03027000121 - Environment Justice x Finance - Agencia O Estado www.estadao.com.br - A guerrilha na Internet - Por Lúcio Flávio Pinto - (colaborou Angelo Schincariol) 16/12/00


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A guerrilha na Internet

Por Lúcio Flávio Pinto - (colaborou Angelo Schincariol)*

Mais conhecido pelo público externo por cenas e imagens de violência e opressão, o grupo guerrilheiro aderiu à era tecnológica para tenta conquistar a simpatia internacional através de coloridas páginas na Internet

São Paulo - Enquanto discutem a paz com representantes do governo Andrés Pastrana, as Forças Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc-EP), a principal guerrilha colombiana, em atividade contínua há quatro décadas, pavimentam o caminho para assumir o poder. Mais conhecido pelo público externo por cenas e imagens de violência e opressão, o grupo guerrilheiro aderiu à era tecnológica para tenta conquistar a simpatia internacional através de coloridas páginas na Internet, onde procura mostrar-se como uma sólida agremiação política alternativa ao governo institucional.

"Desde o alto das montanhas da Colômbia", como se lê no site das Farc-EP na Web (http://www.farc-ep.org), o grupo exibe material informativo para o mundo inteiro. São comunicados do grupo guerrilheiro para navegadores de todo o Planeta e textos de interesse da própria guerrilha. A rede é uma autêntica agência de notícias digital, dispondo de vários endereços eletrônicos e páginas em português, francês, italiano e russo. Conta também com a Rádio Voz da Resistência, "emissora da cadeia radiofônica bolivariana", que pode ser captada e ouvida através da rede de computadores.

Eventualmente, a rede chega a montar bases no exterior, como aconteceu quando o presidente Bill Clinton foi a Cartagena de las Índias, em agosto, para o lançamento do "Plano Colômbia" - que visa o combate ao narcotráfico e à própria guerrilha. Em Nova York, o International Action Center, instalado num prédio da 39 West 14th Street, estimulou adesões às manifestações de protesto contra a visita do presidente americano, inclusive através do e-mail iacenter@iacenter.org.

Os guerrilheiros, acostumados a conquistar à bala suas posições, passaram a intensificar, por meio da Internet, sua atividade política, através de um trabalho de lobby e propaganda. Desde o início deste ano, por exemplo, pessoas influentes junto à opinião pública e ao governo brasileiros, como dirigentes de Organizações Não-Governamentais (ONGs), intelectuais, jornalistas e até mesmo empresários, têm recebido mensagens da Red Resistência em seus endereços eletrônicos, mesmo que não tenham feito nenhum contato nesse sentido.

Após uma leitura das páginas eletrônicas do grupo, fica claro que uma das principais preocupações da agência da maior e melhor preparada guerrilha colombiana é mostrar ao mundo que as Farc-EP já funcionam como uma real alternativa de poder e que estão preparadas para assumir o governo de Bogotá num futuro próximo.

A agência transmite, no mesmo dia em que são produzidos, todos os comunicados resultantes das reuniões da Mesa Nacional de Diálogos e do Comitê Temático Nacional. Segundo um desses comunicados, trata-se de "um espaço histórico jamais visto na América Latina e, modestamente, um dos poucos existentes no concerto mundial". É que, independentemente dos combates violentos e das muitas mortes que deles resultam todas as semanas, no choque das forças antagônicas, seis representantes do governo mantêm essa instância de negociação com seis representantes da guerrilha, na zona desmilitarizada.

Até o último comunicado, transmitido no final do mês passado, a Mesa e o Comitê já haviam realizado 26 audiências públicas em Vila Nova Colômbia, no conflagrado sul do país, tendo como tema central o crescimento econômico e o emprego. Fazendo um balanço dessas audiências, a agência contabilizou a participação de 23.631 pessoas (incluindo representantes de 35 países), das quais 1.042, livremente inscritas, intervieram e apresentaram propostas sobre o tema, encaminhando 2.553 textos por escrito para a secretaria. A partir dos encontros surgiu uma agenda comum de 12 pontos acordados entre as partes.

Reuniões tão concorridas são realizadas enquanto a autêntica guerra civil prossegue. Isso explica a alternância de material sobre o progresso do diálogo, na frente política, e de combates.

A paz, sempre distante

Sonhos de grandeza e sangue sempre andaram de mãos dadas na Colômbia. Sob o domínio espanhol, a Grã-Colômbia abrangia os territórios atuais da Venezuela, Equador e Panamá, além da própria Colômbia, o quarto mais extenso país do continente (1,2 milhão de quilômetros quadrados) e o segundo mais populoso (43 milhões de habitantes), desdobrando-se do Oceano Pacífico ao Mar do Caribe. Cartagena de las Índias, no litoral, onde o presidente Bill Clinton lançou o plano de combate ao narcotráfico, em agosto, seria a capital desse novo império hispânico, que não resistiu ao tempo, nem às suas contradições internas.

Mas as elites criollas tentaram manter seus privilégios seculares e um domínio do poder alternado exclusivamente entre dois partidos, o Liberal e o Conservador, fechando os canais de acesso ao restante da população. Caminhos alternativos têm sido abertos à base da violência e a compressão social tem produzido matanças brutais, autênticas guerras civis em sucessão. No conflito dos "mil dias", entre 1899 e 1903, por exemplo, foram registradas 130 mil mortes. A partir do "Bogotazo", de 1962, desencadeado pelo assassinato do líder liberal Jorge Gaitán, 200 mil pessoas foram mortas.

Os colombianos se acostumaram a manter sob certa sanidade um corpo que possui uma mão política, capaz de dialogar, enquanto a outra combate, embora, ao contrário da parábola bíblica, uma saiba o que a outra faz. Talvez seja o que mantém vivo o país, entre crises desestruturadoras. Assim, numa área dominada pela guerrilha, que abrange mais de 40% do território, massacres num determinado ponto não impedem que comissões paritárias governo-guerrilheiros dialoguem um pouco além, em "zonas desmilitarizadas", mas nem tanto. Há a falta de confiança entre as partes. E fatores fora de controle, como grupos paramilitares e o narcotráfico, fazem o conflito se derramar para a violência ilimitada.

As Farc-EP, hoje o principal exército guerrilheiro, já enfrentam as tropas militares regulares há 35 anos. O Exército de Libertação Nacional (ELN) tem 30 anos. O grupo antecessor mais famoso, o M-19, decidiu largar as armas e atuar apenas politicamente, como partido convencional. Suas lideranças foram assassinadas e o movimento desapareceu. A moral dessa história não é boa para a causa da paz. Mas paz é um produto com o qual os colombianos têm pouca familiaridade - e já há muito tempo.


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