03027000314 - O Efeito Social da Certificação Florestal - Por Giovana Baggio de Bruns 13/06/01 - Environment Justice x Finance

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Environment Justice x Finance

O Efeito Social da Certificação Florestal

Por Giovana Baggio de Bruns*

A Certificação Florestal, diferente de outros tipos de certificação ambiental, agrega benefícios sociais, econômicos e ambientais ao mesmo tempo. Para que uma empresa de base florestal cumpra minimamente as exigências "sociais" que a levarão a obter uma Certificação Florestal (vulgarmente chamada de Selo Verde), deve repensar toda a sua forma de tratar os trabalhadores florestais diretos e indiretos.

Visto que o quadro de depauperação, miséria e abandono que se encontram os trabalhadores florestais ou rurais é geral, fato de a Certificação Florestal exigir este "repensar" de valores, já a torna um fator extremamente positivo no desenvolvimento do setor florestal e na mudança de paradigma social. Mesmo, sendo esta certificação motivada, na maioria das vezes, por pressões meramente comerciais e econômicas, ainda assim é um grande instrumento de mudança social, o que também vale para outros tipos de certificação.

É emocionante ver muitos dos trabalhadores florestais que eram tratados apenas como um "equipamento florestal", antes do processo de certificação, hoje trabalhando mais seguros (com o uso completo de EPI), mais saudáveis (com acompanhamento médico-hospitalar, casas reformadas, banheiros com fossas assépticas, separação do lixo, acompanhamento da nutrição e das condições sociais) e ainda, ambientalmente conscientizados (através de treinamentos sobre o impacto ambiental causado pela atividade florestal e como minimizá-lo, etc).

O principal é que o benefício social incorporado pelo trabalhador florestal estende-se para a sua família, principalmente as que viviam em casebres "semi" abandonados nas fazendas florestais, e hoje, vêem o incremento da qualidade de vida como uma conquista a ser mantida por eles mesmos e não só pela empresa.

Qual é a surpresa de ver donas-de-casa de vilas florestais se unirem na catação e separação do lixo doméstico de suas casas, na arrumação de seus jardins, na pintura das casas e na limpeza dos chuveiros coletivos! As mesmas donas-de-casa que outrora (há pouquíssimo tempo atrás) não tinham estas preocupações, porque se sentiam excluídas nas "isoladas" fazendas onde viviam e onde quase não viam os dirigentes da empresa aparecerem. As melhorias diretas que o processo trouxe, fizeram com que elas se sentissem importantes, ouvidas, parte de um todo que se preocupa com o rumo de suas vidas, ao invés, de excluí-las ou ignorá-las.

É evidente, que para nossos padrões urbanos de conforto, talvez estas melhorias sociais oriundas da certificação florestal, estejam longe do "mínimo" que consideramos aceitável. Mas, para famílias que viviam literalmente à margem da Sociedade que conhecemos, cada melhoria é recebida com festa.

Porém, é importante fazer um parêntese sobre a situação dos trabalhadores terceirizados: nota-se que a situação dos mesmos "Pós-certificação" tem um nítido avanço (já que a maioria das exigências de cunho social são extensivas à mão-de-obra terceirizada). Todavia é primordial destacar que, assim como acontecia antes do processo de certificação, geralmente a diferença entre trabalhadores próprios e tercerizados continua ocorrendo, na maioria das vezes, devido às dificuldades de se controlar pequenas empreiteiras desestruturadas e exploradoras baratas da mão-de-obra "semi-escrava".

Mais do que se adequar aos princípios da certificação, a empresa florestal deve observar muito bem o que anda ocorrendo debaixo do seu nariz dentro de empresas contratadas que não assimilaram os padrões sociais da contratante. É dever exigir que seus terceiros sejam tratados da mesma maneira que seus trabalhadores próprios.

Existe muito ainda para se evoluir e é importante que consultores e auditores que trabalham no ramo da certificação, tenham a visão crítica de buscar, analisar e assessorar empresas para que exista um "real" ganho social, como já vem ocorrendo em muitas empresas e não apenas uma fachada para marketing ecológico.

Engª Florestal, especialista em Gestão Ambiental através do European Master in Environmental Management, EAEME – Kapodistrian University of Athens e Università degli Studi di Parma é consultora ambiental da Silviconsult Engenharia , Curitiba, Paraná. e-mail: gbaggio@silviconsult.com.br ou giovana23@hotmail.com 


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