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03027031003 - Environment Justice x Finance - Fortaleza, CE - Dejetos na atividade avícola: Qual o destino ecologicamente correto? - Por Maria Odete Alves 27/08/00

Environment Justice x Finance - Fortaleza, CE

Dejetos na atividade avícola: Qual o destino ecologicamente correto?

Por Maria Odete Alves*

Aconteceu nos dias 08 e 09 de junho de 2000, em Fortaleza, o IV Seminário Nordestino de Pecuária (PECNORDESTE 2000), que apresentou como tema principal "Agronegócio e Meio Ambiente". Assim, nos diversos fóruns de discussão específicos dos segmentos pecuários contemplados (apicultura, ovinocaprinocultura, suinocultura, aqüicultura, bovinocultura leiteira e avicultura) houve uma preocupação por parte dos expositores no sentido de discutir a necessidade de explorar as atividades de forma a obter resultados economicamente viáveis sem, no entanto, degradar o meio ambiente, priorizando a garantia da qualidade de vida das gerações futuras.

Particularmente no segmento avícola, a questão dos impactos ambientais foi explorada com bastante pertinência na palestra proferida pelo prof. Evandro Abreu Fernandes, da qual se faz um resumo neste texto.

Crescimento da atividade no Brasil e impactos negativos no meio ambiente

Fernandes iniciou sua palestra com exposição retrospectiva dos 40 anos de trajetória da avicultura no Brasil, evidenciando etapas distintas durante o processo.

A avicultura brasileira teve início com a criação das integrações (década de 60), passando pela conquista do mercado internacional (década de 70), a adoção de tecnologias de abate e corte para atender as demandas interna e externa (década de 80), até chegar aos dias atuais, em que ocorre uma expansão das plantas de processamento, chegando ao produto industrializado cuja qualidade equivale à dos concorrentes do exterior.

Não se pode negar que este fato merece comemoração. Entretanto, o crescimento da atividade gera outro fato importante, que diz respeito à sociedade como um todo. A realidade é que o nível dos impactos negativos no meio ambiente é ampliado com o aumento do volume de dejetos eliminados nas granjas (esterco) e por ocasião do abate e industrialização (efluentes líquidos, vísceras, penas, sangue e gorduras). Isso tem repercussões na qualidade de vida da população e, portanto, requer atenção e tratamento adequados.

Como minimizar os impactos negativos dos dejetos avícolas?

Na granja

Segundo Fernandes, a produção anual de esterco diário fresco e cama-de-frango numa empresa integradora com abate diário de 10.000 aves é de, respectivamente, 456 e 3.024 toneladas, revelando o potencial de poluição na granja. Ressaltou também o fato de a composição química e microbiológica destes dejetos ser fator de contaminação ambiental, ao apresentar dados de pesquisa realizada por Pessanha, que revela a presença significativamente elevada de Escherichia coli em cama de frango (105 a 106 UFC/g).

O esterco de galinhas poedeiras é um excelente adubo para culturas de hortaliças, enquanto que a cama de frango pode ser aproveitada na alimentação bovina. Porém, o conteúdo em macro nutrientes do esterco avícola varia de acordo com o tipo de material usado como base da cama, bem como com o período de tempo em que é usada. Uma cama de frango cuja composição de nutrientes é de boa qualidade oferece segurança do ponto de vista ecológico, para utilização na dieta de bovinos em fase de crescimento e engorda de vacas leiteiras, desde que seja feito o balanceamento correto das exigências energéticas, protéicas e de macro e micro minerais.

Assim, é importante buscar a utilização de materiais que tenham uma boa composição nutricional, não danifiquem o ambiente e não interfiram no resultado econômico da atividade.

-No processo de abate e industrialização

Os processos de abate e industrialização do frango, por sua vez, geram subprodutos que podem se constituir em potenciais poluentes ambientais, se mal destinados ou processados incorretamente.

Do processo de abate de 10.000 frangos/dia resultam cerca de 40.000 m3 de água com restos alimentares, conteúdo intestinal acidentalmente exposto, sangue, gordura, vísceras não comestíveis, penas, carcaças e partes de carcaças descartadas na inspeção sanitária, bactérias, além de inúmeros outros possíveis contaminantes.

Sem dúvida, o destino final de todo esse material é algum curso d’água, que corre o risco de ser contaminado, gerar odores e contribuir para a proliferação de doenças. Portanto, é fundamental que ele seja destinado previamente a lagoas de decantação e fermentação anaeróbica, pois mesmo após a separação dos sólidos a água ainda conterá grande massa contaminadora.

Deve-se atentar, porém, para o fato de que tais dejetos representam importantes fontes de proteína, aminoácidos, energia e minerais. Corretamente processados, podem participar significativamente da composição das rações, reduzindo os custos de exploração da atividade.

Comentários finais

Não surpreende observar a discussão em torno do meio ambiente entre aqueles que trabalham no setor avícola. Não é novidade que a questão ambiental adquiriu relevância mundial, refletindo em todos os níveis e setores da sociedade. Deixou de ser uma discussão meramente acadêmica para adquirir contornos políticos.

Também não surpreende a preocupação de Fernandes com o destino a ser dado aos dejetos decorrentes da exploração avícola e com a importância de se criar uma cultura para a sua correta utilização.

É neste ponto que surge uma grande interrogação: como trabalhar a mudança de postura do homem com relação ao meio ambiente?

Em primeiro lugar, não se deve perder de vista que a qualidade ambiental é essencialmente um bem público que somente pode ser mantido por meio de uma incisiva intervenção normativa e regulatória do Estado. Partindo deste pressuposto, conclui-se pela necessidade de um esforço no sentido de vincular os níveis municipal, estadual e federal das políticas ambientais e demais políticas públicas.

Em segundo lugar, é fundamental que se estabeleçam processos educativos que envolvam a reformulação de valores éticos e morais, individuais e coletivos, que tem a ver com uma nova maneira de encarar a relação homem/natureza: a questão ambiental deve ser encarada como uma questão social.

O trabalho educativo pode concretizar-se através de parcerias exercidas pelas mais diversas entidades como sindicatos, associações de classe, ONGs, empresas, secretarias de governo etc., e deve ter caráter não-formal, mas com objetivos, metodologias, conteúdo e periodicidade claramente definidos.

O Banco do Nordeste, cuja missão principal é contribuir para o desenvolvimento, vem tendo constante preocupação com o tema. Um exemplo é a publicação recente do livro "Manual de Impactos Ambientais – Orientações Básicas sobre Aspectos Ambientais de Atividades Produtivas, no qual constam seções específicas dedicadas aos impactos ambientais da produção animal e da agroindústria. Além de chamar a atenção para os potenciais impactos ambientais negativos, são feitas recomendações de medidas atenuantes desses impactos e faz-se referência à legislação ambiental pertinente às atividades. Consultar e recomendar aos clientes a leitura do Manual é uma forma de sair da mera "preocupação ambiental" para a ação em favor do meio ambiente.

Bibliografia

Prof. Evandro Abreu Fernandes é Médico veterinário, Mestre em Nutrição Animal e professor de Nutrição de Não Ruminantes do Departamento de Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia-MG.

Maria ODETE Alves é Engenheira Agrônoma, Especialista em Administração Rural pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) – MG, Mestre em Administração Rural e Desenvolvimento pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG e pesquisadora do Banco do Nordeste – ETENE EscritórioTécnico de Estudos Econômicos do Nordeste moalves@banconordeste.gov.br Fone (085) 299-3234  Fax (085) 299-3474

Na última década o Brasil ocupou a posição de segundo maior parque avícola do mundo, embora nos últimos anos tenha perdido espaço para a China (Fernandes, 2000).


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