03027000325 - Os transgênicos e o contexto atual - Por Samuel Wallace MacDowell 24/06/01 - Environment Justice x Finance

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Os transgênicos e o contexto atual

Por Samuel Wallace MacDowell *

Poucos acontecimentos têm suscitado mais controvérsias, no mundo inteiro, do que a tentativa de introduzir plantas e animais transgênicos na produção de alimentos. Por um lado, empresas e governos, de braços dados, vêm promovendo esta tecnologia, de forma insidiosa e autoritária, como sendo a panacéia para todos os males. A sociedade, por outro lado, vem manifestando uma preocupação crescente em relação à sua introdução, sem a realização prévia de consultas e dos estudos necessários para uma avaliação adequada dos riscos inerentes. Os cientistas, estes dividem-se em dois grupos: aqueles que rezam a cartilha das multinacionais e aqueles que exigem, no mínimo, que se proceda com mais rigor e cautela no manuseio destes organismos. O primeiro grupo, da mesma forma que assinou embaixo das técnicas de produção que levaram à crise da vaca louca, apenas para citar um exemplo recente, agora defende apaixonadamente a introdução dos transgênicos. Muitos destes pesquisadores, quando não trabalham diretamente para empresas de biotecnologia, recebem destas o financiamento para suas pesquisas. É o caso dos cientistas da Embrapa, impedidos de manifestar posição contrária aos transgênicos. A perseguição aos dissidentes é dura, vide o caso do Dr. Pusztai, cientista de renome internacional, demitido e denegrido apenas por que teve a coragem de divulgar que determinada batata transgênica causava sérios danos em ratos de laboratório. Felizmente existem cientistas independentes e estes, na sua grande maioria, têm sido unânimes em afirmar que pouco se conhece em relação aos riscos ou benefícios que possam advir dos transgênicos. Defendem a utilização do princípio da precaução, segundo o qual, sempre que houver dúvidas em relação a segurança de uma determinada atividade, devem ser tomadas as medidas preventivas necessárias, incluindo a sua suspensão ou a utilização de alternativas mais seguras. Um aspecto importante deste princípio é que cabe ao proponente da atividade provar a sua segurança e não à sociedade, cobaia por via de regra de uma série de experimentos desastrosos, provar os seus riscos.

A implementação do princípio da precaução se faz ainda mais urgente em vista da situação crítica em que se encontra o meio ambiente, do qual todos fazemos parte. Estudos recentes mostram que a integridade da biosfera vem declinando de forma acelerada e que a vontade política de resolver esta situação vem seguindo o mesmo rumo, como evidenciado pela posição do governo americano em não ratificar o acordo de Kyoto. A humanidade se encontra em uma encruzilhada histórica e os rumos traçados agora provavelmente definirão a sobrevivência ou não daquilo que chamamos de civilização.

Entre as principais causas de degradação ambiental e social, uma das mais nocivas tem sido a agropecuária industrial, com suas práticas abusivas de monocultura, irrigação e mecanização intensivas, uso indiscriminado de agrotóxicos e fertilizantes químicos e a dependência crescente em um número cada vez mais reduzido de variedades de plantas e animais, ditado principalmente pela sua cotação no mercado internacional. Entre os vários danos causados por estas práticas, a erosão da agro-biodiversidade se encontra entre os mais sérios, por ser irreversível. Trata-se da destruição dos sistemas agropecuários tradicionais, muitos deles milenares, e que consistem tanto das variedades vegetais e animais localmente adaptadas, dos organismos benéficos associados bem como dos métodos de manejo. Estes sistemas, na sua grande maioria, tem como importância fundamental o fato de serem auto-sustentáveis, no sentido de que promovem, ao longo do tempo, a manutenção da própria fertilidade e dos seus mecanismos de auto-defesa, utilizando predominantemente recursos locais sem causar impactos negativos. São fundamentais porque apontam para o único caminho viável para começarmos a reverter o atual estado de degradação: a auto-sustentabilidade.

Além dos sistemas sustentáveis tradicionais, temos outros mais recentes, incluindo os orgânicos, biodinâmicos e permaculturais. O estudo científico destes sistemas está consolidado em uma disciplina, a agroecologia, definida como a aplicação de princípios ecológicos no planejamento e manejo de agro-ecossistemas sustentáveis, tanto do ponto de vista ambiental, social, produtivo como econômico. Resultados surpreendentes estão sendo obtidos no mundo inteiro, notadamente em países em desenvolvimento, comprovando o seu potencial como fonte de alimentação natural e saudável para toda a humanidade. No entanto, por serem localmente adaptados, diversificados e auto-suficientes, sistemas agroecológicos ameaçam os grandes monopólios, que requerem sistemas produtivos homogêneos e dependentes de recursos externos patenteáveis, e por isso têm sido, inclusive, boicotados.

É dentro deste contexto mais amplo que devemos analisar a introdução dos organismos transgênicos. Se a pergunta for qual a contribuição dos transgênicos atuais para a sustentabilidade da produção, a resposta é nenhuma, muito pelo contrário. Estes são filhos do mesmo paradigma reducionista, predatório e dominador que criou a agropecuária industrial. Se indagarmos sobre seu potencial, no futuro, para um sistema de produção auto-sustentável, a resposta é simples: primeiro façamos a transição, depois vejamos se ainda há necessidade.

O melhor é que os transgênicos permaneçam nas bancadas de laboratório das quais nunca deveriam ter saído. Caso contrário, estaremos embarcando em mais uma aventura desastrosa, em detrimento de tecnologias comprovadamente benéficas e em um momento extremamente inoportuno, movido apenas pela ganância e mesquinhez de indivíduos sem coração. Este, a meu ver, é o maior risco dos transgênicos.

Samuel Wallace MacDowell* é PhD em biologia molecular e  consultor do IBAMA na área de transgênicos.Email: <msamuel@sede.ibama.gov.br>

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