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03027081003 - Environment Justice x Finance - Forum da Energia - A Gaiola Dourada e o Passarinho - Por Edmilson Santos 24/08/00

Environment Justice x Finance - Forum da Energia

A Gaiola Dourada e o Passarinho

Por Edmilson Santos*

Curioso e interessante o artigo publicado pelo ex-Senador Jarbas Passarinho, no Espaço Aberto do Jornal O Estado de São Paulo, de Terça-feira, 15 de Agosto de 2000. Com um olhar crítico surpreendente do passado, o Senador colocou a energia nuclear em causa, afirmando que o Acordo Nuclear do Brasil com a Alemanha foi um calcanhar-de-aquiles para o ex-Presidente Geisel. Algumas questões me deixaram particularmente perplexo, especialmente porque elas podem ser ainda muito úteis para o nosso futuro energético.

1. Em primeiro lugar, segundo o Senador, o Acordo Nuclear, já nos idos de 1978 e 1979 fundava-se em um Plano 90 da Eletrobras, que previa o esgotamento dos potenciais hídricos brasileiros após a construção de Itaipú e necessidade urgente de mergulhar-se em um projeto agressivo de geração termoelétrica nuclear, absolutamente necessário para alimentar um crescimento esperado (e explosivo) de consumo (8% ao ano no mínimo e 12% ao ano no máximo). Quanta ilusão tais números se revelaram. E se repetiram igualmente absurdos nos Planos 2010 e 2015 da Eletrobras. E continuam igualmente inflados para justificar um plano igualmente agressivo e insensato de geração termelétrica, não mais com base nuclear, mas com gás natural. Tantos anos se passaram e os planejadores do setor elétrico não conseguiram balizar os seus modelos?

2. O Senador Passarinho reconhece que as previsões da Eletrobras acabaram ficando muito aquém do esperado, com o enfraquecimento da economia no final dos anos 70 e a crise da década de 80. Porém, é como se não hovesse culpados e que não se podia prever o imprevisível, a crise.

Mas, neste caso, devemos perguntar ao Senador se ele não estava consciente dos riscos implícitos e inerentes do modelo de desenvolvimento adotado nos anos 70. Uma marcha forçada, calcada em petrodolars disponíveis e baratos no mercado internacional, mas sempre sob a ameaça de uma crise de juros nos países mais desenvolvidos, não podemos denominar de modelo imprevisível. O Brasil assumiu riscos gigantescos e conscieentemente. Apostamos e perdemos.

A crise dos anos 80 foi tão inevitável como aquela que vivemos em 1999, após adotarmos um modelo de crescimento igualmente arriscado.

3. Apesar de tudo, continuamos a planejar com esse mesmo modelo, para nos engaiolarmos em Sonhos Dourados, como se a economia brasileira pudesse subtamente arrancar com crescimentos de PIB explosivos, necessitando mais de 40 termelétricas a gás natural. É um grande absurdo. A exceção foi o milagre dos anos 70. Nunca mais ocorrerá uma tamanha liquidez no mercado financeiro internacional, induzindo os anqueiros a esquecer o problema e Risco País (de Risco Brasil) e permitindo aos governos a assumirem riscos e projetos, muitas vezes irresponsáveis (como foi o Programa Nuclear Brasileiro).

4. Enfim, muito curiosa foi a colocação do Senador Jarbas Passarinho, com relação à postura do Professor José Goldemberg, então presidente da Sociedade Brasileira de Física, e visto na época como o principal símbolo da oposição civil brasileira contra o Acordo Brasil-Alemanha. Nos deixa entender o prezado Senador que, quando lhe foi dada a palavra e a possibilidade de interferir nos eventos, o Professor Goldemberg tenha sido muito pouco enfático, esvaziando a pressão oposicionista, e abrindo definitivamente o caminho para a aprovação final do Acordo. Devo reconhecer que era muito jovem na época, sendo difícil, portanto, opinar a respeito.

Contudo, essa colocação do Senador me surpreede. Nas memórias de minha
juventude, me recordo ainda de acompanhar de perto as discussões referentes à energia nuclear no Brasil. Me encontrava, como tantos outros jovens, completamente seduzido por essa nova tecnologia e, principalmente, por uma campanha governamental, muito bem articulada, que vendia a termoeletricidade nuclear como o futuro e a modernidade.

Para mim, o Professor Goldemberg aparecia como um opositor ferrenho ao desenvolvimento da indústria nuclear no Brasil. Algo como um líder do MSN (o Movimento dos Sem Núcleo). Comenta-se, até hoje, nos meandros mais profundos da Universidade, que o nosso caro Professor Goldemberg tenha tido a sua vida e a de seus familiares ameaçada.  Portanto, admitirmos um fracasso do Professor Goldemberg em sua luta contra a loucura nuclear brasileira, me parece no mínimo surpreendente. Porém,  com relação a esse tema, tenho certeza que o próprio Professor Goldemberg terá a oportunidade de manifestar-se e contar a sua versão da história.

Edmilson Moutinho dos Santos -  Professor de economia do petróleo e gás natural no Programa de Pós-Graduação em Energia da USP e coordenador do Forum da Energia pela Net.email:edsantos@iee.usp.br


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