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03027081001 - Environment Justice x Finance - Forum da Energia - O Diálogo Possível e Pequenas Soluções - Por Vilmar Berna - 26/07/00,14:42:42

Environment Justice x Finance -   Forum da Energia

O Diálogo Possível e Pequenas Soluções

Por Vilmar Berna*

Continuo divergindo dos defensores da energia nuclear. Acho uma opção energética de alto risco ambiental pela dimensão dos impactos no caso de um hipotético, mas não improvável acidente, já que não existe risco zero. Sei que as usinas de Angra 1 e 2 não são nenhuma potencial Chernobil, por se tratar de tecnologia diferente que, mesmo no seu pior cenário, mesmo que alguém deliberadamente pretendesse provocar um acidente, jamais lançaria para o ar, por quilômetros, seu veneno radioativo. Claro que, se fôssemos aplicar esta mesma visão catastrófica, o risco do rompimento da barragem de uma hidrelétrica, apesar de hipótetico, mas não improvável, ou da explosão de um depósito de gás natural, como o do Gasômetro do Rio de Janeiro, também causariam danos seríssimos ao meio ambiente, à vida e ao patrimônio humanos.

Mas seriam danos imediatos, e não por sucessivas gerações, como no caso de um grave acidente nuclear que chegasse ao meio ambiente.

Entretanto, o fato de não concordar, não significa que os ambientalistas tenham também que recusar-se ao diálogo. Por outro lado, este diálogo não significa aceitação, mas coerência de cobrar do setor nuclear o mesmo rigor no trato da questão ambiental que cobramos das indústrias siderúrgicas, químicas, de transporte, etc. Afinal, as empresas que compõem o setor nuclear são indústrias e, como tal, devem prestar contas à sociedade da forma como tratam seus efluentes e resíduos, protegem a saúde dos trabalhadores, recuperam área degradas, monitoram o meio ambiente realizam uma política de comunicação transparente, assumem, postura de responsabilidade social e ambiental perante a sociedade, etc.

Minha primeira tentativa de dialogo com o setor nuclear foi difícil de minha parte, desconfiada. Em meu imaginário, associava o setor ao autoritarismo, truculência e falta de transparência do período da ditadura militar. Através de Alexandre Rodrigues, assessor de qualidade e meio ambiente, e do jornalista Mário Moura, ambos da INB (Indústria Nucleares do Brasil), pude conhecer outra realidade, completamente diferente do que imaginava. Fiquei surpreso com o alto grau de transparência, disposição para o diálogo e competência profissional dos técnicos, supervisores, dirigentes com os quis conversei. Percebi, mesmo, uma certa satisfação e orgulho em poder compartilhar seus conhecimentos, confiantes no grau alcançado de saber tecnológico, segurança e criatividade na solução de problemas. Também chama a atenção o trabalho da Aben (Associação Brasileira de Energia Nuclear) que via como uma lobista do setor, mas que na verdade descobri se esforçando pela desobstrução dos canais de comunicação entre as próprias empresas e institutos do setor e destes com a sociedade, com o objetivo de bem informar a opinião pública.

Visitei o ciclo do combustível nuclear sem restrições, desde as minas de urânio de Caetité (BA) e Poços de Caldas (MG), até as usinas de Angra 1 e 2. Apesar de encontrar nos dirigentes e técnicos um alto grau de responsabilidade e cuidado com o meio ambiente e a segurança, ainda assim, continuo contra o suo do átomo para geração de energia. Acho que o país ganharia mais se direcionasse seus esforços para atender à crescente demanda de energia para a conservação e combate ao desperdício, para a busca de outras matrizes energéticas menos perigosas, como a solar, eólica, e biomassa, adotasse soluções menos megalomaníacas, como as grandes hidrelétricas, e aproveitasse melhor as calhas dos rios, a energia cinética das marés, investisse mais numa educação onde os valores de felicidade, bem-estar e qualidade de vida não copiassem modelos insustentáveis de desenvolvimento.

Ser contra, no entanto, não é motivo para impedir o diálogo entre ambientalistas e o setor nuclear, muito menos para ser antidemocrático. O diálogo pode ser uma forma inteligente de ampliar espaços democráticos, abrir os caminhos para que a sociedade brasileiro possa decidir sobre a utilização da alternativa nuclear como fonte energética para o país.

 Pequenas Soluções

Diante de um grande problema, devemos buscar grandes soluções, certo? Errado, pois os grandes problemas são feitos de pequenos problemas, bem mais fáceis de resolver. Um dos grandes problemas atuais é a necessidade de energia para promover o crescimento econômico e garantir a qualidade de vida das pessoas. Sabemos que a energia não brota da parede quando acionamos uma tecla ou tomada, mas vem de algum lugar da natureza. Sempre que há um aquecimento econômico com o fantasma do blecaute ou do possível racionamento de energia. Nesse momento entram em campo os adeptos da energia nuclear que sempre querem mais e mais usinas, como se o lixo atômico que permanece ativo por 25 mil anos pelo menos e a impossibilidade de evacuar decentemente a população em casos da acidentes nucleares fossem assuntos para ecologistas chatose antipatriotas.

Opõe-se ao grupo dos pró-usinas nucleares os adeptos das grandes hidrelétricas, como a de Itaipú, na fronteira do Paraguai, ou a de Balbina, na Amazônia, por exemplo, que geram energia, mas a um custo sócio-ambiental tremendo. E não pensem que todo esse esforço de produção de energia é para melhorar o dia-a-dia do cidadão, como diz a propaganda, mas boa parte é desvia para indústrias altamente dependentes de energia.

Afinal, os ecologistas reclamam porque são do contra? Muito pelo contrário. Eles são a favor. A favor de programas de conservação de energia, que podem economizar até 20% da capacidade já implantada de geração de energia, o que, de cara, evitaria a construção de novas hidrelétricas, usinas nucleares ou termoelétricas insustentáveis e poluidoras por um bom tempo. Também são a favor de se adotarem outras soluções energéticas, que podem não resolver no caso de grandes indústrias e de grandes centros urbanos, mas são perfeitamente viáveis para pequenas comunidades, áreas rurais, ilhas etc, como, por exemplo, a energia produzida a partir da biomassa, da energia solar, da energia eólica etc. Além de não serem poluentes, não precisa gastar com grandes linhas de transmissão e libera energia para atender aos grandes centros consumidores. Também são a favor das hidrelétricas que afogam florestas e sítios históricos e expulsam trabalhadores rurais e comunidades tradicionais, que aproveitem melhor a calha dos rios e a correntezas, com o mínimo de alagamento.

As palavras-chave que estão faltando pra resolver esta questão energética são: descentralização das decisões; instrumentos para maior participação da sociedade na busca de soluções locais; e investir mais em pesquisas, município por município, para evitar que pequenos problemas se torne grandes, porque aí o assunto começa a ficar muito chato, com muito blablablá de cada lado, e as pessoas têm mais o que fazer.

Vilmar Berna é Prêmio Global 500 da ONU de Meio Ambiente,Consultor Ambiental e editor do Jornal do Meio Ambiente, Presidente da Coopernatureza -E-mail: vilmarberna@jornaldomeioambiente.com.br
Site: http://www.jornaldomeioambiente.com.br

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