03027000224 - A Sustentabilidade e o destino... - Por Maria Helena Batista Murta 03/04/01 - Environment Justice x Finance

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Environment Justice x Finance

A Sustentabilidade e o destino...

Por Maria Helena Batista Murta*

É interessante como as coisas acontecem e porque acontecem, quando se trata de interesse coletivo...

Lembro-me muito bem quando, em 1979, arrumando a bagagem para morar na selva amazônica, dando início ao Projeto Carajás, fui surpreendida por uma notícia que, naquela época, causou impacto e comentários diversos em todos os segmentos da sociedade...o aquecimento global.

Era uma noite de domingo, muito quente, daquelas onde os arrepios acontecem pelo excesso de calor, quando a manchete do FANTÁSTICO anunciava o resultado de uma pesquisa feita por cientistas da NASA:

- a terra sofreria um aquecimento de 4 graus e que, as geleiras, os rios e mares sofreriam uma intensa modificação, ocorrendo, inclusive, o desaparecimento de ilhas, praias, cidades inteiras, doenças, pestes, e muitas coisas mais...

Sugeriam os cientistas, como medida preventiva, a redução do uso de ar-condicionado, aerosóis, como também um novo desenho para os escapamentos de veículos; preparavam a população para os possíveis efeitos sobre a própria vida, como o uso de protetores solares, não frequentar o sol após as 09:00 da manhã até 16:00, tudo o que hoje, estamos convivendo e sentindo na pele, os efeitos que foram previstos. Mas preferimos ignorar e esquecer...

Alguns foram mais além...chegaram a prever os motivos da III Guerra Mundial:

-a falta d´água...E, mais uma vez, preferimos ignorar e esquecer!

Alertaram para o desmatamento desenfreado, pediram reflorestamento e indicaram , inclusive, as áreas críticas que poderiam representar, talvez, a solução para o problema, caso fossem tomadas as providências que pediam.

Em várias afirmações e boletins, estimavam o efeito para 20 anos mais tarde...

Mas para o ser humano, imediatista, 20 anos representavam uma eternidade; para que se preocupar com aquela notícia absurda? Imagine... Vitória, Copacabana, Salvador, Recife, tantas outras loclidades desaparecendo do mapa...que absurdo...buraco negro...camada de ozônio...que nada...tudo aquilo era produto do exagêro da NASA com suas missões espaciais, com seus sonhos impossíveis à procura de uma identidade em algum planeta vizinho...

Vinte anos se passaram...muitos não esperaram...partiram. Mas nós estamos aqui, conferindo "ipsis literis" tudo aquilo que foi previsto...tudo o que nós mesmos permitimos que acontecesse. Mas desta vez, já não podemos ignorar, esquecer!

Naquela época, já se questionava o uso do isopor, dos copinhos plásticos, das sacolas de polietileno...mas ninguém quis acreditar e recusou-se a mudar!

E o nosso pobre planeta passou a ser exposto cada dia mais; nossos rios cristalinos, passaram a percorrer um caminho diferente no seu leito de origem...traçavam uma nova rota entre os detritos e os bancos de areia que foram se formando de um lado e outro das margens secas e impotentes, ocupando o lugar de uma riqueza vegetal que ficou no passado.

A Mata Atlântica era, pela primeira vez, alvo de preocupação...mas ninguém ouviu o eco de sua dor...ninguém percebeu que preservar o mico-leão-dourado não era capricho de algum pesquisador fanático, de alguma criança mimada...não se preocuparam em preservar os sagüis, as capivaras e pacas, os mutuns e as perdizes...não fazia falta o canto da araponga nem o colorido brilhante dos canários- da-terra e dos cardeais...não era importante o voo despreocupado e inocente das maritacas e periquitos; as ararinhas azuis e os melros já não faziam parte de uma civilização que se preparava para o futuro informatizado...dos robôs que faziam de tudo...dos alimentos transgênicos e da modificação no código genético ...

Os ipês, os jacarandás e as braúnas eram melhor visualizados em móveis europeus e fornalhas perdidas no campo que um dia seria chamado de campo da solidão rural...

Para que se preocupar com os raios do sol e o brilho estonteante da lua se, em cada um de nós, não existia uma sequer referência do que hoje chamamos sustentabilidade - palavra mágica que foi o norte dos camponeses alemães da Idade Média...foi ali que surgiu este termo que hoje, atribuímos aos ingleses, ou quem quer que seja...Na fronteira da Alemanha com a Áustria, existia uma lei estabelecida pela nobreza...

- somente os nobres poderiam se valer das florestas, onde praticavam seu hobby preferido: a caça.

Os demais, entretanto, precisavam da madeira para seus móveis, suas casas, suas lareiras...e, para estes, a nobreza destinava apenas 8%(oito por cento) dos recursos das densas matas de pinus...teriam que "se virar" com aquele percentual.

Assim sendo, consciente do seu percentual, o povo sabia que teria que "perpetuar" aqueles 8%, pois se era apenas com o que poderia contar. Entre eles o assunto era discutido e todos eram unânimes em concordar que suas atividades deveriam ser conduzidas em um processo de NACHHALTIGKEIT(perenidade, perpetuidade), palavra alemã que deu origem ao que hoje chamamos SUSTENTABILIDADE.

Antes que derrubassem uma árvore, outras já estavam plantadas para substituir a que iriam utilizar. E assim, os 8% nunca terminavam, o povo sempre tinha madeira e os nobres continuavam a caçar...

Tínhamos muito...a nossa biodiversidade era a maior do planeta...e fomos iludidos pela nossa dificuldade de aceitar as coisas naturais...a nossa dificuldade em estabelecer uma interação com a natureza e dela retirar tudo o que necessitamos para viver...

Seria mais fácil comprar remédios coloridos e de formas variadas...cheios de químicas e segredos...

Chás, compressas, repouso, qual nada...tudo isto pertencia à mansão do passado que não deveríamos visitar sequer em sonhos...

Éramos a geração da alquimia...da tecnologia avançada e dos sonhos delirantes...

Na capela funerária dos sonhos, jazia uma floresta milenar que ardia em cinzas descoloridas e restos de uma exuberância que não pôde ficar.

O que hoje vemos, o descaso, como do Sr. Bush, é exatamente o mesmo descaso que tivemos quando não demos importância às informações e alertas que nos foram passados há 20 e poucos anos atrás.

Não podemos deixar que este descaso seja a sentença do nosso destino!

Maria Helena B. Murta* é advogada ambientalista, Diretora de Comunicação do Movimento Pró Rio Doce, Diretora de desenvolvimento Econômico Sustentável na Bacia Hidrográfica do Rio Doce da UQB - União Brasileira para a Qualidade e Coordenadora da Proposta BECE para o Estado de Minas Gerais. Email: <mariahelenamurta@uol.com.br>


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