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03027081002 - Environment Justice x Finance - Forum da Energia - Greenpeace - www.greenpeace.org.br - O que vimos no Rio Iguaçu - Por Delcio Rodrigues 02/08/00 02:07:57

Environment Justice x Finance - Forum da Energia
Greenpeace - www.greenpeace.org.br

O que vimos no Rio Iguaçu 

Por Delcio Rodrigues*

Trinta e seis horas depois de chegar à barreira flutuante sobre o rio Iguaçú construída em Guajuvira, a cerca de 23 quilômetros do vazamento, o óleo continua passando sob a ponte que dá acesso à cidade, nestes dias cheia de curiosos que vão até ali observar o terrível - e mal cheiroso - espetáculo.

As áreas de trabalho em torno desta e das outras barreiras flutuantes mais parecem praças de guerra. Helicóteros, retro escavadeiras, caminhões bomba e pipa, barcos, equipamentos de todo tipo e dezenas de operadores mantêm um nível febril de atividade. Entretanto o óleo ignora totalmente as barreiras. Não mais que 30% do que chega a cada uma fica ali parado, de maneira que mais de 60 quilômetros de leito de rio já estão tomados pelas horríveis manchas pretas.

A única sorte, se é que se pode falar disto neste momento, é que as águas do rio estão baixas, de maneira que o óleo se mantém confinado ao leito do rio, não atingindo as ricas várzeas que o circundam. Porém, o rio Iguaçu é conhecido pelo seu importante endemismo, isto é, o grande número de espécies de peixe que vivem só ali – só de lambari são 12.

De resto só problemas. A Petrobás não organizou um serviço de ajuda à fauna, pressionando ainda mais peixes e aves que estão sendo contaminados e mortos. Em algumas horas de trabalho na terça feira a polícia florestal reuniu mais de 50 aves mortas. Parte da população do município de Araucária na região de Curitiba está sem suprimento de água. Moradores ribeirinhos estão sofrendo forte náuseas devido aos vapores do petróleo e estão impedidos de usar a água do rio em atividades agrícolas. E, se falhar a barragem de Balsa Nova, a última feita antes do trecho encachoeirado, provavelmente será atingido o município de União da Vitória, onde mais de 70 mil pessoas dependem diretamente da água do rio para beber.

Salta aos olhos a incompetência da Petrobrás para lidar com a situação. A começar pelas atividades que são de sua “especialidade”. O vazamento de 4 milhões de litros de oleoduto de Araucária é o segundo que acontece em seis meses, depois dos 1,3 milhão de litros derramados do duto que abastece a REDUC na baía da Guanabara, Rio de Janeiro. Como pode um bombeamento de 2 milhões de litros por hora ser monitorado somente de duas em duas horas e através da observação visual do nível do reservatório? Porque não usar medidores de pressão ao longo do oleoduto, por que não usar tecnologias de sensoreamento remoto? E depois, como 4 milhões de litros de óleo puderam percorrer mais de 2 quilômetros no interior do terreno da refinaria, antes de atingir o rio, sem encontrar barreiras previamente construídas que impedissem o fluxo?

E os equipamentos utilizados no rio se mostraram totalmente inadequados, tanto para conter o fluxo do óleo quanto para limpar a conseqüência deste. Mais de 2 dias foram necessários para que começassem a chegar ajuda internacional e materiais mais adequados.

Depois da baía da Guanabara e do rio Iguaçu ficou muito claro que a Petrobrás trabalha desprezando totalmente o meio ambiente. Falta análise de risco, planos de ação, equipamentos adequados, equipes treinadas disponíveis, enfim, falta plano de contingência que poderia permitir resposta rápida e adequada a acidentes como este. E é de assustar que a Petrobrás saia por aí propagandeando seu ISO 14000, recém adquirido certificado de correção ambiental. De duas uma, ou a ISO retira este certificado ou pede falência como entidade certificadora internacional.

A Petrobrás precisa ser chamada a assumir sua necessária responsabilidade corporativa. Este é o segundo vazamento de oleoduto somente neste ano. A empresa, como uma das grandes petroleiras internacionais, precisa dar um basta nisto e comprovar que vai alterar seus padrões de maneira a não mais repetir acidentes desta monta. A Petrobrás diz que vai rapidamente limpar o meio ambiente, chegou   até a afirmar que levaria 10 dias para isto, o que contrasta vivamente  com o que vem ocorrendo na baía da Guanabara, que ainda está  sofrendo os efeitos do derramamento ocorrido em janeiro. Claro que  todo o óleo possível deve ser retirado sob as expensas da Petrobrás. Entretanto é necessário encarar o fato de que é absolutamente  impossível limpar totalmente o meio ambiente atingido e que as   conseqüências permanecerão por décadas na várzea e no leito do rio Iguaçu.

E uma pergunta mais profunda que fica é sobre o que realmente pode ser feito para parar este tipo de acidente? A questão é sobre o quanto a humanidade está cobrando do meio ambiente pelo uso do petróleo, que é poluente desde sua extração até o uso final. Na verdade, apesar de sua enormidade, este acidente somente ilustra uma vez mais que o meio ambiente está pagando um preço altíssimo. Mesmo se não houvesse derramamentos, o uso do petróleo acabaria por emitir grandes quantidades de gás carbônico na atmosfera que alteram o clima do Planeta. Se quisermos mesmo parar acidentes como este e também ajudarmos a preservar o clima do Planeta, precisamos discutir como a sociedade como um todo vai conseguir reduzir sua dependência do uso de combustíveis fósseis. Não existem vazamentos de energia solar e eólica.

Delcio Rodrigues* é Diretor de Campanhas - Greenpeace Brasil  email: drodrigu@dialb.greenpeace.org

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