03027000310 - Cientistas querem mais debate sobre transgênicos - ISABEL GERHARDT da Folha de S.Paulo 13/06/01 - Environment Justice x Finance - Coletânea - Transgênicos em Debate - Folha On Line

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Environment Justice x Finance - Coletânea
Transgênicos em Debate - Folha On Line

Cientistas querem mais debate sobre transgênicos

ISABEL GERHARDT da Folha de S.Paulo

http://www.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u3935.shtml
08/06/2001 - 20h02

A imagem do cientista isolado em seu laboratório, alheio aos anseios da sociedade, é algo que os participantes da Redbio 2001 (4º Encontro Latino-Americano de Biotecnologia Vegetal) querem apagar. Principalmente porque a maioria trabalha com um assunto que ainda gera insegurança na população: plantas transgênicas.

Ao final do encontro, os participantes produziram a "Declaração de Goiânia", que busca alertar a sociedade para os seguintes pontos: a degradação dos recursos naturais (genéticos, água e solo); a adequação do uso de técnicas biotecnológicas para sua caracterização e conservação; a necessidade de fortalecer a pesquisa agrícola, de uma melhor formação de recursos humanos e de programas de difusão para esclarecer a percepção pública do assunto.

O encontro, que terminou hoje em Goiânia, reuniu mais de 400 especialistas em biotecnologia da América Latina, dos EUA e da Europa. Não houve participação de grupos ambientalistas, o que foi lamentado por muitos participantes do evento.

Desconfiança natural

Não foi apenas uma reunião técnica. Várias conferências discutiram os caminhos para modificar um debate que hoje ainda apresenta componentes emocionais e de desinformação.

"O conhecimento científico e a percepção pública não avançam com a mesma velocidade", disse Albert Sasson, da Unesco, durante o encontro. "Antes da adoção do milho híbrido [obtido por técnicas convencionais de melhoramento genético, pelo cruzamento de plantas com características diferentes], houve 14 anos de discussão", afirmou.

Ou seja, de certa forma, a desconfiança que hoje existe com relação aos produtos transgênicos pode ser vista como algo natural, que envolve o surgimento de qualquer nova tecnologia.

Ao lado disso, no entanto, as discussões no congresso deixaram claro que os cientistas estão aprendendo que o poder da sociedade civil é maior do que há algumas décadas. Basta ver que, pelo menos na Europa, as associações de consumidores são as organizações com maior credibilidade.

Para Sasson, é preciso reconhecer o direito da sociedade à informação. E parece estar cada vez mais claro que os que fazem ciência têm responsabilidade na transferência dessa informação.

Da produção de algodão transgênico à busca da preservação de espécies nativas ameaçadas de extinção, passando, como hoje em dia não poderia deixar de ser, por estudos do genoma, a biotecnologia vegetal foi apresentada como uma ferramenta fundamental para a preservação de recursos ambientais e o desenvolvimento de uma agricultura sustentável.

A jornalista Isabel Gerhardt viajou a Goiânia a convite dos organizadores da Redbio 2001 (4º Encontro Latino-Americano de Biotecnologia Vegetal).

No.Com - www.no.com.br 

31.Maio/2001

Descartando Transgênicos: Um alquimista moderno

Por Eduardo Junqueira*

O americano Michael Pollan contesta o poder nutritivo dos alimentos geneticamente modificados. "Também não há garantias de que reduzem a necessidade de pesticidas"

Para o jornalista americano Michael Pollan, a agricultura atual é o celeiro dos alquimistas dos novos tempos. Ele mesmo considera-se um deles. No quintal de sua casa em Cornwall Bridge, Connecticut, Estados Unidos, Pollan cultivou a NewLeaf (FolhaVerde), nova batata transgênica da Monsanto que produz uma toxina letal ao besouro Colorado, seu principal predador. A morte ocorre como em um passe de mágica. Ele também plantou maçãs selvagens, tulipas raras e maconha. O resultado de suas incursões no alquímico mundo vegetal estão em seu mais novo livro “The Botany of Desire”, (A Botânica do Desejo), lançado este mês nos Estados Unidos.

Colaborador da revista do The New York Times e ex-editor da Harper’s Bazaar, Pollan desvendou os bastidores da linha de produção na Monsanto. Acompanhou o processo de fecundação da NewLeaf pelo Bacillus thuiingiensis, a bactéria que produz o pesticida conhecido como Bt. O jornalista viajou ao estado do Idaho, o maior celeiro das batatas americanas, onde entrevistou agricultores tradicionais e orgânicos. Durante um almoço oferecido por um de seus anfitriões, ele comeu, a contragosto, as batatas transgênicas. Descobriu que o Bt já foi utilizado no passado por agricultores orgânicos e resultou em cepas de besouros resistentes ao Bt. Ou seja, tornou-se inútil após algum tempo.

Para Pollan há muitas perguntas – e poucas respostas – sobre as lavouras transgênicas que hoje se espalham por pelo menos 180 milhões de quilômetros quadrados nos Estados Unidos. “Não há garantias de que as plantações transgênicas reduzem a necessidade de pesticidas. De fato, as aplicações desses químicos podem aumentar porque os transgênicos impõem a monocultura, o que favorece a ação de pragas”, disse Pollan em entrevista ao no. “Tudo indica que os besouros se tornarão resistentes ao Bt em pouco tempo. A promessa da Monsanto logo será revogada”.

Ao contrário do que ocorre na Europa, os consumidores americanos – e os brasileiros também – levam produtos transgênicos para casa sem saber. O livro de Pollan impõe a desconfortável pergunta: por quê? O FDA, a organização que regula o comércio de alimentos e remédios nos Estados Unidos, considera que não há necessidade de alertar os consumidores. Os fabricantes de alimentos batem na mesma tecla. “Eles não querem que os consumidores sejam informados porque isso reduziria as vendas. O problema com a primeira geração de transgênicos é que eles não oferecem benefícios aos consumidores. Ao contrário, só trazem riscos. Portanto, quem compraria esses alimentos se soubesse que são transgênicos? É por isso que impera o silêncio”, analisa Pollan.

Em alguns países da Europa, a discussão sobre os transgênicos é apenas um começo. Comprar alimentos tem tomado conotações jamais imaginadas. Em alguns supermercados da Dinamarca, por exemplo, pode-se escanear pacotes de frango ao lado da câmara frigorífica para obter informações detalhadas sobre a granja produtora. Isso inclui dados tais como os componentes da ração (nada de soja e milho transgênicos), as condições de alojamento dos animais e a política de pessoal oferecida aos empregados. Se a empresa não pagar horas extras aos funcionários, por exemplo, os consumidores dinamarqueses boicotam o frango criado lá.

Pollan também investigou as promessas do “arroz dourado”, produto da Syngenta. Trata-se de um arroz produzido com engenharia genética ao custo de 100 milhões de dólares para tornar-se capaz de fabricar beta-caroteno, substância encontrada nas cenouras e que é convertida em vitamina A pelo organismo. O lançamento do produto ganhou reportagem de capa da revista TIME e foi propalado como a solução para a fome na África. “Este arroz pode salvar um milhão de crianças por ano”, alardeou a publicação. Pollan discorda. “Uma criança de 11 anos de idade precisa comer cerca de 7 quilos de arroz dourado por dia para obter a dose mínima diária de vitamina A. Mesmo se fosse possível, isso não ajudaria a maioria das crianças desnutridas”, diz. Pollan lembra também que o organismo precisa de gordura e proteínas para converter beta-caroteno em vitamina A – exatamente o que falta na dieta dessas crianças. “O arroz dourado não passa de retórica tecnológica”, afirma.

A fome dos pobres, e suas consequências, persiste a despeito das promessas. Pollan lembra que a revolução verde (tocada à base de enormes quantidades de pesticidas e nutrientes químicos) aumentou a produtividade das lavouras, mas isso não resolveu o problema da fome porque hoje plantam-se prioritariamente commodities (produtos como soja e milho cujos preços são cotados em bolsas de valores internacionais) que enriquecem os fazendeiros. “Isso não elimina a falta de alimentos básicos em regiões pobres e cria outros problemas. O enriquecimento dos fazendeiros leva à mecanização da lavoura. Os camponeses perdem seus empregos e migram para as grandes cidades, em que passam fome mesmo quando os estoques de grãos são enormes”, explica Pollan.

Muitos acreditam que o futuro estaria na volta às origens propalada pela agricultura orgânica. Mas para Pollan, o crescimento do consumo de alimentos orgânicos está criando um novo paradoxo. Os fabricantes estão padronizando a produção para atender à alta demanda. Isso contraria os desejos dos consumidores, que procuram pelo ideal de pequenas fazendas, vacas soltas pastando e alimentos frescos e saudáveis. “Os orgânicos estão entrando na lógica do mercado, da monocultura de larga escala. Isso contradiz a idéia de sistemas biológicos biodiversos que sustenta a prática orgânica”, alerta o jornalista. “Horizon”, o leite orgânico mais consumido nos Estados Unidos, é um exemplo das incompatibilidades criadas pela produção em grande escala. Distribuído por todo o país, o produto é ultrapasteurizado. Esse processo garante a sua durabilidade, mas elimina grande parte das enzimas e vitaminas. O gado vive confinado, mas alimenta-se de ração “certificada”. No fim, o consumidor paga mais caro e leva para casa um leite livre de substâncias químicas ou genes modificados em laboratório. 

Eduardo Junqueira  <no@no.com.br> 

CAPA. Gazeta Mercantil. MINAS GERAIS.

Ano III, No. 529, BH, MG, 17 de maio de 2001, p 6

Médica reabre discussão sobre alimentos transgênicos

Ellen Cristina Dias - edias@gazetamercantil.com.br

A médica do Hospital das Clínicas, Fátima Oliveira, reforça o debate sobre a manipulação genética e publica, pela editora mineira Mazza, o livro "Transgênico: o direito de saber e a liberdade de escolher". A proposta é popularizar os conceitos relacionados à biotecnologia e ampliar a discussão por meio de uma abordagem ética, política e econômica do fenômeno no país e em Minas Gerais. Para iniciar a reflexão, a autora compara o surgimento da manipulação transgênica ao do agrotóxico. "Quando os agrotóxicos começaram a ser utilizados, os cientistas não sabiam, de forma segura, quais seriam as conseqüências no organismo humano". Entretanto, a clínica-geral antecipa que os resultados da poluição química produzem impactos que podem ser contidos, enquanto que a biológica é incontrolável. 

Ciência & Tecnologia - Médica lança livro e reabre o debate sobre os transgênicos

Ellen Cristina Dias* - edias@gazetamercantil.com.br

A médica do Hospital das Clínicas, Fátima Oliveira, reforça o debate sobre a manipulação genética e publica, pela editora mineira Mazza, o livro "Transgênico: o direito de saber e a liberdade de escolher". Com o objetivo de popularizar os conceitos relacionados à biotecnologia, a autora amplia a discussão por meio de uma abordagem ética, política e econômica do fenômeno no país e em Minas Gerais. "Não sou contra a transgenia, mas frente à ignorância da ciência, precisamos ter cautela", constata Fátima Oliveira.

Para iniciar a reflexão, a autora compara o surgimento da manipulação trasngênica ao do agrotóxico. "Quando os agrotóxicos começaram a ser utilizados, os cientistas não sabiam, de forma segura, quais seriam as conseqüências no organismo humano". Entretanto, a clínica-geral antecipa que os resultados da poluição química produzem impactos que podem ser contidos, enquanto que a biológica é incontrolável. "Os seres vivos se reproduzem. Não temos como prever os efeitos", salienta.

A engenharia genética, mesmo sendo capaz de criar estruturas desconhecidas na natureza, afirma Fátima Oliveira, tem consolidado sua atuação no setor alimentício por meio de lavouras experimentais de transgênicos. De acordo com a autora, atualmente existem no país cerca de 600 campos, dos quais 120 localizam-se em Minas Gerais. A região do Triângulo Mineiro – local de atuação das companhias Seeds e Monsanto – é a principal referência no Estado.

Responsável pela pesquisa de milhos resistentes a insetos, a multinacional Monsanto atua em Uberlândia no cultivo dos transgênicos desde 1998. Além do milho, algodão e soja também são plantados em pequenas quantidades a espera de que um dia possam ser comercializados. Entretanto, apesar da existência de plantações destinadas à pesquisa – desde 1996 é proibido o cultivo para fins comerciais – a insegurança, salienta Fátima Oliveira, permanece, pois o Ministério da Agricultura e a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, têm sido ineficazes para fiscalizar de forma efetiva e impedir o vazamentos dessas espécies para plantações   comerciais.

 "É uma total irresponsabilidade do governo liberar esses campos sem a garantia do monitoramento", afirma a médica. Outro fator preocupante é o uso de marcadores de antibióticos na implantação do gene adicional em organismos animal e vegetal. Conforme a autora, o marcador de antibiótico é utilizado para marcar o transgene e permitir o reconhecimento pelo cientista do local onde se estabeleceu no hospedeiro. "É uma tecnologia ainda muito rudimentar e que traz como conseqüência o aumento da resistência das pessoas que ingerem alimentos transgênicos aos antibióticos".

Para a médica, entretanto a decisão da inclusão dos alimentos transgênicos no cardápio do brasileiro está nas mãos das donas-de-casa. "Elas serão determinantes, Quem convencê-las, ganha  a partida". O lançamento do livro "Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de escolher" está previsto para ocorrer hoje, às 19;30, nos jardins do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1537, centro).
* Especial para a Gazeta Mercantil

Especialista defende fortalecimento da bioética

O livro "Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de escolher" é o quarto livro de Fátima Oliveira. Auto-didata em engenharia genética, especializou-se na área clínica pela Universidade Federal do Maranhão. "A genética era um hobby. Somente na década de 90, diante do crescente número de debates sobre manipulação genética, decidi escrever". Movida pelo interesse em mobilizar a sociedade para entender os avanços biotecnológicos e divulgar informações que, geralmente, ficam restritas aos cientistas e aos governos, a médica associa o exercício da cidadania no século XXI ao entendimento da genética. "A engenharia genética alterou a história da  humanidade", salienta.

Fátima Oliveira consolidou-se no cenário médico como escritora em 1995, com a obra "Engenharia genética: o sétimo dia da criação", publicado pela editora Moderna, hoje na 10a. edição. Conselheira do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), a clínica-geral aponta a participação no movimento feminista como fundamental para a construção de um discurso crítico e acessível à população em geral. "São as pessoas comuns que pagam a   corrida biotecnológica, portanto têm o direito de intervir nos rumos da ciência".

Paralelo ao estudo sobre genética, ela também se empenha no fortalecimento do ramo da bioética como movimento social. Outra área de atuação refere-se à saúde da população negra – tema do seu penúltimo livro "Oficinas Mulher Negra e Saúde". Focado principalmente na anemia falciforme – doença predominante em população negra – tem como objetivo despertar a importância do tratamento precoce da enfermidade, ainda sem cura. "De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil nascem 700 a mil pessoas por ano com anemia falciforme, sendo que 6% a 12% da população negra são portadores do traço, afirma Fátima Oliveira (E.C.D.). 

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