05042000003 - Information Commodities - Rio Grande do Sul - Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Sociedade Civil Organizada - I Fórum Social Mundial - Mais de 10 mil pessoas vão discutir alternativas ao neoliberalismo e a globalização 20/12/00


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Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Sociedade Civil Organizada

I Fórum Social Mundial

Mais de 10 mil pessoas vão discutir alternativas ao neoliberalismo e a globalização

Riqueza e democracia são os dois grandes temas em pauta no I Fórum Social Mundial (FSM), que será realizado entre os dias 25 e 30 de janeiro de 2001, no Centro de Eventos da PUC/RS, em Porto Alegre. No exame da riqueza mundial, estará em análise a sua formação, concentração e distribuição, abrangendo ainda, emprego, meio ambiente e liberdade do capital financeiro.

Será discutida a limitação democrática dos estados nacionais frente à ampla liberdade de operação do capital financeiro, bem como o peso de órgãos como o Fundo Monetário Nacional (FMI). Esses temas abrem a discussão para outros, relacionados aos direitos civis e humanos.

Desta forma, o Rio Grande do Sul passará a ser também uma referência de oposição a Davos (Suíça), onde ocorre anualmente, desde 1971, o Fórum Econômico Mundial - financiado por mais de mil empresas multinacionais - que ocupa papel estratégico na formulação do pensamento dos que promovem e defendem as políticas neoliberais.

Cerca de 500 delegados de entidades não-governamentais de todo o mundo definiram em Genebra, no dia 24 de junho deste ano, a capital gaúcha como local de realização da primeira edição do evento. A principal referência para o fato de Porto Alegre sediar o evento é o modelo de gestão pública desenvolvido - há uma década em `Porto Alegre e há dois anos em todo o Estado - com o processo do Orçamento Participativo.

Com a proposta de ser um novo espaço internacional para a reflexão e a organização de todos os que estão construindo alternativas para priorizar o desenvolvimento humano e superar a dominação dos mercados nas relações internacionais, o I Fórum Social Mundial deve reunir 2700 delegados. Eles foram escolhidos pelos Comitês Nacionais de Mobilização do Fórum, obedecendo a critérios regionais. Deste total 25% são ligados a sindicatos, 25% a Ongs, 25% a movimentos urbanos e rurais e 25% são políticos. Até agora, do total de delegados, cerca de 1300 são da América Latina, 500 da Europa, 300 da África, 300 Ásia e 100 do Oriente Médio.

Participam representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs), sindicatos, movimentos sociais, grupos de cidadãos, palestrantes e portadores de mandatos eletivos. Os participantes estão sendo inscritos pelas organizações que representam. Também são essas organizações que promovem e financiam o encontro, sendo que o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e a Prefeitura de Porto Alegre são apoiadores oficiais do FSM.

O evento não é uma instância de deliberação sobre as teses e propostas nele apresentadas. Os participantes, contudo, terão plena liberdade de tomar decisões e divulgar propostas e tomadas de posição que resultarem das suas reuniões específicas de articulação. Dentro das preparações para o FSM realizadas ao longo dos últimos meses, o Governo do Estado vem se empenhando em divulgar e convocar representantes de entidades, organismos e governos de todo o mundo. Em decorrência destes contatos, foi confirmada a presença de numeroso grupo de parlamentares, ministros e autoridades eclesiásticas européias.

A proposta de criar o Fórum Social Mundial partiu das mobilizações ocorridas na Europa contra o Acordo Multilateral de Investimentos (AMI) em 1998, das grandes manifestações de Seattle, durante o encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC) em novembro de 1999, e das realizadas recentemente em Washington contra as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Mobilizações como essas resultaram num movimento cívico além das fronteiras nacionais. Em todo o mundo crescem esforços no sentido de buscar alternativas que coloquem o desenvolvimento humano e a democracia participativa como fatores prioritários de governos e cidadãos.

O comitê de organização brasileiro do Fórum Social Mundial é composto por oito entidades: Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong); Ação pela Tributação das Transações financeiras em Apoio aos Cidadãos (Attac-BR); Comissão Brasileira Justiça e Paz, da CNBB (CBJP); Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (Cives); Central Única dos Trabalhadores (CUT); Instituto Brasileiro de Análises Sócio Econômicas (Ibase); Centro de Justiça Global (CJG); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Conforme Chico Vicente, da Attac-BR, o FSM surge da necessidade da construção de ações concretas. O MST, por exemplo, vai lançar a idéia de uma campanha para que a semente seja transformada em patrimônio da humanidade, dentro da luta contra o uso de transgênicos. A Attac irá propôr a determinação do Dia Internacional de Luta contra o Neoliberalismo, que deverá ocorrer no equinócio de 2002. No equinócio, o dia e a noite são iguais, temos um símbolo de igualdade. Queremos que este dia seja um marco para a humanidade?, explica Chico Vicente. No manifesto do comitê, são citados o Terceiro Mundo e os pobres e excluídos dos países desenvolvidos, que sofrem duramente os efeitos da política devastadora da globalização liberal e da ditadura dos mercados, conduzida sob a égide do FMI, do Banco Mundial, da OMC e dos governos que lhes são fiéis.

Também será proposto no FSM, a taxa Tobin, baseada na idéia do prêmio Nobel de Economia, o norte-americano James Tobin, de que incida sobre as transações financeiras taxa de 1%. Segundo a idéia, isso renderia cerca de 170 bilhões de dólares ao ano, que poderiam ser destinados, através de um fundo, ao combate à fome e à miséria, principalmente de países localizados na África, Ásia e América Latina.

Algumas das cerca de 100 personalidades nacionais e internacionais que confirmaram presença até o momento: Alfredo Guevara, cineasta; Boaventura de Souza Santos, sociólogo português; Daniele Miterrand, presidente da associação France Libertè; Eduardo Galeano, escritor uruguaio; Eduardo Suplicy, senador brasileiro pelo Partido dos Trabalhadores; Frei Beto, brasileiro; João Pedro Stédile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); José Ramos Horta, líder timorense e prêmio Nobel da Paz em 1996; Leonardo Boff, teólogo brasileiro; Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do Partido dos Trabalhadores (PT) e conselheiro fundador do Instituto Cidadania; Marina da Silva, senadora brasileira pelo Partido dos Trabalhadores; Nora de Cortiñas, presidente das Mães da Praça de Maio; Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro; Raí, jogador de futebol brasileiro; Samir Amin, economista egípcio, diretor do Fórum do Terceiro Mundo em Dakar e do Fórum Mundial das Alternativas; Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro e Vandana Shiva, física, ecofeminista, escritora e líder do Movimento Internacional pela Preservação do Meio-ambiente e Culturas Agrícolas Indígenas.

Atividades paralelas

Estão programados diversos eventos simultâneos e manifestações em torno dos objetivos do encontro em todo o mundo. Circuitos de palestras e debates deverão também ser realizados paralelamente ao evento, envolvendo diretamente os cidadãos. O FSM compreenderá três tipos de atividade:

Sessões plenárias diárias com palestras e exposições de personalidades convidadas; encontros para apresentação de iniciativas em curso e troca de experiências; e reuniões de entrosamento e articulação entre organizações sociais que desenvolvem o mesmo tipo de luta. De manhã, os painéis girarão em torno de grande eixos: A produção da riqueza; o acesso às riquezas e a sustentabilidade; A afirmação da sociedade civil e dos espaços públicos e o Poder político; e Ética na Nova Sociedade. À tarde, haverá oficinas e dabates propostos pelas próprias organizações participantes.

Integrando a programação, ocorrerá o Fórum Parlamentar Mundial com cerca de 500 participantes - nos dias 27 e 28 de janeiro. Parlamentares de todos os países vão discutir temas cruciais no contexto da globalização neoliberal. Entre eles estão: a desregulamentação de mercados, o endividamento, transações financeiras especulativas e os riscos à democracia face à globalização. Aos parlamentares de todo o mundo está reservada a tarefa de constituir uma plataforma comum para o enfrentamento ao neoliberalismo, bem como a organização de formas articuladas de luta capazes de obstruir os elos que cristalizam a hegemonia neoliberal a partir de bases nacionais.

A Prefeitura de Porto Alegre está organizando o Fórum de Governantes, que deve reunir aproximadamente 1000 pessoas. Jovens de todo o mundo já estão organizando caravanas para participarem do Acampamento da Juventude que será montado no Campus da Agronomia. No parque da Harmonia o Acampamento Indígena deve reunir mais de mil representantes de nações indigenas de todas as partes do mundo.

Dinâmica das Atividades

Na parte da manhã no Centro de Convenções da Pontifícia Universidade Católica (PUC), acontecem as palestras exclusivas para delegados. Serão quatro palestras acontecendo ao mesmo tempo com tradução simultânea em três línguas (inglês, francês, espanhol). Uma delas será transmitida ao vivo, para um telão colocado no Auditório Araújo Vianna - com capacidade para quatro mil localizado no Parque da Redenção, área mais central da cidade.

Na parte da tarde, ainda na PUC, das quatro salas equipadas com tradução simultânea, três serão ocupadas por oficinas e uma para coletivas. Nas outras 60 salas disponíveis na PUC, acontecerão diversas atividades, entre palestras, oficinas e reuniões.

Nos outros espaços públicos municipais e estaduais da cidade, acontecem em torno de 350 eventos, promovidos por ONGs dos mais diversos países, onde serão discutidos assuntos como transgênicos, direitos do trabalhador, participação popular, políticas de gênero, direitos humanos entre tantos outros. A maioria dos eventos são abertos ao público em geral e para participar basta comparecer ao local do evento.

À noite no anfiteatro Por do Sol, as margens do Rio Guaíba, acontecem os shows musicais. Para a abertura já está confirmada a apresentação do músico francês Mano Chao. Também estão confirmados, Zeca Baleiro, Lobão, Leci Brandão, Beth Carvalho, Nei Lisboa e Vitor Ramil.

Credenciamento e reservas

O Governo do Estado está credenciando os jornalistas que desejam fazer a cobertura do Fórum Social Mundial. Até o final desta semana deverá estar disponível via internet a ficha de credenciamento. Maiores informações pelos e-mails: vrotta@piratini.rs.gov.br (Vera Rotta), mpastore@piratini.rs.gov.br (Stela Pastore) e dmantova@piratini.rs.gov.br (Denise Mantovani). Mais informações podem ser acessadas nos sites:

http://www.estado.rs.gov.br/forumsocialmundial/ e forumsocialmundial.org.br. Para os participantes, inclusive os jornalistas, as reservas de hotel devem ser feitas através da agência www.astratur.com.br/forum-hoteis.php.

Divulgado por Neusa Ribeiro email: <neurib@portoweb.com.br>


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