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05069000001 - Information Commodities - Quality Internet - O eco do Eco - Por Carlos A. Amaral

Information Commodities - Quality Internet

O eco do Eco

Por Carlos A. Amaral*

Em entrevista na Folha de São Paulo, do dia 10 de janeiro, o pensador e escritor Umberto Eco, autor do best-seller "O Nome da Rosa", compara a força da Internet de transformar a sociedade com a da revolução causada por Gutemberg, ao criar a prensa de metal mole, com tipos moveis.

Mas ele lembra que um dos problemas que visualiza com este veiculo de comunicação é a total inexistência de um filtro do material divulgado e quão perigoso isto pode ser, especialmente para os jovens. E mais ele considera que sem esta inexistência de filtragem a Internet pode ser um mecanismo que pode nos levar a à anarquia ou ao caos do saber.

E aqui, tanto quanto a maioria de nós que acreditamos sermos democratas, ele balança entre o cerceamento e a liberdade de expressão. Como um filtro não deixa de ser um sutil sinônimo de alguma forma de censura, nos perguntamos; Quem vai exercer o papel de sensor?

A historia nos mostra que, quando existe este filtro ele geralmente nunca foi bem utilizado. Isto aconteceu por razões culturais, religiosas, políticas e ideológicas ou mesmo de forma sutil pelos interesses econômicos dos editores ou dos donos dos veículos de comunicação. O problema, porém, é que hoje não existe filtro nenhum na Internet e , tudo leva a crer, que isto pode não ser bom para a sociedade.

A Internet como veiculo de comunicação tem intrinsecamente as mesmas condicionantes, ou em outras palavras as mesmas qualidade e defeitos, de qualquer outro meio que é utilizado para sensorialmente mexer com os nossos sentimentos, divulgar informações ou para comunicar idéias e transmitir ensinamentos. A realidade virtual poderá ser o próximo passo e isto sim realmente mexe com a nossa emoção. Tanto que ela hoje já é usada como método terapêutico.

Só que este veiculo agregou mais problemas éticos à aqueles que a evolução da comunicação e da tecnologia, em especial da genética e das imagens de síntese já antecipavam para o próximo milênio. Na Internet os mais sábios, os mais lúcidos, os mais bem intencionados, os mais ponderados, os mais fanáticos, os mais radicais, os mais desequilibrados e os mais emocional e mentalmente perturbados, atualmente, estão igualados e podem expressar-se sem limites

Pode-se dizer que as restrições, se existem, ficam por conta do analfabetismo e o acesso a um computador. Como diria um amigo, "Só os excluídos foram realmente excluídos".

Por outro lado, se notarmos o ser humano reage de forma bem diferente como indivíduo e quando agrupado em família, na sua tribo ou em qualquer contexto social mais complexo. Isto é função de duas heranças antropológicos, que apesar de terem a mesma origem, atuam de forma diferente; o instinto de sobrevivência e o de manutenção e perpetuação da espécie.

Felizmente, os seres humanos através do processo de aprendizado e a comunicação possibilitaram que a lógica para preservação da espécie prevalecesse e permitiram uma composição com o instinto de sobrevivência individual. Pelo menos, na maioria dos casos.

Com isto, os agrupamentos sociais puderam evoluir e foram se institucionalizando tendo como base o que é chamado pelos cientistas de contrato social. Ou seja, em nosso convívio em sociedade sabiamente criamos um conjunto de normas que administram os conflitos de interesse e de convivência que regem o comportamento das pessoas e das instituições.

Sem duvida, estas normas não conseguem ser homogêneas para todas as sociedades pois as necessidades, os anseios, as características, as condicionantes e consequentemente, o direcionamento e a evolução dos contextos sociais também não são iguais. Daí os choques.

Mas, além disso, cada um de nós vive de acordo com o seu próprio túnel de realidade e, através dele, tendo como referencial os nossos os imprints, os condicionamentos herdados e o nosso mecanismo de aprendizado, inclusive o sociocultural é que nós nos desenvolvemos. Ou seja, é este mecanismo de trocas entre o nosso mundo interior e exterior, que nos permite evoluir como seres humanos.

O aprendizado acontece ao longo de nossa vida e é um processo através do qual incorporamos e trabalhamos as sensações, as informações, ou os sinais que recebemos do mundo externo. São nestes "softwares e programas" que acontecem o processo cognitivo onde são percebidas, recebidas, acumuladas e elaboradas as informações, as sensações e as experiências que se agregam ao acervo já existente na nossa memória. Este mecanismo nos permite relacionar o antigo com o novo, interpretar estes conteúdos e assim criar e desenvolver um novo patamar de conhecimento.

Portanto, o que permeia este fluxo é o acumulo crescente de informações, experiência e sensações que recebidas, incorporadas e agregadas a aquelas já existentes as quais ao serem trabalhadas pela mente humana, compõe e geram um novo patamar de saber. A sua somatória ordenada é o conhecimento.

Algo parecido acontece com a nossa sensibilidade. Se não existir esta inter-relação e não exercitarmos nossos "sensores", por exemplo, dificilmente, ou nunca, seremos capazes de sensibilizados pela musica clássica quanto somos pelo bons sambas, pagodes e canções caipiras. .

É aqui que reside o perigo. Pois na medida em que um veiculo de comunicação tão potente quanto a Internet disponibiliza, mas não ordena o acesso à informação, realmente tende a induzir ao caos. Além disso, quando este instrumento não tem qualquer filtro de auto censura do que veicula, dificilmente pode estar somente realizando um bem para a sociedade.

O problema é que não existe fórum nacional ou internacional para controlar o conteúdo do que é transmitido. Mesmo que isto fosse possível ficam as perguntas: Valeria a pena ele existir? O filtro poderia ser isento?

De um modo simplista isto poderia ser visto como uma simples relação de custo e beneficio. Mas, quando o problema envolve comunicação de noticias, informações e ensinamentos ele torna-se infinitamente mais abrangente e grave porque o custo do estrago que a Internet pode fazer é imensuravél e qualquer beneficio deixa de ter sua razão de ser.

Por enquanto, vale a autocrítica. Mas a esperança é chegarmos a alguma forma de contrato social, como já aconteceu antes.

De qualquer forma, participo destas preocupações. Não é que o Eco faz eco?

Carlos Alberto A . do Amaral* Economista, MBA- Mast– Berkeley, Ca - Consultor de Empresas - Professor do CTA – Consultant Trade Adviser- co -autor do livro Introdução à Globalização - Em co-autoria com Ricardo W. Caldas- E-mail -caaamaral@uol.com.br


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