03027000311 - Louvados sejam os transgênicos - Por Samuel Wallace MacDowell 13/06/01 - Coletânea Transgênicos em Debate (2) - Environment Justice x Finance

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Environment Justice x Finance
Coletânea Transgênicos em Debate (2)

Louvados sejam os transgênicos

Por Samuel Wallace MacDowell

        Recentemente comecei a me dar conta de que a defesa dos transgênicos, a ouvir alguns de seus mais fervorosos advogados, em muito se assemelha à uma autêntica pregação religiosa. A título de ilustração, me permitirei tomar como exemplo dois artigos publicados recentemente, um no Jornal do Brasil (Transgênicos: não remar contra a maré), outro na Gazeta Mercantil Rio Grandense (Transgênicos e a reação medieval).

        A primeira similaridade que se depreende é a fé cega e irrestrita da autora nos benefícios destes organismos, independente de qualquer comprovação, tais como as já tão alardeadas redução do uso de agrotóxicos e a produção de alimentos de qualidade nutricional superior. E que sacrilégio poderia ser maior do que os argumentos apresentados por grupos resistentes (heréticos?) para contesta-los, pois estes sim, segundo nos indica a mesma com sua instigante retórica, carecem totalmente de fundamento.

        Outra semelhança contundente é o caráter messiânico atribuído a estes seres. Nas palavras da piedosa sacerdotisa, rejeitá-los seria o equivalente a voltarmos a viver na obscuridade da Idade Média com a ignorância, pobreza, subnutrição, doenças e dor, tamanho seu poder redentor. Não somente isto, mas ficamos também admirados em aprender sobre suas qualidades milagrosas, inclusive para sanar problemas como a contaminação de alimentos, a deterioração destes em feiras e sua manipulação inadequada no transporte ou fabricação, fatos estes responsáveis por centenas de mortes no Brasil a cada ano. Nos perguntamos se poderão também nos libertar dos FHCs, ACMs, CPMFs, FMIs, OMCs e demais perversidades do mundo terreno, ou seria querer ir longe demais?

        Também não nos escapa, embora que nas entrelinhas, a presença do dogma da infalibilidade, no momento em que a autora nos ensina que qualquer dúvida a respeito dos frutos da Santíssima Ciência, sejam estes transgênicos, remédios, vacinas ou outros, apenas configura ignorância, medo, resistência ao novo e falsas ideologias. E aqui poderíamos sentir-nos diante de um paradoxo, quando a devota missionária, impiedosamente, nos alerta para os males dos inseticidas, pesticidas e praguicidas. Pois não são eles, assim como os transgênicos e todos os demais, filhos da mesma Mãe fecunda? Fica mais fácil de compreender, contudo, mesmo não sendo iniciados nos profundos mistérios desta arcana ciência, se nos lembramos de que toda religião que se preze deve ter os seus anjos caídos. E que alegria quando descobrimos que até estes podem ser redimidos, desde que unidos pelo sagrado laço do matrimônio aos divinos Mutantes, fato este ilustrado de forma tão bela pela união entre a soja transgênica e seu inseparável companheiro, o herbicida roundup, prolíferos habitantes das pradarias americanas e dos verdes pampas argentinos.
        
        Para mim, mísero pecador, só me resta pedir clemência e misericórdia, pois apesar de todos os esforços, permaneço ainda totalmente cego às dádivas destas maravilhosas criaturas. Mas sei que me sobra uma esperança. Afinal, não se refere a suma sacerdotisa ao comovente testemunho de fé do Dr. Patrick Moore em relação à bioreligião? Ex-integrante da seita herética Greenpeace, este ambientalista não somente se converteu ao novo credo como também vem se purificando de seus antigos pecados graças ao serviço dedicado e abnegado prestado nos últimos anos à empresas madeireiras, ilustres membros do seu imaculado clero.

Que a luz possa se fazer para todos.

Amém.

Samuel Wallace MacDowell*

é PhD em Biologia Molecular  Email:<samuelmd@abordo.com.br>


Reflexões sobre

ecólogos e ecologistas versus bioeticistas e bioeticólogos

Por Fátima Oliveira*

    "O que está ocorrendo na bioética merece uma análise mais apurada e precisa ser comparada com os acontecimentos na área da ecologia. Evidente que começa uma  cisão entre bioética disciplina e movimento, entre as bandeiras da bioética e a prática da bioética em hospitais e instituições de pesquisa. Parece uma retrospectiva do que   sucedeu entre a ecologia disciplina e o movimento ecológico. Este movimento permanece difundindo uma visão holística e de busca de harmonia entre humanidade e natureza, ao passo que a ecologia acadêmica hoje é uma refém do reducionismo. 'Enquanto o movimento procurava transformar o mundo, os cursos de ecologia produziram uma geração cada vez maior de peritos no controle da poluição e planejamento, prontos para serem absorvidos pela indústria para fornecerem a perícia, para manipular, ludibriar e infringir impunemente os parâmetros de controle de poluição e a legislação'. *   Hilary Rose

    Foi assim que na ecologia estabeleceram-se dois campos, o da militância e o da profissão. Há ecologistas (militantes da causa ecológica) e ecólogos (especialistas em ecologia; profissionais). Na bioética poderíamos falar de bioeticistas (militantes da bioética) e bioeticólogos (especialistas em bioética; profissionais)?

* ROSE, Hilary. "Nada menos que metade dos laboratórios". Para uma nova ciência. ROSE, Steven e APPIGNANESI, Lisa (org.). Lisboa: Editora Gradiva, 1989

Fátima Oliveira* é Médica e Autora do Livro. Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de eescolher. BH, MG: Mazza edições, 2001.

Email: <fatimao@medicina.ufmg.br>

Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos

Boletim 68

Um fato gravíssimo ocorreu no final da última semana. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - MMA), atropelando o trabalho de um ano que vem sendo desenvolvido pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente - MMA), publicou um termo de referência que especifica como deve ser elaborado o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental) para a soja transgênica Roundup Ready (RR), da Monsanto.

A elaboração do EIA/RIMA está entre as exigências da sentença do juiz Antônio Souza Prudente, de 26/06/00, que proibiu o cultivo comercial da soja RR no Brasil. Ou seja, a apresentação do EIA/RIMA pela Monsanto, para avaliação do próprio Ibama, representa um grande passo para a aprovação dessa soja.

O fato se apresenta extremamente anti-ético sob dois aspectos. Primeiro, porque cabe ao Conama (órgão consultivo deliberativo, hierarquicamente superior ao Ibama) elaborar as regras do jogo. Ao Ibama (órgão executor) cabe verificar se as regras estão sendo cumpridas.

Seguindo este princípio, o Conama vem há um ano, através de um grupo de trabalho do qual participam diversas partes envolvidas com a questão, entre elas a CTNBio e o Greenpeace, elaborando os critérios que orientarão os Estudos de Impacto Ambiental para todos os organismos transgênicos. Essas regras devem estar prontas até o final deste ano.

Numa atitude de total atropelo, o Ibama elaborou e publicou os critérios relativos ao EIA/RIMA para a soja da Monsanto, somente. Por que? Bem definiu Ricardo Boechat no Globo, 07/06: “Por amizade”...

O segundo aspecto anti-ético do caso é ainda muito mais grave: para elaborar o termo de referência, o Ibama consultou ninguém menos que a própria Monsanto. Esta, por sua vez designou o trabalho ao seu “consultor ambiental”, Eduardo Martins - ex-presidente do Ibama - que, segundo soubemos, acabou redigindo o termo de referência.

Eduardo Martins, que presidiu o Ibama até abril de 1999, é dono da empresa E.labore - Assessoria Estratégica de Meio Ambiente, que tem a Monsanto como cliente para “Consultoria para avaliação ambiental de Produtos Biotecnológicos” desde agosto de 1999.

Houve pressão por parte do Ministério do Meio Ambiente sobre os técnicos do Ibama para a elaboração desse documento. O caso é grave e demonstra a falta de seriedade do governo brasileiro no que se refere à regulamentação dos transgênicos no País.

A Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” está estudando as possibilidades legais para reverter essa história. O que for possível fazer, faremos.

O IV Encontro Latino-Americano de Biotecnologia Vegetal (RedBio 2001), que está sendo realizado essa semana em Goiânia-GO, tem rendido diversas declarações nos jornais favoráveis aos transgênicos e de ataque à Campanha contra eles.

É impressionante o descaramento desses defensores, dentre eles o chefe-geral do departamento de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa (Cenargen/Embrapa), Luiz Antonio Barreto de Castro, que insiste na história de que “a campanha contra os transgênicos beneficia só a indústria de agrotóxicos”, ou, ainda mais diretamente, “Não estou sendo leviano em afirmar que as ONGs que fazem campanha contra os transgênicos estão com a indústria”.

Meus caros, quem são as indústrias que desenvolveram e vendem sementes transgênicas senão as próprias indústrias de agrotóxicos?! A soja transgênica Roundup Ready, da empresa Monsanto, é resistente ao herbicida Roundup, da Monsanto. A proposta é justamente a “venda casada” da semente com o agrotóxico.

E quem tem contrato confidencial firmado com essa empresa senão a Embrapa?
Estas declarações absurdas, que objetivam confundir a opinião pública, evidenciam quais interesses movem os defensores dos transgênicos. Se seus interesses fossem honestos e legítimos, declarações falsas dessa categoria não seriam necessárias.

Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>

O Globo - Coletânea

Por amizade

Coluna Boechat, em 07/06

O Ibama deu uma ajuda à Monsanto para produzir no país a soja transgênica RR. Fixou os termos do estudo de impacto ambiental daquele cultivo sem esperar decisão do Conama, que há um ano examina a questão.

O Globo, Coluna Boechat, em 08/06

Circuito fechado

Os termos do Estudo de Impacto Ambiental relativo à soja transgênica RR foram redigidos pela empresa Labore.
Seu dono é Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama.
A Labore também é contratada da Monsanto, multinacional que pretende cultivar aquela espécie no Brasil.

O Globo, Coluna Boechat, em 12/06

Meio ambiente

O Idec e o Greenpeace têm hoje a primeira audiência com um presidente da CTNBio. Vão dizer a Esper Cavalheiro que podem ir à Justiça contra ao estudo de impacto ambiental para a soja transgênica RR, da Monsanto, autorizado na semana passada pelo Ibama.

O Globo, 09/06
Multinacional tem maior incentivo da Sudene
Catia Seabra e Diana Fernandes

BRASÍLIA. O maior projeto de incentivos da história da recém-extinta Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) lançou uma semente de discórdia no país. Em 6 de dezembro de 1999, numa sessão extraordinária, a Sudene autorizou a destinação de R$ 285.887.830 para a construção de uma fábrica de produtos químicos em Camaçari, na Bahia. A beneficiária é uma multinacional: a Monsanto, gigante americana nos campos de agroquímica e biotecnologia.

A Monsanto já fatura US$ 600 milhões por ano no país só com a venda de sementes. E a indústria na Bahia garantiria a geração de apenas 319 empregos diretos. A fábrica é também uma aposta na aprovação do polêmico cultivo de transgênicos no Brasil. Dona de 38% do mercado de sementes de milho no país, a Monsanto implantará, numa área de 631 mil metros quadrados, sua maior unidade fora dos Estados Unidos.

Lá, será produzida, pela primeira vez na América Latina, matéria-prima da linha Roundup, feita sob medida para a proteção da soja transgênica. Somente a soja transgênica é capaz de resistir a esse tipo de agrotóxico.

Quando a produção de alimentos geneticamente modificados for autorizada no Brasil, a Monsanto — que já detém a patente mundial da soja RR (a transgênica) — terá também o monopólio do agrotóxico. Todos os agricultores que consumirem a semente terão de pagar uma taxa tecnológica à empresa, além da necessidade de compra do herbicida.

— É uma venda casada. Quando o agricultor comprar a semente, terá que comprar o veneno da Monsanto também. Se não liberar o transgênico, essa fábrica em Camaçari não tem sentido — diz o coordenador dos cursos de Biossegurança da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), Sílvio Valle.

O custo previsto para a construção da fábrica é de R$ 714,7 milhões. A participação da Sudene representa 60% de todo o orçamento do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor) no ano passado. É praticamente igual aos R$ 317 milhões liberados pelo Finor em 1999. É também quase o mesmo valor do cálculo da dívida do Finor com o Tesouro (R$ 300 milhões).

Embora não seja ilegal, o convênio provocou protestos, especialmente por conta da baixa expectativa de emprego gerado com o incentivo. São 319 empregos diretos.

— São os escassos recursos públicos nas mãos de uma grande multinacional, capaz de alavancar dinheiro. Esses recursos poderiam ir para vários projetos do Nordeste, garantindo muito mais emprego — criticou o deputado José Pimentel (PT-CE), um dos relatores da CPI do Finor.

Só no Brasil, as vendas anuais da Monsanto chegam a US$ 600 milhões. Em 1998, a empresa já ocupava o terceiro lugar no ranking mundial das agroquímicas (US$ 4 bilhões em vendas) e a segundo posição no setor de sementes (US$ 1,8 bilhão).

No ano passado, em meio à CPI do Finor e aos escândalos das extintas Sudam e Sudene, todos os incentivos previstos para os 221 projetos em andamento no Nordeste foram suspensos. Entre os projetos que ficaram sem recursos, estava o da Monsanto em Camaçari.

Mas, segundo a própria agência que substituiu a Sudene, a Adene, os recursos para os projetos suspensos serão liberados logo após a análise técnica de cada um.

— Não há nada de especial com a Monsanto. A suspensão foi uma precaução do ministro. Quando o dinheiro for liberado, ela será contemplada — diz Antônio Castro, assessor especial da diretoria da Adene.

O governador da Bahia, Cesar Borges (PFL), rechaça todas as críticas ao incentivo.

— Tem nosso total apoio. Vai gerar renda e emprego para o estado. Se o Brasil não souber usar os avanços da tecnologia, perderemos mais esse bonde — afirma o governador.

Empresa incorporou concorrentes

A Monsanto iniciou sua ofensiva no Brasil em 1996, quando incorporou a FT-Sementes, empresa paranaense de pesquisa e melhoramento de soja, com valioso material genético. No ano seguinte, agregou a divisão vegetal da Agroceres, maior empresa brasileira de pesquisa e venda de sementes melhoradas. Também faz parcerias com a Embrapa. Em janeiro deste ano, a Monsanto esteve envolvida numa polêmica: durante o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, o ativista francês José Bové liderou a destruição de uma plantação de soja transgênica e quase foi expulso do país.

No Brasil, a Monsanto desenvolve projetos experimentais de plantio transgênico de milho, soja e algodão. Em algumas regiões, a área de plantio chega a 60 hectares. Para estudiosos, uma extensão grande demais para experiências. Especialista em políticas públicas da Universidade Federal do Rio (UFRJ), o engenheiro agrônomo José Cordeiro de Araújo alerta para o risco de a concentração do setor nas mãos de multinacionais inibir pesquisas nacionais:

— É preocupante que as multinacionais adquiram bancos genéticos de empresas nacionais. O número de produtoras nacionais de sementes está diminuindo.

Em seu site, a empresa aponta o sistema soja Roundup Ready como o mais completo no controle de ervas daninhas. “A utilização conjunta das sementes e do herbicida possibilita um controle superior”, explica a página da Monsanto do Brasil na internet 

Divulgado: Carlos Tautz


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