio de que o governo regulamente qualquer coisa. O IEB sugere a introdução de códigos de ética. Nós elaboramos nosso próprio código que contempla operadoras e agências, comunidade, destinos e clientes. Recentemente, lançamos um código específico para rafting, canoagem, e outros esportes de aventura. Para se ter uma idéia, há cinco anos, existiam apenas duas empresas de rafting no país e hoje o mercado conta com 26. A onda que existe hoje no setor acaba atraindo várias pessoas que querem desfrutar de uma pequena fatia do mercado sem ter noção do que realmente é o ecoturismo. Muitas vezes, não é por maldade, mas por ingenuidade. Isto faz com que o setor seja considerado pirata. Vale ressaltar que 90% dos guias atuantes no mercado são piratas. Por isso, o IEB tem um enorme comprometimento com a profissionalização desta área.

Ziptravel: Na sua opinião, quais os incentivos que o governo federal poderia dar ao setor?

JMF: : A meu ver, se o governo pudesse colaborar dando recursos para custear cursos, seminários, congressos, estudos, o setor teria condições de se organizar por conta própria. O discurso do ecoturismo tanto dos governos federais e estaduais é muito distante da realidade do que se aplica em verbas para o setor. As autoridades governamentais tem dado algum apoio, mas ainda é insuficiente em vista da atual demanda do mercado.

Ziptravel: Como o IEB analisa a forma de exploração do pontos ecoturísticos?

JMF: O instituto percebe que o que era visto como um hobby, agora está se profissionalizando e somente irá sobreviver aquelas empresas que investirem na capacitação dos recursos humanos. O número de agências, de hotéis e de pousadas vem crescendo rapidamente, o que é normal em um setor novo como o ecoturismo. Uma forma de orientação para o turista seria a colaboração dos meios de comunicação na divulgação de empresas que atuam no mercado. Isto pode ser feito em conjunto com associações atuantes no setor para saber a idoneidade da empresa e do que está sendo oferecido.

Ziptravel: As faculdades de turismo têm colaborado para o aumento da capacitação dos profissionais?

JMF:As faculdades não evoluem na mesma velocidade da realidade do mercado. As entidades como o IEB e outras associações da área poderiam ministrar cursos, palestras, seminários para aprofundar os conhecimentos dos alunos, mas infelizmente as escolas não querem pagar os profissionais que se dispõem a participar desse trabalho.

Ziptravel: O modismo do ecoturismo prejudicou a idéia de preservação ambiental?

JMF: Com o crescimento da demanda no mercado de ecoturismo, ficou mais claro que ele serve economicamente para manter e preservar as áreas. O setor pode ser usado como um instrumento de política pública, mostrando que a presença do ecoturista contribui para a preservação da região. Além disso, o ecoturismo está muito mais ligado à comunidade local do que a natureza, bem como colabora para o aumento dos recursos no local. As condições fundamentais para que a atividade ecoturística se fortaleça é em primeiro lugar, respeito a comunidade local, em segundo, preservar o meio ambiente e em terceiro, proporcionar uma consciência ambiental no turista.

por Beatriz Pinto Semprini (redacaotravel@zip.net)


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