03027000221 - Reflorestamentos estão chegando ao Fim no Paraná - Por Edson Struminski 29/03/01 - Environment Justice x Finance

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Environment Justice x Finance

Reflorestamentos estão chegando ao Fim no Paraná

Por Edson Struminski*

Os reflorestamentos de pinus e eucalipto estão a caminho do fim no Paraná. Esta afirmação que há alguns anos atrás causaria suspiros de alívio e até sorrisos discretos nos ambientalistas pode ser nova fonte de problemas ambientais para um Estado com baixíssima cobertura florestal natural remanescente.

Estes reflorestamentos surgiram no Paraná para suprir a matéria-prima que originalmente era fornecida pela floresta nativa (leia-se a floresta de pinheirais). Os pinheirais paranaenses e catarinenses do vale do rio Iguaçu começaram a ser devorados no início do século XX pela empresa americana Southern Brazil Lumber & Colonization Co., que adquiriu nada menos que 3.248 km2 de terras cobertas pela Floresta de Araucária e criou o maior complexo industrial madeireiro da América do Sul, com equipamento norte americano e tecnologia canadense. Quarenta anos depois, após a desapropriação desta empresa pelo governo federal, o potencial florestal ainda remanescente interessou a muitos imigrantes, que tornaram-se madeireiros e viriam a copiar os métodos da Lumber, comprando terras dos agricultores mal sucedidos ou apenas suas madeiras mais valiosas.

A agricultura e a pecuária permaneceram por muitos anos seguintes, como atividades de subsistência de colonos e fazendeiros, enquanto que a industria madeireira, proporcionou acumulação de capital, resultando na expansão e diversificação industrial.

Muitos industriais aplicavam seus lucros na compra de árvores. Devido ao longo prazo para a retirada das madeiras (às vezes até 50 anos), compravam barato e, mais tarde, a partir da 2a guerra mundial, quando a madeira atingiu preços altos, ficaram milionários. Paulo LAGO (1988), opina que muitos pequenos proprietários seduzidos pelos ingressos decorrentes da venda de árvores aos madeireiros devem ter se arrependido dos negócios feitos apressadamente.

Para THOMÉ (1995), a falta de conhecimento sobre manejo florestal e tradição no ramo, levou o colonizador madeireiro à exploração generalizada do pinho e outras madeiras nobres como o cedro e a imbuia, sem se preocupar com a reposição. Pensava-se que as reservas deslumbrantes durariam centenas de anos. Em 1926, o deputado Romário Martins já alertava para a sistemática dilapidação dos pinhais, tendo proposto legislação estadual para desapropriação de áreas destinadas à conservação. Mas, segundo GUBERT FILHO (1993), o projeto não foi aprovado porque eram contraditórias as opiniões a respeito das reservas naturais de araucária. Enquanto alguns anunciavam a extinção da espécie em um século (o que está próximo a acontecer), outros previam reservas que durariam até quase 400 anos.

O esgotamento do potencial produtivo deste tipo de floresta se deu a partir da década de 1960, (apenas 50 anos após o início de sua exploração), em vista da falta de conhecimento sobre manejo florestal. Nesta época o preço do pinheiro adulto subiu assustadoramente pela impossibilidade de reposição de estoques. Entretanto, o preço da madeira serrada manteve-se estacionado, pela retração do mercado, dificilmente apresentando lucro operacional razoável, o que levou a quebra de empresas.

Os pinus e eucaliptos apareceram então no horizonte madeireiro como uma espécie de "salvação da lavoura" para os madeireiros imprevidentes. Incentivos legais e financeiros foram fornecidos. Grandes áreas foram plantadas e a indústria adaptou-se com razoável rapidez.

Apesar disto os reflorestamentos monoculturais como os de pinus (de origem norte-americana) ou eucalipto (australiano), sempre causaram polêmica. A qualidade da madeira destas espécies nem de longe chegava perto de outras existentes nas florestas originais do Paraná, como a imbuia, peroba, cedro ou pau-marfim. Além disso, os danos ecológicos dos plantios foram grandes. Vegetação secundária (capoeiras), campos naturais e mesmo áreas com Floresta Atlântica foram destruídas para a implantação de reflorestamentos. Tornou-se comum a implantação de reflorestamentos em margens de rios e até em parques estaduais, em flagrante desvirtuamento da função da unidade de conservação. A invasão de pinus no Parque Estadual de Vila Velha é, até hoje, um dos impactos mais visível da falta de manejo destes plantios.

Entretanto, para muitas regiões paranaenses com limitações edafo-climáticas que não permitem a manutenção da agricultura (além da mera subsistência), os reflorestamentos abriram perspectivas para o desenvolvimento regional. O efeito maior do reflorestamento ocorre onde existe menos competição pelo uso de mão de obra, ou seja, onde os recursos gerados por outras fontes agrícolas são menos compensadores para os trabalhadores.

Como exemplo, pode-se citar um comparativo entre rendimentos do uso da terra obtidos com a produção de milho ou de madeira, ao longo de 20 anos, período considerado ótimo para a rotação final de um plantio de pinus (SEMA/IAP, 2000). Este estudo mostra que para a mesma área, o sistema florestal pode render até R$ 14.240,00/ha, enquanto o milho renderia R$ 7.680,00/ha. Segundo o economista Cícero Cesar Grande, consultor do Programa Estadual de Silvicultura Integrada (com. oral) trata-se de uma estimativa conservadora, pois atualmente o preço da madeira sofre tendência de alta, com valores que vão de R$ 20,00 o m3 (madeira com qualidade inferior e produção de no máximo 500 m3/ha) a R$ 40,00 (ou mais) o m3 (madeira com qualidade superior e produção chegando a 600 m3/ha). Plantar e colher madeira sempre foi um bom negócio em qualquer lugar do mundo.

O grande drama é que segundo a Associação Paranaense de Reflorestadores, a reposição florestal sofreu descontinuidade entre os anos de 1988 e 1996, ou seja, pouco foi plantado naqueles anos, de modo que está prevista carência de produtos florestais para os anos vindouros de 2003 a 2011 (ou mesmo antes), razão pela qual pode ser esperada uma grande variação no preço da madeira entre outros problemas.

As indústrias consumidoras de matéria-prima florestal no Paraná, em franca expansão, tem necessidades urgentes de ampliar sua base florestal para garantir suprimento de matéria-prima. Grandes inversões foram feitas nas áreas de tecnologia de ponta, como a da medium density fireboard (MDF), vinculadas à demanda da indústria moveleira e da construção civil.

Assim, na falta de madeira de pinus e eucalipto, é previsível que as indústrias lancem mão de qualquer recurso disponível para sobreviver. Atualmente polos de produção moveleira, como o de Arapongas, na devastada região norte do Paraná, já tem de importar madeira até do exterior para suprir suas necessidades. Já existem pressões para a modificação do código florestal de modo a facilitar o uso das cambalentes reservas florestais paranaenses e seguramente aumentar a pressão sobre as espécies latifoliadas da Amazônia.

Além dos nefastos danos ambientais, esta histórica falta de articulação entre produtores de madeiras, empresas e setores governamentais responsáveis pela condução da política florestal do Estado poderá levar a uma situação de caos social e econômico no campo.

Para tentar minimizar esta situação, o governo paranaense está implantando o Programa Estadual de Silvicultura Integrada, que tentará unir municípios, empresas e os sempre refratários proprietários rurais, tradicionais inimigos da floresta. O programa é, de modo geral, atraente para o produtor, pois disponibiliza insumos para a atividade e busca parcerias para manter a atividade silvicultural, além de incentivar o uso múltiplo do solo e diminuir a pressão sobre as florestas nativas. Para a industria, porém, em termos de fornecimento de matéria-prima, o programa terá efeito tardio. Somente aquelas que sobreviverem aos próximos 10 anos é que poderão ver "fartura" florestal novamente.

Até lá, talvez vejamos muitos lamentarem do fim dos pinus.

Edson Struminski é Engenheiro Florestal, com mestrado na área de Conservação da Natureza e membro da Ambiens Cooperativa de Profissionais. Email: struminski.e@ig.com.br


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