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A Vergonhosa Representação Amazônica

Por Ricardo Kohn de Macedo*

Fiquei em silêncio até agora. Mas não posso, não consigo permanecer calado. A princípio, a discussão do novo Código Florestal, com as propostas anunciadas pelo Deputado Micheletto (PMDB-PR), pareceram-me tão descabidas, tão criminosas, que me dediquei a pensar em outras coisas que considerava mais importantes do que a atitude e o comportamento desse parlamentar paranaense. Isto porque não poderia imaginar que, além deste senhor, qualquer ser racional fosse capaz de aderir a um projeto que tem como finalidade precípua o extermínio das florestas brasileiras, com especial dedicação e ênfase para a Amazônica.

Todos temos assistido, diariamente, aos noticiários brasileiros e internacionais mais sérios, onde os conceitos da volatilidade do mercado de ações e do mercado de câmbio passaram a ser as mais importantes características da chamada nova economia. Mas o que tenho observado é um fenômeno curioso que, na falta de outro nome, denomino de transfusão conceitual ou comportamental. Ao ouvir alguns políticos e legisladores, cada vez mais percebia que eles deviam estar sofrendo de algum mal. Mais tarde pude constatar, pelos seus pronunciamentos, pelas idéias que defendiam, pelas juras de honestidade que praticavam e praticam, mesmo quando à beira de portas de cadeias, que eles são portadores do virus da volatilidade moral.

E o caso do código florestal é uma das inúmeras confirmações desta virose que acomete alguns grupos de indivíduos. Às vezes até fico em dúvida se houve realmente um contágio ou se todos já eram reservatórios naturais (algumas vezes em conseqüência de herança genética) do virus falchatruas safadinenses, responsável pela sintomática da volatilidade moral.

A notícia da vitória preliminar na comissão mista do Congresso, por 10 a 3, em favor da proposta do relator (Micheletto), pegou-me de surpresa. E o que me deixou mais estupefato, foi a composição dos votos a favor, todos de parlamentares da região Amazônica! Com muita vergonha, anuncio-os para todos os nossos leitores:

Os que votaram com o relator

Senador Lúdio Coelho - PSDB - MS

lcoelho@senado.gov.br

Senador Gilberto Mestrinho - PMDB - AM

gilberto.mestrinho@senado.gov.br

Senador Moreira Mendes - PFL - RO

moreira.mendes@senado.gov.br

Senador Carlos Bezerra - PMDB - MT

carbez@senado.gov.br

Senador Leomar Quintanilha - PPB - TO

leomar@senado.gov.br

Deputado Ricarte de Freitas - PSDB - MT

dep.ricartedefreitas@camara.gov.br

Deputado João Tota - PPB - AC

dep.joaotota@camara.gov.br

Deputada Katia Abreu - PFL - TO

dep.katiaabreu@camara.gov.br

Deputado Sérgio Barros - PDT - AC

dep.sergiobarros@camara.gov.br

Relator:

Deputado Moacir Micheletto - PMDB - PR

dep.moacirmicheletto@camara.gov.br

Esses senhores votaram contra os interesses das populações que os elegeram, perdendo com isso todo o respeito que lhes poderia ser ainda dispensado. Isto para não falar do ódio nacional e internacional que, certamente, neste momento, recai sobre eles.

Não tiveram dúvidas de que estavam defendendo interesses grandes e superiores, dos quais são subalternos. Por isso optaram por criar mecanismos legais

(i) para o desmatamento desenfreado,

(ii) para a retirada de matas ciliares,

(iii) para propiciar a perda de habitats naturais da fauna,

(iv) para induzir a evasão da fauna,

(v) para reduzir a diversidade e a abundância da fauna,

(vi) para reduzir a sustentabilidade ambiental de áreas sensíveis,

(vii) para induzir processos de erosão,

(viii) para propiciar processos de assoreamento de corpos d'água e de colmatação de baixios,

(ix) para afetar de maneira profunda a qualidade da água de rios, lagos, riachos e igarapés,

(x) para afetar a qualidade de vida da biota aquática existente nesses corpos d'água,

(xi) para promover um sem número de rupturas vitais em cadeias tróficas,

(xii) para prejudicar atividades de subsistência de comunidades,

(xiii) para afetar de maneira irresponsável a qualidade de vida dessas comunidades.

Isto sem falar nas brutais alterações climáticas e nos seus efeitos sobre a disponibilidade de recursos hídricos com qualidade. Enfim, esses senhores, desgraçadamente, atuaram no sentido da destruição pura e simples e, por esse motivo, seus nomes não devem ser esquecidos. Ou melhor, devem ser esquecidos.

Alguns poderiam dizer que, decerto, esses parlamentares são ignorantes em questões de desenvolvimento sustentável, estabilidade ambiental, sustentabilidade ambiental, enfim, em questões ecológicas, as quais normalmente denominam de romantismo. Mas nem por isso merecem ser perdoados, pois uma das piores desgraças de uma nação são os efeitos das decisões e ações de ignorantes ativos. Não sabe, então cala a boca, não opina, vota em branco!

A quais interesses estariam esses senhores servindo? Aos da economia brasileira? Aos melhoria da paisagem, por causa do matagal Amazônico que têm no fundo do quintal? Aos clamores sociais dos sem terra? Às necessidades de espaço para o desenvolvimento de cidades e áreas urbanas? Às necessidades de uma agricultura impetuosa e pungente, que pretende cobrir 75% do solo brasileiro não ocupado? Claro que não. Não existe nem um plano, nem uma estratégia de desenvolvimento, nem um projeto social, agrícola ou de qualquer natureza, que seja capaz de justificar e legitimar esse crime nacional. Aliás, posso afiançar, nunca existirá!

Hoje, a democracia brasileira vem-nos ensinando que vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, ministros e presidentes da República são pessoas com os mesmos limites, direitos e deveres de todos os brasileiros. E que, dentro da fronteira do respeito comum, podemos citá-los, homenageá-los e denunciá-los, com os verbos e adjetivos necessários e imprescindíveis, todas as vezes em que for socialmente evidente a qualidade ou a síndrome da volatilidade moral. Embora estejamos vivendo uma democracia, essa volatilidade parece transtornar esse sistema, tentando torná-lo uma cleptocracia.

A pose, a arrogância, a folga e a ignobilidade com que determinados parlamentares brasileiros arremetem contra o homem comum e suas instituições é inacreditável. A todos eles, deixo aqui o meu maior repúdio, explicitado em um momento de reflexão sobre os interesses que determinaram um voto de, no mínimo, inimaginável ignorância e insensatez.

Ricardo Kohn de Macedo é Diretor Excutivo de empresa dedicada à consultoria na área ambiental e diretor executivo do Portal do BEM. Contato pelo e-mail: rkohn@ksnet.com.br

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