03027045007 - Environment Justice x Finance - Paraná - Coletânea: Eis o X da Questão - Boletim Energy News - Petrobras admite vazamento de quase 50 mil litros de óleo 20/02/01

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Environment Justice x Finance - Paraná
Coletânea: Eis o X da Questão
Boletim Energy News

Petrobras admite vazamento de quase 50 mil litros de óleo

Rio, 19 - A Petrobras admitiu que já recolheu quase 50 mil litros de óleo diesel derramado em quatro rios na Serra do Mar, no Paraná. O volume de óleo recolhido é muito maior que o que foi informado na sexta-feira, 1.200 litros. Segundo o diretor da Transpetro, Wong Loon, a empresa desconhece as causas do acidente. As autoridades ambientais e grupos ecológicos criticam a Petrobras. Neste momento, o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), está no local onde começou o vazamento. Os ambientalistas exigem um inquérito para apurar responsabilidades ''pelas falsas informações divulgadas nos primeiros dois dias''. A Rede Verde de Informações Ambientais quer uma ''auditoria independente para avaliar todas as instalações da Petrobras'', no Paraná. A Petrobras atua em cinco pontos no Paraná: a refinaria de Araucária, um terminal no Porto de Paranaguá, a Usina do Xisto e os dois oleodutos no Estado. Para a ONG o valor anunciado pela Petrobras ainda não é definitivo. No entanto, para a Rede Verde ''ficou evidente o despreparo da empresa para controlar o derramamento de óleo e pela falta de pessoal especializado, equipamento e coordenação''. ''A demora em solicitar ajuda das autoridades ambientais aumentou em muitas vezes o efeito do acidente'', afirma a ONG. Fonte: Diário On Line

Email: een@iee.efei.br - URL: www.energynews.efei.br

Gazeta do Povo, Paraná - 19/02/2001

MEIO AMBIENTE | Peixes de diversas espécies são encontrados mortos na região atingida Vazamento na Serra do Mar é 40 vezes maior que o anunciado Foram recolhidos 48,5 mil litros de óleo; empresa havia previsto 1,2 mil litros

Por FERNANDO MARTINS

A Petrobrás reconheceu ontem que o vazamento de óleo diesel que atingiu a Serra do Mar é pelo menos 40 vezes maior do que havia sido divulgado pela própria empresa na sexta-feira, dia do acidente. Segundo o diretor da Transpetro, Wong Loon, até ontem a empresa já havia recolhido 48,5 mil litros de óleo. A estimativa inicial da Petrobrás era de que haviam vazado apenas 1,2 mil litros. A Transpetro é a subsidiária da Petrobrás responsável pela operação do poliduto que liga a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, ao terminal portuário de Paranaguá.

Loon disse que o óleo recolhido já seria a maior parte do que vazou e prometeu o término da limpeza para amanhã – inclusive da fina camada de óleo que está passando pelas barreiras instaladas nos rios (a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, porém, acredita que o trabalho de remoção dessa película será muito difícil). Loon reconheceu que a avaliação inicial, feita visualmente, foi muito imprecisa, mas disse que não houve má fé.

O diretor da Transpetro ainda informou que que a causa do vazamento foi um rompimento do duto, provocado possivelmente por uma acomodação de terra que forçou a estrutura, que fica abaixo da terra, a uma profundidade de quatro metros. O vão aberto no duto teria cerca de 30 centímetros. Técnicos da Petrobrás ainda garantiram que o projeto do duto, em operação desde 1978, prevê acomodações de terra, mas que o peso do bloco de solo sobre o duto teria sido muito grande para a previsão.

Loon ainda afirmou que o rompimento do duto teria ocorrido por volta das 10h30, logo depois o vazamento teria sido constatado. O diretor de controle de recursos hídricos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Mário Sérgio Rasera, diz acreditar, porém, que o vazamento teria começado a ocorrer já no início da manhã, por volta das 7h.

Loon também negou que o óleo já tivesse atingido a entrada da Baía de Paranaguá e áreas de mangue, na foz dos rios atingidos pelo vazamento. Sobrevôos realizados pelo secretário estadual do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto e fotos tiradas pelo IAP, ontem e no sábado, porém, desmentem a Petrobrás. Segundo Andreguetto, ainda ontem era possível observar um filme de óleo sobre a água na entrada da baía, embora visualmente, a extensão do estrago fosse menor do que no sábado.

Isso ocorreu porque fortes chuvas caíram na madrugada do domingo, que diluíram o óleo. Por causa disso, o óleo ultrapassou todas as barreiras, disse o diretor da Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), José Luiz Scrocaro. A Petrobrás informou que apenas a terceira barreira foi rompida. Scrocaro afirmou ainda que áreas de várzea e algumas plantações foram atingidas.

O secretário Andreguetto também confirmou que já estão sendo encontradas nos rios e na área de mangue diversas espécies de peixes mortas: bagre, tilápias, acarás, robalos e, inclusive, uma espécie ameaçada de extinção identificada pelos biólogos do IAP, mas que Andreguetto não soube informar o nome. Segundo ele, mesmo a fina película que está seria capaz de impedir a oxigenação da água – o que, conseqüentemente, estaria matando os peixes. A Baía de Paranaguá é considerada o maior berçário de espécies marinhas do Sul do país.

Avaliação

Para o secretário estadual do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, o acidente na Serra do Mar mostrou que a Petrobrás não tem coordenação forte para lidar com acidentes ambientais, embora, a empresa forneça mão-de-obra e material sempre que solicitada para conter o problema. Na sexta-feira, primeiro dia do vazamento, por exemplo, havia operários, contratados para executar a limpeza,, que reclamavam que foram deslocados de Curitiba para Morretes sem ser avisados que, possivelmente, teriam que passar vários dias no local. O diretor de controle de recursos ambientais do IAP, Mário Sérgio Rasera, também afirmou que a Petrobrás mostrou-se "morosa" para começar a conter o vazamento.

O Globo, Rio de Janeiro

Petrobras subestimou volume de óleo vazado na região da Serra do Mar

Maria Tereza Boccardi - Especial para O GLOBO

CURITIBA. A Petrobras subestimou o volume de óleo diesel derramado na última sexta-feira em um trecho de preservação permanente da Serra do Mar, no Paraná. Até ontem à tarde, já tinham sido retirados 48,5 mil litros de óleo de uma região de Mata Atlântica. No dia do acidente, a Transpetro - subsidiária da Petrobras responsável pela operação do duto - divulgou a informação de que tinham sido derramados apenas 1,2 mil litros.

- A gente não quis minimizar o vazamento. O volume inicial foi baseado em uma estimativa visual, em um momento de emergência - defendeu-se o diretor geral de dutos e terminais da Transpetro, Wong Loon.

Ele afirmou que por uma questão de transparência prefere aguardar a conclusão da limpeza da área, prevista para terça-feira, para fazer uma avaliação mais exata do vazamento. Segundo Loon, em uma conclusão preliminar, a primeira hipótese para a causa do rompimento do duto é a de que houve um "esforço grande na tubulação provocado por uma movimentação do solo". Uma comissão de sete engenheiros está responsável pela sindicância interna para apurar as causas do acidente.

- O acidente pode ser considerado gravíssimo. A Polícia Militar e a Civil estão acompanhando os caminhões de óleo retirado para que o produto sofra a decantação e possamos chegar a um volume mais preciso do vazamento - disse o secretário de meio ambiente, José Andreguetto.

Ele determinou que seja aberto um inquérito pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente para apurar o caso. O produto já atingiu as regiões de mangue no litoral do estado e a presença de componentes do óleo pode ser vista em cerca de 15 quilômetros. Apesar do trabalho de mais de 500 homens e de oito barreiras de contenção, que se mostram ineficientes para conter a película mais fina do diesel.

Ao todo são 96 quilômetros de extensão do poliduto entre a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), e o Porto de Paranaguá (litoral paranaense). O rompimento foi constatado no quilômetro 57,6, na altura do município de Morretes. No trajeto percorrido pelo óleo, pelo menos quatro rios foram afetados: Rio do Meio, Carambiú, Sagrado e Nundiaquara, o principal rio de Morretes.

O secretário de Meio Ambiente de Morretes, Deimeval Borba, informou que oito comunidades, que sobrevivem da agricultura e da pesca, na região estão sendo prejudicadas. Segundo ele, mais de 100 famílias estão impedidas de trabalhar, já que se utilizavam da água dos rios afetados para irrigar as propriedades.

- Só com o tempo a gente vai poder avaliar todo o prejuízo ao meio ambiente. O impacto é grande. Toda região do rio Sagrado e Nundiaquara tem canais paralelos e atinge a região de mangue -disse o secretário estadual de Meio Ambiente.

As autoridades ambientais estão cautelosas na aplicação da multa à empresa. O secretário, junto com técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) irão avaliar os dados recolhidos em campo e analisar o possível valor da penalidade. Por meio do IAP foi baixada uma portaria ontem proibindo a pesca e a utilização da água na região.


Comentário

Por Arthur Soffiati*

1- O ocidente criou um estilo de civilização que semeia bombas (em todos os sentidos) e colhe explosões.

2- No Brasil, a Petrobrás parece o ícone deste modelo: em um ano, três grandes bombas explodiram, sendo que duas no Paraná.

3- Certamente, outras mais explodirão. Ninguém sabe onde, nem mesmo a Petrobrás.

4- E ante este espetáculo dantesco, a maioria dos ambientalistas abandona o projeto de uma nova civilização, passando a acreditar na chamada "ecologia de resultados". Crêem eles que colando um esparadrapo aqui, uma bandagem ali e um curativo acolá tudo se resolve. E o mais melancólico é ver esta legião de ambientalistas querendo arrancar compensações das empresas que destroem o meio ambiente para seus projetinhos.

5- Nem mesmo o PV francês escapou. Uma grande expoente do partido diz que é necessário um comportamento convencional para ele ganhar credibilidade. Considerado mais um movimento social que um partido, ele não consegue avançar. Bem comportado, ele também não conseguirá avançar, como os partidos comunistas europeus. Neste caso, é melhor ser autêntico. Parece até que integrantes do PV francês andaram fazendo estágio no PV brasileiro.

Arthur Soffiati é Historiador e escritor com vários livros publicados, especialista em História Moderna e Contemporânea pela Universidade Católica de MG, Mestrado em História Ambiental pelo Instituto de Filosofia e Ciência Humanas da UFRJ, Doutorando em História Ambiental pelo IFCS/UFRJ e Professor da Universidade Federal Fluminense email :soffiati@.censa.com.br


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